Manual de Cuidados Paliativos ANCP
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e permitir que o paciente expresse a sua própria avaliação. A ESAS inclui sintomas 
objetivos e subjetivos. Na impossibilidade de o paciente estabelecer uma comunicação 
coerente (dementados, por exemplo), a ESAS pode ser preenchida por seu cuidador com 
base na observação cuidadosa do seu comportamento, e, nesse caso, os sintomas subjeti-
vos (cansaço, depressão, ansiedade e mal-estar) devem ser deixados em branco(2-4, 5).
A tradução para o português que apresentamos foi realizada pela Dra. Isabel Galriça 
Neto, de Portugal, e sua validação no Brasil está em andamento.
A ESAS deve ser avaliada criteriosamente todos os dias e usada como plataforma para 
as ações necessárias para o alívio de sintomas, usando-se todos os recursos necessários 
para esse fim (Quadro 2).
Por princípio, nenhum questionamento deve ser feito ao paciente se não for utilizado em 
seu benefício. Por isso é que os interrogatórios devem ser breves, objetivos e práticos também 
para a equipe. Em Cuidados Paliativos, escalas longas e cansativas devem ser evitadas.
Além da ESAS, deve ser realizado o registro livre do motivo principal da consulta ou 
internação, das necessidades do doente e das suas preocupações subjetivas. Novas obser-
vações e elaborações acerca de sua evolução e percepção da doença devem ser sempre 
registradas.
Quadro 2 \u2013 Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton (ESAS)
Avaliação de sintomas:
Paciente: Registro:
Preenchido por: ________________________ Data:
Por favor, circule o nº que melhor descreve a intensidade dos seguintes sintomas neste 
momento (também se pode perguntar a média durante as últimas 24 horas).
Sem dor 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior dor possível
Sem cansaço 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior cansaço possível
Sem náusea 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior náusea possível
Sem depressão 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior depressão possível
Sem ansiedade 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior ansiedade possível
Sem sonolência 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior sonolência possível
Muito bom apetite 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior apetite possível
Sem falta de ar 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 Pior falta de ar possível
Melhor sensação de 
bem-estar possível
0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10
Pior sensação de 
bem-estar possível
Outro problema 0 \u2013 1 \u2013 2 \u2013 3 \u2013 4 \u2013 5 \u2013 \ufffd \u2013 \ufffd \u2013 8 \u2013 9 \u2013 10 
Fonte: Regional Palliative Care Program, Capital Health, Edmonton, Alberta, 2003.
Traduzido e adaptado ao português por Neto, IG. 200\ufffd.
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Exames físico e complementares e avaliações de especialistas
Os procedimentos clínicos em Medicina Paliativa são os mesmos da prática clínica. 
Porém, por princípio, o Cuidado Paliativo objetiva o bem-estar e o conforto do doente.
Isso significa que nenhum exame clínico, nenhuma coleta de exames ou outra forma 
de investigação devem ser realizados se não tiverem por objetivo a compreensão necessá-
ria ao alívio de um sintoma ou ao controle de situação potencialmente reversível.
Especialmente na fase final da vida, nada justifica, por exemplo, aplicar ao doente um es-
tímulo doloroso para investigar seu nível de consciência, colher exames ou realizar exames de 
imagem apenas para documentação do caso, utilizar placebos ou suspender analgésicos e outros 
medicamentos agora essenciais para testar nível de consciência no doente. Avaliações e procedi-
mentos especializados que não tragam benefício para o doente não devem ser solicitados.
Decisões terapêuticas
Um prontuário em Cuidados Paliativos deve conter todas as decisões terapêuticas 
tomadas a partir de uma avaliação clínica:
\u2022 medicamentos e doses;
\u2022 início ou suspensão de medidas;
\u2022 solicitações de exames e avaliações;
\u2022 necessidades de intervenções psíquicas;
\u2022 necessidades sociais;
\u2022 intervenções realizadas ou solicitadas com a família;
\u2022 necessidades espirituais;
\u2022 efeito esperado das ações.
Impressão e prognóstico
Componentes fundamentais da avaliação em Cuidados Paliativos, a impressão acerca 
do estado em que se encontra o doente, a expectativa acerca do tratamento proposto 
e a impressão prognóstica devem constar na admissão e todas as vezes em que forem 
modificadas ao longo do tempo.
Uma forma simplificada de fazer o registro e comunicar o prognóstico é estabelecer prazos:
\u2022 horas a dias (pacientes com perfil de últimas 48 horas);
\u2022 dias a semanas (perfil de últimas semanas de vida);
\u2022 semanas a meses (habitualmente até seis meses de expectativa);
\u2022 meses a anos (para expectativas superiores a seis meses).
Plano de cuidados
Considerando a possibilidade de trabalho em rede assistencial, é fundamental que cada 
consulta, visita ou internação resulte em um plano de cuidados ao paciente e à família. Qual-
quer que seja a fase da doença, é fundamental ter clareza do problema, das necessidades, da 
evolução em que se encontra e da possibilidade de antever e prevenir novas crises.
O plano de cuidados deve ser claro o bastante para que o tratamento proposto possa 
ser continuado por toda a rede assistencial, inclusive em unidades de emergência e hos-
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pitais gerais onde o paciente poderá ser atendido por outras equipes.
O Quadro 3 propõe um modelo de plano de cuidados de preenchimento simples e objeti-
vo. Nele prioriza-se o registro da identificação do doente, do cuidador e do médico responsá-
vel, dos principais diagnósticos, da PPS (em caso de internações inicial e final), da última ESAS, 
das medicações em uso e, por fim, das recomendações para as próximas semanas.
Quadro 3 \u2013 Plano de cuidados
Serviço de Cuidados Paliativos Plano de cuidados
Nome:
Cuidador:
Médico: CRM:
Idade: Sexo: 
Prontuário:
 
Data:
Diagnósticos: PPS inicial: PPS atual:
1
2
3
4
5
\ufffd
Escala de avaliação de sintomas de Edmonton Medicamentos
Dor 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 1.
Fadiga 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 2.
Náusea 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 3.
Depressão 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 4.
Ansiedade 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 5.
Sonolência 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 \ufffd.
Falta de apetite 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 \ufffd.
Falta de ar 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 8.
Mal-estar 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 9.
Outro sintoma 0 - 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - \ufffd - \ufffd - 8 - 9 - 10 10.
Recomendações:
Retorno: Profissional:
PPS: Palliative Performance Scale.
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Exemplo: 
\u2022 manter curativos das feridas com metronidazol tópico;
\u2022 vigiar capacidade de deglutição;
\u2022 vigiar sintomas de hipercalcemia;
\u2022 ter atenção à filha mais nova e às netas;
\u2022 providenciar isenção de transporte para a filha cuidadora.
Sugestão de impressos
Os impressos usados em unidades de Cuidados Palaitivos devem ser simples, de 
fáceis visualização e preenchimento, sem omitir informações fundamentais. 
No Anexo 1 há uma ficha de encaminhamento para ser usada por outros serviços 
ou especialidades para referir pacientes à unidade de Cuidados Paliativos. No verso, 
a equipe preenche dados sobre o cuidador e endereços, determina a PPS circulando 
os itens compatíveis e, com base na performance, determina a forma de atendimen-
to. Pacientes com PPS igual ou superior a 50% podem ser atendidos em unidade am-
bulatorial. Aqueles com PPS entre 30% e 40% devem ser atendidos no domicílio, e os 
com PPS de 20% ou 10% devem ser referidos para atendimento imediato em unida-
de de internação