Manual de Cuidados Paliativos ANCP
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Manual de Cuidados Paliativos ANCP


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que vem depois 
dela; ressignificação de dor 
e sofrimento
Estreitar relação 
com o Ser Supremo; 
reafirmar crenças
Ouvir atentamente; utilizar toque 
afetivo para demonstração de 
compreensão e apoio; respeitar 
momentos de silêncio do outro
Ações comunicativas eficazes para a família na terminalidade
É praticamente impossível cuidar do indivíduo de forma completa sem considerar 
contexto, dinâmica e relacionamento familiar. As informações contínuas e acessíveis aos 
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
Quadro 7 - Ações comunicativas no apoio ao familiar na terminalidade
Ações comunicativas eficazes
Presença mais frequente
Verbalização de disponibilidade, compaixão e pesar pela perda
Perguntar o que ela precisa ou o que você pode fazer para ajudá-lo naquele momento
Respeitar crenças, rituais e expressão de sentimentos e, se puder, participar junto
Utilizar o toque afetivo
Quadro 6 - Necessidades emocionais expressas de modo verbal e/ou não-verbal e 
estratégias possíveis de comunicação úteis para o cuidado ao fim da vida
Aspectos emocionais 
identificados
Necessidades 
relacionadas
Estratégias possíveis 
de comunicação
\u2022 Sentimentos de tristeza
\u2022 Autoimagem e 
autoestima alteradas
\u2022 Medo de incapacidade e 
deterioração física
\u2022 Medo de ter dor
\u2022 Medo de estar sozinho 
no momento da morte
\u2022 Luto pelas perdas 
antecipadas (vida, 
relacionamentos etc.)
\u2022 Ser ouvido
\u2022 Ser aceito
\u2022 Ser confortado
\u2022 Ser valorizado
\u2022 Sentir-se seguro
\u2022 Exercer sua autonomia
\u2022 Estar sempre 
acompanhado
\u2022 Ter valores e crenças 
respeitados
\u2022 Ouvir
\u2022 Utilizar toque afetivo
\u2022 Estar mais presente junto 
ao paciente
\u2022 Verbalizar não-abandono
\u2022 Verbalizar 
disponibilidade e interesse
\u2022 Estimular visitas e 
permanência de cuidador/
acompanhante
familiares são os elementos essenciais que permitirão uma vivência mais serena e tran-
quila do processo de morte do doente, sem gerar expectativas que não podem ser atendi-
das. Os familiares têm a necessidade de se manter informados sobre o que acontece e o 
que esperar do processo de morte de seus entes. Desse modo, uma das necessidades mais 
proeminentes da família é o estabelecimento de uma comunicação clara, honesta e mais 
frequente com os membros da equipe que cuidam do paciente(8). 
A metanálise de vários estudos sobre as necessidades de um familiar do paciente gra-
vemente enfermo, em iminência de morte, aponta que ele deseja sentir-se útil no cuidado 
de seu ente, entender o que está sendo feito por ele e o porquê, ser informado acerca de 
mudanças nas condições clínicas e proximidade de morte, ser assegurado do conforto do 
doente, poder expressar suas emoções, ter seus sentimentos compreendidos e ser confor-
tado, encontrando algum significado na perda da pessoa amada(15).
Assim, informações e orientações simples e claras nesse momento são extremamente 
benéficas aos membros da família, como o estímulo para a verbalização de sentimentos 
e a escuta (Quadro 7).
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Considerações finais
Relacionar-se com o outro é essencial para a vida, porque confirma a existência do 
homem e fundamenta sua experiência humana. Por meio dos relacionamentos, os seres 
humanos compartilham experiências comuns, fortalecendo seus elos e revelando simi-
laridades, anseios e necessidades. Na terminalidade, permitem que não \u201cantecipemos\u201d a 
morte de alguém, à medida que continuamos ouvindo e respeitando suas necessidades 
e desejos. Para o profissional atento, a comunicação em Cuidados Paliativos o questiona 
sobre a própria vida e lhe permite redirecioná-la, quando necessário.
Referências
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e expectativas de pacientes sob cuidados paliativos. [Dissertação] Escola de Enfermagem da Universidade 
de São Paulo, São Paulo, 200\ufffd. 
2. ARAÚJO, M. M. T; SILVA, M. J. P. Comunicando-se com o paciente terminal. Rev Soc Bras Cancer, 
v. \ufffd, n. 23, p. 1\ufffd-20, 2003.
3. ASPINAL, F. et al. What is important to measure in the last months and weeks of life?: a modified 
nominal group study. International Journal of Nursing Studies, v. 43, n. 4, p. 393-403, 200\ufffd.
4. CARVALHO, M. V. B. O cuidar no processo de morrer na percepção das mulheres com câncer: uma 
atitude fenomenológica. [Tese] Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
5. GULINELLI, A. et al. Desejo de informação e participação nas decisões terapêuticas em caso de 
doenças graves em pacientes atendidos em um hospital universitário. Rev Assoc Med Bras, v. 50, n. 1, 
p. 41-\ufffd, 2004.
\ufffd. HAWTHORNE, D. L.; YURKOVICH, N. J. Human relationship: the forgotten dynamic in palliative care. 
Palliative & Support Care, v. 1, n. 3, p. 2\ufffd1-2\ufffd50, 2003.
\ufffd. HIGGINSON, I.; CONSTANTINI, M. Communication in end-of-life cancer care: a comparison of team 
assessment in three European countries. Journal of Clinical Oncology, v. 1\ufffd, n. 20, p. 3\ufffd\ufffd4-82, 2002.
8. KIRCHHOFF, K. T.; SONG, M. K.; KEHL, K. Caring for the family of the critically ill patient. Critical Care 
Clinics, v. 20, 453-\ufffd\ufffd, 2004.
9. KÓVACS, M. J. Comunicação nos programas de cuidados paliativos. In: PESSINI, L; BERTACHINI, L. 
Humanização e cuidados paliativos. São Paulo: Loyola, 2004. 
10. LITTLEJOHN, S. W. Fundamentos teóricos da comunicação humana. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan, 1988.
11. SILVA, M. J. P. Comunicação com pacientes fora de possibilidades terapêuticas: reflexões. Mundo 
Saúde, v. 2\ufffd, n. 1, p. \ufffd4-\ufffd0, 2003.
12. SILVA, M. J. P. Comunicação tem remédio: a comunicação nas relações interpessoais em saúde. São 
Paulo: Gente, 199\ufffd.
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physicians and other care providers. JAMA, v. 284, n. 19, p. 24\ufffd\ufffd-82, 2000a.
14. STEINHAUSER, K. E. et al. In search of a good death: observations of patients, families and providers. 
Annals of Internal Medicine, v. 132, n. 10, p. 825-32, 2000b.
15. TROUG, R.D. et al. Recommendations for end-of-life care in the intensive care unit: The Ethics 
Committee of the Society of Critical Care Medicine. Critical Care Medicine, v. 29, n. 12, p. 2332-48, 2001. 
1\ufffd. VOOGT, E. et al. Information needs of patients with incurable cancer. Support Care Cancer, v. 13, 
n. 11, p. 943-8, 2005.
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
Modalidades de atuação e modelos de 
assistência em Cuidados Paliativos
luís FernAndo rodriGues
Introdução
Nos últimos 10 anos os Cuidados Paliativos têm se disseminado fortemente em todo o 
mundo, e no nosso país não tem sido diferente. O contraste que observamos, no entanto, 
diz respeito justamente aos modelos de assistência empregados nos diversos países para 
atender à necessidade dos cuidados em fim de vida. Na Europa, a referência aos hospices 
como locais de cuidado intensivo na terminalidade (entendendo intensivo como presença 
intensa junto ao paciente visando execução de reavaliações e ajustes constantes de me-
didas para alívio de sofrimento, e não emprego de maquinário com tecnologia avançada) 
evidencia o quão diferente a organização dos serviços pode ser. 
Desde o cuidado de nível 1, executado por equipes de saúde da família para necessida-
des mais básicas, até o de nível 3, com equipes capacitadas para resolução de problemas 
complexos, os cenários de atuação são diversificados(4). O objetivo deste texto é explorar 
vantagens e dificuldades para a execução de cuidados em cada um desses cenários.
Modelos de assistência
Hospital
Historicamente, quando falamos de cuidado de saúde, e principalmente quando fa-
lamos em cuidados em etapa terminal de enfermidade, imediatamente nossa mente nos 
remete ao cuidado hospitalar, já que quem está muito doente, em nossa cultura, deve 
procurar um hospital. E é nesse ambiente que temos visto se desenvolver alguns dos 
principais serviços de