Manual de Cuidados Paliativos ANCP
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Manual de Cuidados Paliativos ANCP


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pela necessidade de equipe treinada em período integral.
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Além de área física, leitos e acomodações para pelo menos um familiar acompanhan-
te, há a necessidade de se estabelecer:
\u2022 fluxo de internações para pacientes externos, pronto-socorro e transferências de outras 
clínicas do hospital;
\u2022 impressos apropriados ou templates específicos de internação e evolução diária, quando 
houver prontuário eletrônico;
\u2022 fluxo de encaminhamento para pacientes no período pós-alta, pois todos devem con-
tinuar inseridos no atendimento em Cuidados Paliativos, seja ambulatorial ou domiciliar, 
de acordo com o desempenho do doente;
\u2022 política de padronização dos medicamentos necessários à boa paliação, bem como fa-
cilidades de dispensação na alta hospitalar;
\u2022 espaço físico e horas semanais destinadas à discussão de casos por equipe multipro-
fissional, bem como espaço e ações que ajudem a equipe a elaborar o próprio luto de-
corrente dos óbitos e as situações de estresse pela convivência estreita com situações de 
sofrimento humano.
Grupo consultor em Cuidados Paliativos
Consiste na criação de uma equipe profissional muito bem treinada que se coloca à 
disposição de todas as equipes de diferentes especialidades no hospital para a elaboração 
de um plano de cuidados dirigido ao paciente e a sua família. Nesse caso, a equipe não 
assume o doente de forma integral(3).
As equipes de interconsulta podem estar vinculadas e ser originadas nas enfermarias 
de Cuidados Paliativos, quando existentes, ou trabalhar de forma exclusiva em pequenos 
hospitais, onde não comportem leitos próprios.
A maioria das equipes de Cuidados Paliativos para pacientes internados no Brasil 
funciona nessa modalidade.
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Nesse modelo assistencial, a maior necessidade é a formação de uma equipe mínima de 
Cuidados Paliativos muito bem treinada e disponível no hospital. A equipe deve contar com:
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\u2022 um médico em período parcial de trabalho;
\u2022 uma enfermeira treinada e que atue em consonância com a enfermeira da clínica de 
origem;
\u2022 uma psicóloga muito bem treinada na prática de Cuidados Paliativos;
\u2022 uma assistente social, de acordo com a demanda local;
\u2022 outros profissionais não-vinculados diretamente à equipe, mas que atuem em con-
sonância com os princípios dos Cuidados Paliativos e que possam prestar assistência 
ocasional em situações selecionadas pelo grupo (nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta 
ocupacional, farmacêutico etc.);
\u2022 uma sala para guardar o material da equipe e realizar reuniões regulares do grupo para 
a discussão dos casos visitados;
\u2022 treinamento da equipe e educação continuada, pois todos precisam ter muita segurança 
nos conhecimentos inerentes à prática proposta.
vAntAGens
\u2022 Baixo custo e rapidez de implantação do serviço pela necessidade de poucos profissionais;
\u2022 possibilidade de interação de profissionais com alto conhecimento em Cuidados Palia-
tivos com diversas equipes do hospital.
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\u2022 Dificuldade de aceitação pelas equipes especializadas dos novos paradigmas clínicos 
dos Cuidados Paliativos;
\u2022 receio do profissional médico de ser invadido em suas decisões e condutas pessoais(3);
\u2022 baixa adesão ao tratamento proposto, especialmente no tocante a uso de opioides, pro-
posição de novas vias de administração de medicamentos e suspensão de procedimentos e 
terapêuticas considerados fúteis. Para minimizar esses problemas, o grupo precisa retornar 
diariamente ao leito, checar prescrições e interagir constantemente com a equipe local;
\u2022 necessidade de equipe muito bem treinada e com perfil de educadores para o enfren-
tamento dessas dificuldades.
Unidade hospitalar especializada em Cuidados Paliativos
Este é o termo equivalente ao inglês hospice. Consiste numa unidade de saúde com 
complexidade mediana, apta a dar respostas rápidas às necessidades mais complexas dos 
doentes. Diferencia-se do hospital geral pelo espaço destinado a atividades diversas e 
convivência, inclusive para familiares, flexibilidade e atuação contínua de equipes multi-
profissionais, além de programação distinta e de caráter holístico(3).
A unidade hospitalar especializada em Cuidados Paliativos pode atender também a 
diferentes necessidades, desde pacientes em fase final da vida e em crise de necessidades, 
com perfil de internação curto (média de 14 dias), ou abrigar doentes com necessidades 
de internação prolongada (média de dois a três meses), em perfil de recuperação neuro-
lógica, enfermidade crônica avançada, como doenças pulmonar, cardíaca ou renal com 
descompensações de repetição em curto período e fase avançada das demências com alto 
grau de incapacidade.
Precisa ser equipada para atender ocorrências clínicas e, para isso, necessita de pre-
sença médica durante 24 horas, exames laboratoriais e radiologia, contando com referên-
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
cia para exames mais complexos como ressonância magnética (RM) e procedimentos pa-
liativos, como inserção de cateteres urinários, stents, radioterapia paliativa, entre outros.
Pode localizar-se na área de um hospital de referência, em um prédio isolado ou, 
quando distante, contar com rápidos sistemas de referência e transporte quando houver 
necessidade de intervenção mais complexa do que a oferecida na unidade(3).
No Brasil existem poucas unidades nessa modalidade, sendo exemplos o Hospital do 
Câncer IV do Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro; a Unidade de Cui-
dados Paliativos do Hospital do Câncer de Barretos e o Hospital Local de Sapopemba, em 
São Paulo, que atende à clientela do Sistema Único de Saúde (SUS), e o Hospital Premier, 
que atende convênios de saúde.
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A unidade hospitalar de Cuidados Paliativos permite a prática especializada dos cui-
dados em toda sua plenitude, com abordagem impecável aos sintomas físicos, psicosso-
ciais e espirituais, como:
\u2022 uma série de atividades que permitem ao doente viver, mesmo na fase final da doença, 
com mais liberdade e funcionalidade;
\u2022 facilidade para o trabalho com voluntários;
\u2022 apesar de a assistência permitir a mesma complexidade do hospital, a sensação de estar 
internado é atenuada na Unidade de Cuidados Paliativos;
\u2022 permite maior convivência entre pacientes e familiares.
desvAntAGens
A maior desvantagem da Unidade de Cuidados Paliativos é a necessidade de transfe-
rência do doente para uma unidade distinta:
\u2022 a distância do hospital de referência pode elevar os custos com transporte e serviços de 
apoio, quando necessários;
\u2022 as visitas dos profissionais que previamente participavam ativamente do seu tratamen-
to são raras;
\u2022 risco de o paciente sentir-se abandonado ou relegado a segundo plano na rede assis-
tencial;
\u2022 tendência equivocada de outros especialistas de verem como unidade de doentes crônicos 
ou apenas destinada ao final da vida, o que distorce o conceito dos Cuidados Paliativos.
neCessidAdes
A organização de uma unidade hospitalar em Cuidados Paliativos exige a construção 
ou a adaptação de um prédio apropriado e agradável, que conte com jardins, áreas de 
lazer e salas especiais para as atividades coletivas.
As acomodações devem ser preferencialmente individuais, com espaço para instala-
ção de um familiar ou acompanhante, com mobiliário leve e agradável.
Idealmente deve ter espaço para atividades de terapia ocupacional e de reabilitação, 
exames laboratoriais, ultrassonografia (US), endoscopia e radiologia, assim como sala 
para pequenos procedimentos paliativos, como gastrostomia por via endoscópica.
A unidade deve contar com equipe multiprofissional completa com formação em Cui-
dados Paliativos, que inclui médicos, enfermeiras, psicólogos, assistentes sociais, fisio-
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terapeutas, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, 
farmacêuticos, odontólogos, assistentes espirituais e voluntários.
O corpo