Manual de Cuidados Paliativos ANCP
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Manual de Cuidados Paliativos ANCP


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pela USP.
ivone biAnChini de oliveirA
Assistente social do Núcleo de Assistência Domiciliar Interdisciplinar (NADI) do HCFMUSP.
José tAdeu tesseroli de siQueirA
Cirurgião-dentista; supervisor da Equipe de Dor Orofacial da Divisão de Odontologia do HCFMUSP.
JulietA CArriConde FriPP
Médica; coordenadora do Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI) para pa-
cientes oncológicos da Universidade Federal de Pelotas (UFPeL).
leonArdo de oliveirA Cosolin
Médico; coordenador do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Câncer de Barretos.
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
letíCiA AndrAde
Doutora em Serviço Social, atuando na Divisão de Serviço Social no Ambulatório de Cuida-
dos Paliativos e no NADI do HCFMUSP.
luAnA visCArdi nunes
Psicóloga da equipe de Cuidados Paliativos do HSPE/SP; especializada em Psicanálise pelo 
Instituto Sedes Sapientiae.
luCiAnA reGinA bertini CAbrAl
Geriatra; membro do Programa de Cuidados Paliativos do Serviço de Clínica Médica do Insti-
tuto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).
luis Alberto sAPoretti
Geriatra do Serviço de Geriatria do HCFMUSP; coordenador do Programa de Cuidados Paliati-
vos em Geriatria do Serviço de Geriatria do HCFMUSP.
luís FernAndo rodriGues
Médico; coordenador da equipe de Cuidados Paliativos do Hospital do Câncer de Londrina e do 
Sistema de Internação Domiciliar da Secretaria Municipal da Saúde de Londrina.
mAriA Goretti sAles mACiel
Médica; coordenadora do Serviço de Cuidados Paliativos do HSPE/SP; diretora da ANCP, do 
Hospital Premier e do Instituto Paliar; membro da Câmara Técnica sobre Terminalidade da Vida 
e Cuidados Paliativos do CFM.
mAriA FernAndA bArbosA
Farmacêutica da Unidade de Cuidados Paliativos do INCA/HC IV; especialista em Farmácia 
Hospitalar em Oncologia pelo INCA.
mAriA JúliA PAes dA silvA
Professora titular da Escola de Enfermagem (EE) da USP; diretora do Departamento de Enfer-
magem do HU/USP; líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Comunicação Interpessoal do 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
mAriliA bense othero
Terapeuta ocupacional; coordenadora do setor de Terapia Ocupacional (TO) do Hospital Pre-
mier e da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE); especialista em Saúde Co-
letiva pela FMUSP.
mirlAne GuimArães de melo CArdoso
Anestesiologista; professora da Universidade Federal de Alagoas (UFA); responsável pelo Serviço de 
Terapia de Dor e Cuidados Paliativos da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCECON).
môniCA CeCíliA boChetti mAnnA
Médica da equipe de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos e 
da Hospedaria de Cuidados Paliativos do HSPM/SP.
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môniCA mArtins trovo de ArAúJo
Enfermeira; doutoranda pela EEUSP; membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Comunica-
ção Interpessoal do CNPQ.
renAto rodriGues CAmArão
Enfermeiro da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital de Apoio de Brasília; membro do 
Programa Cuidar Sempre, do Distrito Federal.
riCArdo tAvAres de CArvAlho
Cardiologista; coordenador do Grupo de Cuidados Paliativos do HCFMUSP; diretor do Hospital 
Premier, do Instituto Paliar e da ANCP.
ritA de CássiA dewAY GuimArães
Médica; diretora do Núcleo Assistencial para Pessoas com Câncer; paliativista da assistência 
multidisciplinar em Oncologia.
roberto t. C. betteGA
Médico; vice-presidente da ANCP; coordenador do Serviço de Cuidados Paliativos e Alívio da 
Dor do Núcleo de Estudos Oncológicos do Paraná. 
sAmirA AlenCAr YAsuKAwA
Fisioterapeuta do ICR do HCFMUSP; especializada em Cuidados Paliativos pelo Instituto 
Pallium.
silviA mAriA de mACedo bArbosA
Médica; presidente da ANCP; coordenadora do Serviço de Cuidados Paliativos do Instituto da 
Criança da FMUSP.
solAnGe A. Petilo de CArvAlho briColA
Farmacêutica clínica do Serviço de Clínica Geral do NADI e do Ambulatório de Cuidados Pa-
liativos do HCFMUSP.
sumAtrA melo dA CostA PereirA JAles
Cirurgiã-dentista; pós-graduada em Odontologia Hospitalar pelo HCFMUSP.
toshio ChibA
Geriatra; membro do Programa de Cuidados Paliativos do Serviço de Clínica Médica do ICESP.
verusKA meneGAtti AnAstáCio hAtAnAKA
Médica assistente do Serviço de Clínica Médica do ICESP.
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
Cuidados Paliativos: conceito, fundamentos e 
princípios
dAlvA YuKie mAtsumoto
Introdução
Nas últimas décadas, assistimos ao envelhecimento progressivo da população, assim 
como ao aumento da prevalência de câncer e outras doenças crônicas(5). Em contraparti-
da, o avanço tecnológico alcançado principalmente a partir da segunda metade do século 
XX, associado ao desenvolvimento da terapêutica, fez com que muitas doenças mortais 
se transformassem em crônicas, levando à longevidade de seus portadores. No entanto, 
apesar dos esforços dos pesquisadores e do conhecimento acumulado, a morte continua 
sendo uma certeza e ameaça o ideal de cura e preservação da vida para o qual nós, pro-
fissionais da saúde, somos treinados.
Os pacientes fora de possibilidade de cura acumulam-se nos hospitais, recebendo in-
variavelmente assistência inadequada, quase sempre focada na tentativa de recuperação, 
utilizando métodos invasivos e alta tecnologia. Essas abordagens, ora insuficientes, ora 
exageradas e desnecessárias, quase sempre ignoram o sofrimento e são incapazes, por 
falta de conhecimento adequado, de tratar os sintomas mais prevalentes, sendo a dor o 
principal e mais dramático. Não se trata de cultivar uma postura contrária à medicina 
tecnológica, mas questionar a \u201ctecnolatria\u201d(\ufffd) e refletir sobre a nossa conduta diante da 
mortalidade humana, tentando o equilíbrio necessário entre conhecimento científico e 
humanismo para resgatar a dignidade da vida e a possibilidade de se morrer em paz.
Cada vez mais encontramos em nossos serviços pacientes idosos, portadores de sín-
dromes demenciais de variadas etiologias ou com graves sequelas neurológicas. Devemos 
enfrentar o desafio de nos conscientizar do estado de abandono a que esses pacientes 
estão expostos, inverter o atual panorama dos cuidados oferecidos e tentar implantar me-
didas concretas, como criação de recursos específicos, melhoria dos cuidados oferecidos 
nos recursos já existentes, formação de grupos de profissionais e educação da sociedade 
em geral(3). Os Cuidados Paliativos despontam como alternativa para preencher essa lacu-
na nos cuidados ativos aos pacientes. 
Breve história dos Cuidados Paliativos
O Cuidado Paliativo se confunde historicamente com o termo hospice, que definia 
abrigos (hospedarias) destinados a receber e cuidar de peregrinos e viajantes. O relato 
mais antigo remonta ao século V, quando Fabíola, discípula de São Jerônimo, cuidava de 
viajantes vindos da Ásia, da África e dos países do leste no Hospício do Porto de Roma(1).
Várias instituições de caridade surgiram na Europa no século XVII, abrigando pobres, 
órfãos e doentes. Essa prática se propagou com organizações religiosas católicas e pro-
testantes que, no século XIX, passaram a ter características de hospitais.
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O Movimento Hospice Moderno foi introduzido pela inglesa Cicely Saunders, com 
formação humanista e médica, que em 19\ufffd\ufffd fundou o St. Christopher\u2019s Hospice, cuja 
estrutura não só permitiu a assistência aos doentes, mas o desenvolvimento de ensino 
e pesquisa, recebendo bolsistas de vários países(\ufffd).
Na década de 19\ufffd0, o encontro de Cicely Saunders com Elisabeth Klüber-Ross, nos 
Estados Unidos, fez com que o Movimento Hospice também crescesse naquele país.
Em 1982, o Comitê de Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um 
grupo de trabalho responsável por definir políticas para o alívio da dor e cuidados 
do tipo hospice que fossem recomendados em todos os países para pacientes com 
câncer. O termo Cuidados Paliativos, já utilizado no Canadá, passou a ser adotado