Manual de Cuidados Paliativos ANCP
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ponderal, alo-
pecia, limitação de movimentos e alterações de pele. Essas mudanças físicas causam 
redução da autoestima, deixando o paciente vulnerável e extremamente ansioso pela 
exposição e análise alheia.
trAtAmento
A psicoterapia é importante instrumento para o tratamento. Em geral, é recomendada 
TCC, porém a definição fica a critério da psicóloga responsável. 
A acupuntura possui técnicas bem estabelecidas para redução dos sintomas de ansie-
dade com bloqueio de pontos específicos.
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Tratamento farmacológico
\u2022 Betabloqueadores: propranolol, com dose de 20 a 80 mg/dia, ou atenolol, com 50 a 
100 mg/dia;
\u2022 antidepressivos: a indicação de primeira linha são os ISRS, com destaque para citalo-
pram, 20 a 80 mg/dia; fluoxetina, 5 a 80 mg/dia; paroxetina, 20 a 80 mg/dia; sertralina, 
50 a 150 mg/dia.
O tratamento de manutenção deve ser mantido entre seis a 12 meses após melhora 
dos sintomas, mas, em casos de evolução para terminalidade e piora da imagem corporal 
e das atividades gerais, a descontinuação pode não se fazer necessária. Em fase interme-
diária, havendo resposta, a descontinuação deve ser gradativa em quatro semanas para 
evitar efeitos colaterais e recidivas. A psicoterapia deverá ser mantida.
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Caquexia e anorexia
henriQue A. PArsons
Introdução e definição
Etimologicamente, caquexia significa \u201cmau estado\u201d, do grego kakós (mau) e hexis 
(estado). Tradicionalmente, a caquexia é relacionada com o emagrecimento excessivo 
e claramente aparente associado a determinadas enfermidades(3). Nos dias de hoje não 
são muito frequentes os pacientes tipicamente caquéticos, extremamente emagrecidos 
e com proeminências ósseas aparentes. Este fato parece decorrer, em parte, da epidemia 
de obesidade e também da evolução da ciência médica, que permite melhor tratamento 
das doenças de base nesses pacientes. Nos últimos anos, também a definição de caquexia 
vem evoluindo. Atualmente ela é considerada uma síndrome que cursa com alguma perda 
de peso, mas essa deve ser associada a uma série de outros fatores, inclusive à anorexia 
(redução do apetite com consequente redução do aporte calórico)(9) (Quadro 1)(20).
Quadro 1 \u2013 Critérios atuais para o diagnóstico de caquexia
Critério maior
\u2022 Perda de 5% do peso em um ano (ou em período mais curto) (ou IMC < 20 kg/m2) 
(excluindo-se edema)
Critérios menores (ao menos três devem estar presentes)
\u2022 Anorexia
\u2022 Astenia
\u2022 Baixa força muscular
\u2022 Baixa massa magra
\u2022 Alterações bioquímicas (ao menos uma):
\u2013 Elevação de marcadores inflamatórios (PCR, IL-\ufffd)
\u2013 Anemia
\u2013 Hipoalbuminemia
IMC: índice de massa corporal; PCR: proteína C reativa; IL-\ufffd: interleucina \ufffd.
Epidemiologia
Estima-se que a caquexia esteja presente em cerca de 2% da população geral(\ufffd2). Em 
pacientes com câncer, sua prevalência é de aproximadamente 80%, aparecendo mais 
frequentemente nos estágios avançados da doença(39). Cerca de 30% dos pacientes com 
AIDS apresentam caquexia(4\ufffd) (embora esta frequência seja bem maior naqueles sem aces-
so à terapia antirretroviral, chegando a níveis semelhantes aos dos com câncer avan-
çado)(9). Cerca de 30% dos indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) 
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Quadro 2 \u2013 Fatores agravantes da caquexia \u2013 Caquexia secundária
\u2022 Má nutrição
\u2013 Redução da ingesta oral: estomatites, alterações do paladar, xerostomia (que pode 
ser resultado de desidratação), obstipação intestinal importante, obstrução intestinal, 
disfunção autonômica, vômitos frequentes, sintomas de elevada intensidade como 
dor, dispneia, depressão, delirium e restrições financeiras
\u2013 Diminuição da capacidade de absorção intestinal: síndrome disabsortiva, 
insuficiência pancreática ou diarreia