Manual de Cuidados Paliativos ANCP
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Manual de Cuidados Paliativos ANCP


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\ufffd2. TAN, B. H.; FEARON, K. Cachexia: prevalence and impact in medicine. Curr Opin Clin Nutr Metab Care, v. 
11, n. 4, p. 400-\ufffd, 2008.
\ufffd3. TRIKHA, M. et al. Targeted anti-interleukin-\ufffd monoclonal antibody therapy for cancer: a review of the 
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
Cuidados Paliativos nas demências
ClAudiA burlá
dAniel limA Azevedo
Conceito
Demência é um prejuízo adquirido e permanente da capacidade intelectual que afeta pelo 
menos três das cinco áreas da cognição: memória, linguagem, capacidade visuoespacial, emoção 
e personalidade. As principais causas de demência são a doença de Alzheimer (\ufffd0% a \ufffd0% dos 
casos) e as demências vascular, por corpos de Lewy e frontotemporal. O risco de uma pessoa ser 
portadora de demência dobra a cada cinco anos a partir dos \ufffd0 anos de idade, de modo que, 
estima-se, aproximadamente 50% das pessoas com 85 anos apresentem algum tipo de demên-
cia. Esse percentual alarmante, aliado ao atual envelhecimento populacional, torna premente a 
discussão dos Cuidados Paliativos nas demências, uma vez que o número de pessoas dementadas 
crescerá exponencialmente nas próximas décadas(5). Este capítulo toma como base a doença de 
Alzheimer para discutir a abordagem paliativa nas demências.
Diagnóstico clínico
Conforme o texto revisado da quarta revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de 
Transtornos Mentais (DSM-IV-TR), a doença de Alzheimer é definida por múltiplos déficits 
cognitivos. Para o diagnóstico da doença de Alzheimer, além da memória, que obrigatoria-
mente tem que estar comprometida, deve estar presente pelo menos uma das seguintes alte-
rações: afasia (distúrbio da linguagem), apraxia (distúrbio da execução), agnosia (incapacidade 
para identificar objetos) e disfunção executiva (incapacidade de planejamento e pensamento 
abstrato). As alterações são graves e causam prejuízo do funcionamento ocupacional e social 
de uma pessoa que anteriormente era capaz de desempenhar adequadamente suas funções. 
O diagnóstico depende da anamnese, e as informações prestadas por cuidadores ou familiares 
do paciente são vitais, uma vez que este geralmente já apresenta dificuldade para reconhecer 
suas próprias limitações. Após anamnese, exame físico e avaliação cognitiva, exames labora-
toriais ajudam a descartar causas potencialmente reversíveis de demência (como hipotireoi-
dismo e hipovitaminose B12), e métodos de imagem cerebral contribuem para a exclusão de 
outras causas (como hematoma subdural, tumor ou hidrocefalia).
A doença de Alzheimer é progressiva e incurável. Seu curso previsível, assim como o 
de outras doenças crônicas, faz com que ela seja um modelo ideal para a aplicação de 
Cuidados Paliativos. Afinal, ao longo de sua evolução, o profissional tem a oportunidade 
de conhecer bem a pessoa portadora da doença, estreitar os laços com a família e discutir 
antecipadamente os cuidados que serão adotados.
Fases evolutivas da demência pela doença de Alzheimer
A evolução da doença de Alzheimer pode ser dividida em fases, ao longo das quais 
aumenta a dependência do paciente.
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A fase inicial, que dura de dois a quatro anos, caracteriza-se por dificuldade de adap-
tação a novas situações e confusão espacial. Durante a fase intermediária, que pode durar 
de dois a 10 anos, costumam surgir agitação, insônia, prejuízos mais graves de lingua-
gem, incontinência e dificuldades de alimentação. A capacidade funcional do paciente 
encontra-se francamente prejudicada e ele passa a depender cada vez mais do auxílio 
dos cuidadores para executar até mesmo as tarefas mais simples, como tomar banho e 
comer. Já a fase final, que dura de um a três anos, caracteriza-se por mutismo, disfagia, 
desnutrição e imobilidade. Podem surgir ulcerações na pele em decorrência da pressão 
prolongada do corpo sobre uma superfície. É comum o paciente aspirar comida ou saliva 
para as vias respiratórias e desenvolver pneumonia. A morte acontece, na maioria dos 
casos, por infecção respiratória.
Na fase avançada da demência:
\u2022 a comunicação verbal é precária;
\u2022 há dependência funcional para as atividades da vida diária;
\u2022 a alimentação pela via oral está comprometida;
\u2022 há perda de peso;
\u2022 existe risco de broncoaspiração;
\u2022 há infecções;
\u2022 incontinências urinária e fecal estão presentes.
Uma dificuldade na prática clínica diária é definir o prognóstico de uma demência, 
o que tem relação com a clássica pergunta dos familiares: quanto tempo de vida ainda 
resta ao paciente? É possível estimar que a expectativa de vida seja inferior a seis meses 
quando um paciente preenche todos os critérios de demência avançada pela Escala de 
Avaliação Funcional (FAST) e apresenta pelo menos uma complicação clínica (conforme 
o Quadro a seguir, baseada nas diretrizes da National Hospice and Palliative Care Orga-
nization [NHPCO](\ufffd, 8).
Quadro \u2013 Critérios de elegibilidade para Cuidados Paliativos na demência
\u2022 FAST
\u2013 Incapaz de caminhar, vestir-se e tomar banho sem ajuda
\u2013 Incontinência urinária ou fecal, intermitente ou constante
\u2013 Ausência de comunicação verbal significativa, capacidade de fala limitada
\u2022 Presença de complicações clínicas
\u2013 Pneumonia por aspiração
\u2013 Pielonefrite ou outras infecções do trato urinário superior
\u2013 Sepse
\u2013 Múltiplas úlceras por pressão
\u2013 Febre recorrente após antibioticoterapia
\u2013 Incapacidade de manter ingesta líquida e calórica suficiente
\u2013 Perda de 10% do peso nos seis meses anteriores
\u2013 Nível de albumina sérica inferior a 2,5 g/dl
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Manual de Cuidados Paliativos da ANCP
Modalidades de intervenção
Uma equipe interdisciplinar é essencial nos cuidados a um paciente portador de 
doença de Alzheimer. Médico, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, 
psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social e odontólogo precisam trabalhar em 
conjunto e falar a mesma linguagem para atingir os objetivos do cuidado: identificar e 
tratar as intercorrências clínicas, reconhecer os distúrbios de comportamento, otimizar 
a utilização de fármacos, conservar o estado nutricional e a mobilidade, oferecer apoio 
psicológico ao paciente e à família e maximizar e manter o funcionamento do paciente.
Controle dos