Reforma politica
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Reforma politica


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participativos.
No total, foram criados 13 novos Conselhos Nacionais,mas com concepções diferentes da do 
movimento social que construiu a estratégia política de construção dos sistemas descentralizados e 
participativos nas diferentes políticas. Os conselhos criados não são deliberativos, não são paritários 
e a sociedade civil não escolhe seus representantes, exceção o conselho das cidades.
Além, de criar novos conselhos nacionais, o governo Lula reformulou nove conselhos nacionais, 
adaptando as novas exigências legais e/ou políticas.
Conselhos Nacionais criados no Governo Lula
1) Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social \u2013 CDES 
2) Conselho Nacional de Segurança Alimentar - CONSEA 
3) Conselho Nacional de Juventude - CNJ 
4) Conselho das Cidades 
5) Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção 
6) Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial \u2013 CNPIR 
7) Comitê Gestor da Internet no Brasil \u2013 CGIbr 
8) Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial \u2013 CNDI 
9) Conselho Nacional de Aqüicultura e Pesca \u2013 CONAPE 
10) Conselho Nacional de Economia Solidária 
11) Conselho Nacional do Trabalho 
12) Conselho Nacional do Programa Primeiro Emprego 
13) Conselho Nacional do Esporte
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CONFERÊNCIAS NACIONAIS/INTERNACIONAIS REALIZADAS NO GOVERNO LULA
No total, foram realizadas no governo Lula 35 (já incluídas as que vão se realizar até o final do 
mandato) Conferências Nacionais e 2 Conferências Internacionais. Segundo dados oficiais do governo 
federal, ao final do ciclo de conferências nacionais 2003/2006 mais de dois milhões de brasileiros/
as participaram das conferências municipais, regionais, estaduais e nacional. Isso sem contar com 
os/as estudantes que participaram das conferências infanto-juvenis de meio ambiente (cerca de seis 
milhões). 
Vale ressaltar que das 35 conferências nacionais, 15 foram realizadas pela primeira vez, e a de 
Direitos Humanos de 2004 foi a primeira convocada pelo Executivo.
Conferências realizadas pela primeira vez: meio ambiente ( versão adulta e infanto juvenil); 
aqüicultura e pesca; cidades; medicamentos e assistência farmacêutica; terra e água; arranjos produtivos 
locais; políticas para as mulheres; esporte; cultura; promoção da igualdade racial; povos indígenas; 
direitos da pessoa com deficiência; direitos da pessoa idosa; econômica solidária e educação profissional 
e tecnológica.
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* soma dos participantes das etapas municipais, estaduais e nacional.
** soma dos participantes das etapas estaduais e nacional 
*** não foi convocada pelo Executivo e sim pelo Congresso Nacional e fórum de entidades 
não governamentais (FNEDH)
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ANEXo 04
REFORMA DA JUSTIÇA ELEITORAL
Em seu livro \u201cO Espírito das Leis\u201d, Montesquieu trata da separação de poderes, como forma de 
melhor garantir a liberdade dos indivíduos contra os abusos de poder do Estado. Para tanto, \u201cé 
preciso que, pela disposição das coisas, o poder contenha o poder\u201d, pois a liberdade estaria perdida 
se \u201co mesmo homem, ou o mesmo corpo de notáveis, ou de nobres, ou do povo, exercesse esses três 
poderes: o de fazer as leis, o de executar as decisões públicas e o de julgar os crimes ou pendências 
entre particulares.\u201d
Baseado nisso, a CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL define logo no seu 
início:
TÍTULO I
Dos Princípios Fundamentais
Art. 1º ...
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou 
diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o 
Judiciário.
Sendo assim, \u201ca soberania do povo, em nome do qual todo o poder é exercido, tem no direito ao voto 
universal e secreto o meio de expressão da soberania popular. Tal direito carece de amplo exercício 
de fiscalização para sua completa efetivação. Fiscalização esta que deve ser exercida e compreendida, 
motu próprio, pelo eleitor /a comum, mediano/a, titular primeiro/a desta soberania\u201d (Celso Três, em 
A SOBERANIA DO POVO NA FISCALIZAÇÃO DO EXERCÍCIO DE SUA SOBERANIA.)
No Brasil, porém,um único órgão concentra os três Poderes, escapando completamente de todos 
os princípios listados acima e, por ter a palavra \u201ctribunal\u201d no seu nome (Tribunal Superior Eleitoral), 
sendo denominada por isto de Justiça Eleitoral, exerce, além da função judicial, também toda 
administração executiva e a normatização legislativa do processo eleitoral.
Esta situação, incomum no resto dos processos eleitorais no mundo , foi construída ao longo de 
nossa história. 
A criação do TSE, em 1932, visava democratizar as eleições brasileiras, marcando o fim da época 
conhecida como a do Voto à Bico de Pena e da Política Café-com-Leite. Vários conceitos que são 
essenciais numa democracia moderna, como o voto universal (de todos e todas), a inviolabilidade do 
voto e a transparência do processo, foram aperfeiçoados com o advento do TSE, mas o Princípio de 
Tripartição do Poderes foi abandonado.
Num equívoco inegável, deixou-se com a Justiça Eleitoral o poder de regulamentar os processos 
eleitorais, ao mesmo tempo fiscalizar, julgar recursos e, ainda, o controle de todos os recursos 
orçamentários destinado à realização das eleições. 
As propostas referentes à reforma da justiça eleitoral procura corrigir estas distorções políticas 
e jurídicas.
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ANEXo 05
A REFORMA POLÍTICA
NO CONGRESSO NACIONAL
1 . INTRODUÇÃO
No sentido de contribuir como o debate, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). apresenta 
uma versão preliminar do estado das artes das proposições legislativas sobre reforma do sistema 
eleitorial/político em tramitação no Congresso Nacional. 
O desafio de aprofundar as análises sobre o mérito das proposições continua para a equipe do 
Inesc. O texto que se segue é somente uma primeira aproximação, objetivando fornecer subsídios 
para as discussões. 
Em fevereiro de 2003, quando da instalação da Comissão Especial de Reforma Política, por meio do 
pronunciamento do deputado Bonifácio de Andrada, foi dito que \u201ca reforma política, de acordo com 
os estudos de direito constitucional, compreende: a organização dos poderes, o que envolve o regime 
de governo; a estrutura do Estado, que é federação; os sistemas eleitoral e partidário; e, finalmente, 
um tema moderno, que é a defesa nacional e segurança pública\u201d.
A fala do deputado demonstra como a reforma política é um assunto complexo e amplo, mas que 
é entendido por nossos/as parlamentares quase que estritamente como uma Reforma Eleitoral. Prova 
disso são as principais propostas da Comissão Especial de Reforma Política, em funcionamento na 
Câmara dos Deputados. Esta comissão elaborou dois projetos de lei (PL 1712/2003 e PL 2679/2003), 
que tratam dos seguintes temas: filiação partidária, domicílio eleitoral, pesquisas eleitorais, voto em 
listas partidárias, coligações partidárias, instituição de federações partidárias, financiamento público 
de campanha e propaganda eleitoral.
As recentes modificações na legislação eleitoral, aprovadas pelo Senado Federal em abril, 
confirmam o entendimento de nossos/as parlamentares a respeito da Reforma Política: 
estritamente, uma Reforma Eleitoral. O texto aprovado é o substitutivo da Câmara dos Deputados 
ao Projeto de Lei 5855/2005 (PLS 275/05) de autoria do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), que 
ficou conhecido como mini-reforma eleitoral.
 As alterações se justificam, do ponto de vista do Parlamento, como um tentativa da 
dar resposta à sociedade brasileira diante das práticas políticas tornadas públicas pela crise 
política em que o país está imerso desde meados de 2005. Elas pretendem reduzir os gastos 
nas campanhas, aumentar a transparência nos financiamentos e na prestação de contas das 
despesas com campanhas , e penalizar o/a candidato/a com a perda do mandato em caso 
irregularidades.