Reforma politica
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atender, no seu conjunto, a essas exigências. 
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FEDERAÇÕES PARTIDÁRIAS, FINANCIAMENTO PúBLICO, LISTAS PREORDENADAS
Para substituir as coligações partidárias nas eleições proporcionais ( para deputados/as, senadores/
as), a Comissão Especial de Reforma Política apresentou no PL 2679/2003, a instituição das federações 
partidárias, permitindo as partidos com proximidade programática se unir para atuar de maneira 
uniforme.
Esse projeto toca em outras questões fundamentais a reforma do sistema político-eleitoral, entre 
elas o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais. Esse dispositivo proíbe as doações de 
pessoas físicas e empresas, estabelece punições aos partidos que receberem esses recursos e determina 
critérios a serem adotados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela distribuição dos 
recursos aos diretórios nacionais dos partidos políticos.
Outra matéria regulada pelo PL 2679/2003 é o voto de legenda em listas preordenadas. Conforme 
essa proposta, os eleitores votam em listas previamente ordenadas pelos partidos, inexistindo a 
possibilidade de eleger, individualmente, seus/suas candidatos/as a vereador/a, deputado/a estadual 
e federal.
OUTRAS PROPOSIÇÕES SOBRE REFORMA ELEITORAL
Ainda que de efeito limitado, outras propostas de reforma no sistema eleitoral brasileiro tramitam 
no Congresso Nacional. Algumas delas estabelecem critérios mais rígidos para a prestação de contas 
de campanhas eleitorais, como o PL 6583/2006, que considera crime eleitoral a apresentação de 
contas fraudadas e prevê como punição a cassação de mandato. Há ainda projetos de lei como o 
PL, 5678/2005, que propõe a diminuição do período de campanha para o período de 60 dias, e o PL 
5975/2005, que caracteriza a compra de votos desde a escolha do/a candidato/a em convenção até 
as eleições.
Algumas propostas como o PL 5826/2005, que fixa limites para as doações de campanhas e que 
proíbe de \u201cshowmícios\u201d; o PL 5710/2005, que também proíbe o uso de \u201coutdoors\u201d e a distribuição de 
brindes; e a PEC 338/2004, que veda a divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias que antecedem 
o pleito eleitoral, foram contemplados parcialmente pela mini-reforma eleitoral, mas permanecem 
tramitando ou porque restam propostas inovadoras em seu texto ou porque ainda não foram 
apreciadas.
Diversos projetos dispõem sobre a propaganda eleitoral. Tratam da propaganda gratuita em rádio 
e televisão; proíbem a soma do tempo dos partidos que integram a coligação; estabelecem a gravação 
de propaganda somente em estúdio e, quando da participação do/a candidato/a, obrigatoriamente, 
ao vivo. A mini-reforma eleitoral pretendeu regular parte dessa matéria, sendo, entretanto, objeto de 
veto do presidente da República.
Chamam atenção as PECs: 466/2005, que prorroga o prazo para mudança da legislação eleitoral 
até o dia 31 de dezembro do ano anterior às eleições; 429/2005, que dispensa a convocação 
do segundo turno das eleições em caso de diferença igual ou superior a 20% dos votos válidos 
entre os/as candidatos/as; 402/2005, que altera as eleições para o mês de novembro e prevê a 
coincidência no pleito de 2010 das eleições para prefeito, vereadores e os cargos das eleições 
gerais ( presidente, deputados/as, senadores, governadores/as); e, 303/2004, que define como 
Crime de Responsabilidade o descumprimento de compromissos programáticos assumidos em 
campanha eleitoral.
NEPOTISMO
Tramitam no Congresso Nacional, cinco PECs que vedam a prática de nepotismo em quaisquer 
instâncias da administração pública. Elas estabelecem ainda que as funções de confiança e comissão 
devem ser ocupado preferencialmente por servidor/a ocupante de cargo efetivo.
Existem ainda alguns Projetos de Resolução da Câmara dos Deputados que representam uma linha 
de combate ao nepotismo no Legislativo Federal, considerando como atentado ao decoro parlamentar 
a utilização de cargos em comissão para contratação de cônjuges ou parentes.
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CONTROLE SOCIAL
Poucas proposições apontam em direção ao controle social sobre o orçamento público, dessas ainda 
restam várias lacunas sobre a matéria: PLP 241/2005, dispõe sobre a publicação de relatórios fiscais na 
internet e sobre a criação de serviços de recebimento de denúncias; PLP 268/2005, regula os limites 
e o controle social das despesas de pessoal nos recursos de saúde dos municípios; PL3337/2004, que 
trata da gestão, da organização e do controle social das Agências Reguladoras; e A PEC 236/2004, que 
atribui a aplicação de recursos originados de participação ou compensação financeira no resultado da 
exploração de recursos hídricos e minerais a um Conselho de Controle Social.
No Senado Federal, o PLS 215/1999 dispõe sobre a participação popular e o controle social dos atos 
de gestão do poder público, disciplina o acesso dos/das cidadãos/ãs e da sociedade civil organizada 
a informações relativas as finanças publicas; e o PLS 596/1999, dispõe sobre o controle social dos 
atos de gestão da administração pública empreendidos ou descentralizados no âmbito estadual 
ou municipal, através de programas federais e assegura o livre acesso dos cidadãos às informações 
relativas às finanças públicas.
O PL 110/2003 inclui entidades da sociedade civil como usuárias dos Sistemas de consulta, 
fiscalização e acompanhamento orçamentário, administrativo, fiscal e monetário da Administração 
Pública, direta e indireta. 
O PLP 162/2004 dispõe sobre a participação popular no processo de elaboração
do plano plurianual e dos orçamentos anuais da União.
ACESSO à INFORMAÇÃO
Os PLs 4119/2004 e 7005/2002 dispõem sobre o registro e a divulgação públicas dos atos realizados 
pela administração pública nos Três Poderes; e o PL 4124/2004 regula A divulgação de obras e projetos 
da administração pública federal direta e indireta. O PL 5987/2005 garante às entidades da sociedade 
civil e à coletividade o acesso a informações e vista aos autos de processo administrativo que envolvam 
questões ambientais.
PLEBISCITO, DEMOCRACIA
O fortalecimento da democracia representativa por meio de instrumentos de democracia participativa 
e direta é sinalizado nas PECs 463/2005, que possibilita a auto-convocação popular para a realização 
de plebiscito; 478/2005, que prevê a convocação, pelo Congresso Nacional, de realização de plebiscito 
para decidir sobre antecipação das eleições; 498/2006, que submete a plebiscito proposições não 
apreciadas pelo Congresso Nacional no prazo de duas legislaturas.
O PL 6928/2002, propõe a criação do Estatuto para o exercício da Democracia Representativa. 
O projeto regulamenta institutos em que considera fundada a democracia participativa enquanto 
exercício da soberania popular: plebiscito, referendo, iniciativa popular, atuação de grupos de pressão 
ou de interesse.
CÓDIGO DE DEFESA DO ELEITOR
Tramita no Congresso o Código de Defesa do Eleitor, proposto pelo Pensamento Nacional das 
Bases Empresariais (PNBE) e apresentado à Comissão de Legislação Participativa. A relatora deste 
código é a deputada Luiza Erundina. 
Junho de 2006
Instituto de Estudos Socioeconômicos \u2013 INESC
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ANEXo 06
DEMOCRATIZAÇÃO DA
INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO
O direito à comunicação é um dos pilares centrais de uma sociedade democrática. Assumir a 
comunicação como um direito fundamental significa reconhecer o direito de todo ser humano de ter 
voz, de se expressar. Hoje no Brasil, nove famílias controlam os principais jornais, revistas e emissoras 
e rádio e TV, nove têm liberdade e 180 milhões de pessoas têm que aceitar o que é imposto por 
poucos. Informação é poder!
A comunicação, numa sociedade democrática, pertence ao povo. Seu espaço é necessariamente 
público e o único poder legítimo para regular suas práticas emana da coletividade, que é quem deveria 
decidir sobre as questões relacionadas ao tema. Infelizmente, a organização do espaço