Reforma politica
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Reforma politica


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Contatos: José Antonio Moroni (moroni@inesc.org.br), Ana Claudia Teixeira (anaclaudia@polis.org.
br), Michelle Prazeres (michelleprazeresc@yahoo.com), Cassio França (cassio@fes.org.br).
Saudações democráticas,
\u2022 ABONG - Associação Brasileira de ONGs
\u2022 AMB - Articulação de Mulheres Brasileiras
\u2022 AMNB - Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras
\u2022 Campanha Nacional pelo Direito à Educação
\u2022 Comitê da Escola de Governo de São Paulo da Campanha em Defesa da República e da 
Democracia
\u2022 CEAAL - Conselho Latino Americano de Educação
\u2022 FAOR - Fórum da Amazônia Oriental
\u2022 FBO - Fórum Brasil do Orçamento
\u2022 FES - Fundação Friedrich Ebert
\u2022 FNRU - Fórum Nacional de Reforma Urbana
\u2022 FNPP - Fórum Nacional de Participação Popular 
\u2022 Fórum de Reflexão Política
\u2022 Inter-redes Direitos e Política
\u2022 Intervozes 
\u2022 Movimento Nacional Pró-Reforma Política com Participação Popular
\u2022 Observatório da Cidadania
\u2022 PAD - Processo de Diálogo e Articulação de Agências Ecumênicas e Organizações Brasileiras
\u2022 Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
\u2022 REBRIP - Rede Brasileira pela Integração dos Povos
\u2022 Rede Feminista de Saúde
PLATAFormA DA rEFormA Do 
SiSTEmA PoLÍTiCo BrASiLEiro
(Versão para debate)
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 Em 2005, foi realizado em Recife o seminário nacional \u201cNovas estratégias para ampliar a democracia 
e a participação\u201d, reunindo mais de 60 participantes, representando 21 estados, de diversas organizações/
redes/fóruns/movimentos e articulações. Na preparação do seminário nacional foram realizados, entre 
agosto e novembro de 2005, seminários estaduais e regionais, envolvendo os seguintes Estados: Acre, 
Amapá, Pará, Tocantins, Rondônia, Roraima, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Alagoas, 
Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás. Posteriormente foi realizado 
um encontro regional, envolvendo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. 
O seminário foi estruturado com base em três eixos de debate: 1) os sentidos da participação, da 
democracia e do desenvolvimento; 2) avaliação crítica dos instrumentos e mecanismos de participação e 
de controle social; 3) formulação de novas estratégias para ampliar a democracia e a participação.
O que orientou a construção de novas estratégias foram quatro grandes questões: 
1 - Como criar mecanismos de participação e controle social na política econômica, integrando-a 
com as outras políticas?
2 - Como pautar o debate da participação e do controle social no processo de discussão da reforma 
política?
3 - Como romper a fragmentação da atual \u201carquitetura da participação\u201d, respeitando as nossas 
identidades? Como assegurar que os canais de participação dialoguem com o conjunto da 
sociedade? Pensar o papel e estratégias em relação à mídia.
4 - Como desenvolver novas formas de participação e do controle social sobre o Legislativo e o 
Judiciário? Como fazer com que o Legislativo, o Ministério Público (MP) e o Judiciário cumpram 
o seu papel de fortalecimento da participação e do controle social?
 Após amplo debate, ficou consensuado que a Reforma Política seria o tema escolhido para 
concentrarmos nossas ações em 2006 e 2007. Reforma Política entendida aqui como um \u201ccampo 
temático\u201d, em que os movimentos e redes podem concentrar energias, com base na perspectiva de 
mudança da cultura política e ampliação dos processos democráticos e que, em certo sentido, sintetiza 
as quatro grandes questões acima. 
 Para construir esta estratégia foi tirada uma agenda política para 2006/2007 dividida em três 
momentos:
1) Construção da minuta da \u201cPlataforma da reforma do sistema político\u201d e discussão no Fórum 
Social Brasileiro, realizado em abril de 2006, em Recife. O debate se deu por meio de três seminários: 
a) A re-configuração do campo democrático e popular e a busca de novas formas de se pensar e 
fazer política; b) Reforma política como ampliação da democracia e da participação; e c) participação 
e controle social: por onde navegamos? 
2) Debate nos diferentes grupos, redes, fóruns, movimentos, organizações e articulações da 
minuta da plataforma (junho a outubro de 2006) e intervenção no processo eleitoral (discussão com 
os/as candidatos/as)
3) Consensuar proposta de reforma do sistema político (novembro de 2006) apresentando proposta 
de lei ao novo Congresso (2007). 
 Participam desta estratégia, até o momento, as seguintes redes/fóruns,/movimentos e articulações: 
ABONG (Associação Brasileira de ONGs), Inter-redes Direitos e Política, FNPP ( Fórum Nacional 
de Participação Popular), Observatório da Cidadania, Rede Brasil sobre Instituições Financeiras 
Multilaterais, FAOR ( Fórum da Amazônia Oriental), AMB ( Articulação de Mulheres Brasileiras), 
AMNB ( Articulação de Mulheres Negras Brasileiras), PAD ( Processo de Dialogo e Articulação de 
I \u2013 APRESENTAÇÃO E
HISTÓRICO DO PROCESSO
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Agências Ecumênicas e Organizações Brasileiras), FBO ( Fórum Brasil do Orçamento), FNRU ( Fórum 
Nacional da Reforma Urbana), CEAAL (Conselho Latino Americano de Educação), REBRIP ( Rede pela 
Integração dos Povos), Movimento Pró-reforma Política com Participação Popular, Comitê da Escola 
de Governo de São Paulo da Campanha em Defesa da República e da Democracia, Rede Feminista 
de Saúde, Fórum de Reflexão Política, Campanha Nacional pela Educação, Intervozes e FES.
 A presente minuta de \u201cPlataforma da reforma do sistema político\u201d, para o debate, é fruto desse 
processo, pois não consideramos a Reforma Política como um problema exclusivo dos partidos. 
 As propostas apresentadas aqui foram feitas a muitas mãos, com objetivo de contribuir na discussão 
sobre reforma do sistema político. Isso não quer dizer que o conjunto das redes, fóruns e movimentos 
concordem com elas, na integra, pois todos/as estão discutindo esta \u201cversão para o debate\u201d. Vale 
ressaltar ainda que essas propostas foram elaboradas e discutidas com total autonomia em relação 
aos partidos políticos.
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II - INTRODUÇÃO 
A COnSTITuIçãO DE 1988 E O SISTEMA POLÍTICO 
Na Carta de 1988, os/as constituintes elegeram como objetivos fundamentais da República 
Federativa do Brasil \u201cconstruir uma sociedade livre, justa e solidária\u201d, \u201cgarantir o desenvolvimento 
nacional\u201d, \u201cerradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais\u201d, 
\u201cpromover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, etnia, sexo, cor, idade e quaisquer 
outras formas de discriminação\u201d. 1 E que \u201ctodo o poder emana do povo, que o exerce por meio de 
representantes eleitos ou diretamente\u201d.
A incapacidade das instituições vigentes concretizarem plenamente os objetivos da Constituição, o 
aumento do sentimento de distância entre os/as eleitores/as e seus/suas representantes, motiva parte 
da sociedade civil a lutar pela reforma do sistema político e a busca de novas formas de se fazer e 
pensar a política. 
1 CF, Art. 3°, incisos I, II, III e IV. 
Por sua vez, essa insatisfação popular inspira o surgimento de novas propostas, 
com o objetivo de promover os interesses populares nos espaços de tomada de 
decisão. Queremos resgatar o conceito político de poder popular.
InTERESSES E COnCEPçõES DIFEREnTES 
A reforma política é um tema recorrente na vida política brasileira. Está presente na agenda dos 
congressistas há vários anos, mas sempre orientada pelos interesses eleitorais e partidários. É o chamado 
casuísmo eleitoral \u2013 geralmente, alterações de curto prazo e de curta duração. É por isto que a maioria 
dos políticos tem uma concepção de reforma política como apenas reforma do sistema eleitoral. 
Está presente também nas discussões acadêmicas e na mídia. Na academia, mais como um objeto 
a ser estudado/pesquisado; e na mídia, quase