Desigualdade de renda no Brasil   v. 1
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Desigualdade de renda no Brasil v. 1


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Desigualdade 
de Renda no Brasil: 
uma análise da queda recente
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Organizadores
Ricardo Paes de Barros, Miguel Nathan Foguel, Gabriel Ulyssea
O livro organizado por Ricardo Paes de Barros, Miguel Nathan 
Foguel e Gabriel Ulyssea representa a visão mais completa e 
abrangente, inclusive sob óticas distintas, do fenômeno recente 
relacionado à redução na desigualdade de renda no Brasil.
A queda observada em 5 % na medida clássica de concentra-
ção, o coeficiente de Gini, entre 2001 e 2005, é bem mais relevante 
do que pode sugerir a sua dimensão meramente quantitativa.
Como a renda média no período permaneceu basicamente 
estagnada, a redução na desigualdade é atribuída a um avanço 
desproporcional na faixa mais pobre da população.
Dessa forma, toda a diminuição na miséria pode ser atribuída à 
melhoria na distribuição de renda, o que representa uma mudança 
estrutural no padrão social do desenvolvimento brasileiro.
O livro trata de duas questões fundamentais: a primeira é 
analisar as causas dessa inversão de uma tendência historicamente 
perversa de \u201ccrescimento com concentração\u201d. A Segunda, ainda 
mais relevante, é especular sobre a sustentabilidade desse processo 
a longo prazo, avaliando-se as diferentes alternativas de política 
econômica que possam otimizar os mecanismos distributivos.
A queda na concentração tem múltiplas facetas. Há, entretanto, 
o peso desproporcional das mudanças que vêm ocorrendo no 
mercado de trabalho com a redução da desigualdade educacional.
Em outras palavras: a combinação entre um aumento na 
oferta de mão-de-obra mais qualificada resultado do boom edu-
cacional dos anos 90, e a redução na demanda em razão do baixo 
ritmo de crescimento da economia, diminuiu o diferencial de 
renda por anos de escolaridade. O resultado teria de ser a melho-
ria significativa na distribuição dos salários.
Outros vetores que impactaram os diferenciais de renda 
foram também analisados, tais como raça, sexo, além das com-
ponentes regionais (capital x interior) e setorial (rural x urbano). 
Há, ainda, destaque para o alto grau de informalidade da nossa 
economia, reflexo das distorções tributárias e regulamentares. 
Em todos esses fatores, direta ou indiretamente a questão do 
acesso à educação parece prevalecer.
Além do capital humano, há evidência da contribuição positiva 
das transferências governamentais, seja por meio das pensões e 
aposentadorias, seja por intermédio de programas focados nas 
faixas de renda baixa: o Bolsa Família e o Bolsa Escola.
Há diferenças marcantes em termos de eficiência relativa 
entre esses mecanismos redistributivos. Isso é particularmente 
relevante, já que só faz sentido avançar em projetos sociais res-
peitando as regras básicas do equilíbrio fiscal.
Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente representa um 
importante marco no entendimento sobre a efetividade das estratégias de redução da desigualdade 
no Brasil. O livro dispõe da ousadia de analisar as implicações das políticas públicas no tempo real 
de sua implementação e, além disso, sinaliza, a partir da legitimidade do rigor analítico e da 
pluralidade de visões de seus autores, caminhos futuros a serem trilhados na direção de um País 
mais justo e menos desigual. 
Este empreendimento coletivo para examinar, de diversos ângulos, a evolução recente da 
desigualdade no Brasil, evidencia claramente como pesquisa e política pública podem dialogar bem, 
mesmo quando polemizam. O livro passa a ser referência obrigatória tanto para os que se dedicam a 
buscar soluções para a questão da justiça distributiva, como para aqueles que se preocupam com a 
relevância da ciência social.
Um dos fatos recentes mais animadores no Brasil foi a queda da desigualdade de renda. Ela, que 
parecia estagnada, diminuiu. Em que o País acertou? Por quê? Essas as perguntas respondidas, 
neste livro, por um grupo admirável de pesquisadores que estudam os males sociais brasileiros. 
Entender o que houve é fundamental para perseguir o sonho de um Brasil menos desigual.
Desigualdade de renda no Brasil: uma análise da queda recente examina a 
evolução da distribuição de renda familiar brasileira na última década, com ênfase no período de 
2001 a 2005, quando se observa alguma melhora na desigualdade. É, portanto, leitura 
indispensável para todos aqueles que querem entender os determinantes da enorme desigualdade 
que prevalece no Brasil e o que se deve fazer para diminuí-la.
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I SBN 858617087 - 9
 Fernando Haddad - Ministro da Educação
Elisa Reis - Departamento de Sociologia da UFRJ
Miriam Leitão - Jornalista 
José Alexandre Scheinkman - Departamento de 
Economia da Universidade de Princeton
A estabilidade monetária, marcada pela queda acentuada 
na inflação, tem produzido poderoso impacto redistributivo 
e precisa ser preservada como precondição para a susten-
tação, a longo prazo, desses passos ainda tímidos de redução 
na desigualdade.
Nesse sentido, o trabalho reitera a superioridade na otimi-
zação de programas como o Bolsa Família em relação à elevação 
real do salário mínimo, cujo efeito colateral sobre o déficit da 
Previdência é uma ameaça à estabilidade duramente conquistada.
O desafio é assegurar a continuidade na melhoria da dis-
tribuição de renda em um cenário de crescimento acelerado 
que, para ocorrer, pressupõe mudanças na natureza do ajuste 
fiscal, maior abertura da economia e um desenvolvimento 
\u201cintensivo em conhecimento\u201d. 
Contudo, isso só será possível com uma nova agenda de 
reformas que reduza a característica marcantemente regressiva 
da presença do Estado na economia brasileira, seja por meio de 
um sistema tributário ineficiente, seja pelas flagrantes distorções 
na alocação de gastos públicos, inclusive daqueles que geram 
externalidades sociais, tais como saneamento básico e saúde.
A ênfase teria de ser, mais do que nunca, na acumulação de 
capital humano, com destaque para seus aspectos também 
qualitativos, exigência da inexorável globalização.
Desigualdade de Renda no Brasil: uma análise da queda recente cons-
titui uma importante contribuição para o saudável debate sobre 
a viabilidade de um novo ciclo de desenvolvimento sustentável: 
a marca registrada deverá ser a preservação da estabilidade ma-
cro e, ao mesmo tempo, a conciliação de crescimento com 
distribuição e queda expressiva nos níveis de miséria e de po-
breza, por intermédio da educação e da modernização do 
Estado em todas as suas dimensões. 
Somente dessa forma poderemos falar em um novo estágio 
de desenvolvimento, bem distinto do padrão ciclotímico, infla-
cionário e concentrador da nossa história recente.
Carlos Geraldo Langoni
Ph.D. em Economia Universidade de Chicago
Diretor do Centro de Economia Mundial 
da Fundação Getúlio Vargas 
Autor do livro Distribuição de renda e desenvolvimento
econômico do Brasil (FGV, 3ª edição)
O livro organizado por Ricardo Paes de Barros, Miguel Nathan Foguel e Gabriel Ulyssea representa a visão mais completa e abrangente, 
inclusive sob óticas distintas, do fenômeno recente relacionado à redução na desigualdade de renda no Brasil.
A queda observada em 5% na medida clássica de concentração, o coeficiente de Gini, entre 2001 e 2005, é bem mais relevante do que pode 
sugerir a sua dimensão meramente quantitativa.
Como a renda média no período permaneceu basica-mente estagnada, a redução na desigualdade é atribuída a um avanço desproporcional 
na faixa mais pobre da população.
Dessa forma, toda a diminuição na miséria