Resumo Direito Constitucional   Aula 01
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Resumo Direito Constitucional Aula 01


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doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
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1.3. Constitucionalismo Moderno 
Possui duas contribuições importantes: EUA e França. 
a) EUA: No dia 12 de junho de 1776, foi elaborada a Declaração de Direitos do 
Bom Povo da Virgínia, onde se reconhece um conjunto de direitos individuais que não 
poderiam ser violados pelo poder público, sendo considerada a 1ª declaração moderna 
de direitos. É anterior à Declaração de Independência Americana, que ocorreu em 04 
de julho de 1776, segundo a qual todos os homens foram criados livres e iguais, 
trazendo a busca da felicidade (pursuite of happiness). 
Em 1787 é elaborada a Constituição Americana, tida como a 1ª constituição 
moderna. 
Em 1791, são elaboradas as 10 primeiras emendas à Constituição Americana. A 
versão original não apresentava um rol de direitos, apenas versava sobre os princípios 
estruturais básicos dos estados americanos, sendo basicamente orgânica, motivo pelo 
qual tais emendas foram elaboradas pouco tempo depois (cada uma tratando de um 
direito específico). No modelo brasileiro, teria sido feita 1 emenda com 10 artigos, mas 
nos EUA, há dificuldades na elaboração das emendas e estas têm que ser ratificadas 
por um número mínimo de Estados, subdividindo-se as alterações para facilitar a 
aprovação. Essas 10 emendas formam o Bill of Rights, que significa declaração de 
direitos1. 
b) França: há dois aspectos relevantes a serem ressaltados. 
\u2022 Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (1789): segundo parcela 
minoritária da doutrina, deveria ser considerada a 1ª declaração moderna de direitos, 
porque a da Virgínia ocorreu antes da independência. No entanto, a doutrina 
majoritária entende que esta última é a primeira declaração moderna, apesar de a 
francesa ser até mais importante e utilizada até hoje. Canotilho afirma que tal 
declaração é supraconstitucional na França, pois todas as constituições francesas até 
hoje admitiram a declaração dos direitos do homem e do cidadão. 
\u2022Constituição Francesa (1791) 
As histórias francesa e americana são diferentes, com fatos distintos. No 
entanto, há certos fatos comuns as duas histórias. 
Nos EUA, as 13 colônias inglesas se opuseram à opressão da metrópole e se 
uniram numa confederação, vindo a tornarem-se uma federação em momento 
posterior. Na França, houve uma revolução em um Estado já soberano, onde o povo 
 
1
 Cuidado com o termo \u201cbill of rights\u201d, pois é usado de forma generalizada para designar quaisquer 
documentos que traduzam direitos. 
 D. Constitucional 
Data: 29/08/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
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toma o poder para acabar com o absolutismo. Ambas representam oposição ao poder 
abusivo e uma forma de limitar o poder. Segundo Canotilho, o constitucionalismo 
moderno é técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. 
À época, três institutos foram pensados como forma de limitar o poder: 
\u2022 reconhecimento de direitos individuais: os direitos individuais ao final do 
século XVIII eram direitos de defesa ou negativos, pois eram direitos de defesa do 
indivíduo contra o poder estatal e impunham ao Estado uma obrigação de não fazer. 
\u2022 separação de poderes: chama-se divisão funcional do poder, segundo a qual 
o poder tem 3 funções (legislar, executar e julgar), devendo ser exercidas por órgãos 
distintos, evitando-se a concentração de poder. 
\u2022 federalismo: é forma de divisão e de evitar a concentração, sendo chamado 
de divisão espacial do poder. Há o poder central, que é a União, e os poderes locais, 
que são os Estados, sendo que cada um possui uma parcela do poder. 
Os 2 primeiros conceitos foram adotados pela França (não adotou o 
federalismo, sendo Estado Unitário), enquanto os EUA adotaram os 3 institutos. 
 
1.4. Constitucionalismo Contemporâneo 
Trata-se da realidade atual, cujas constituições são analíticas, ou seja, 
extremamente detalhistas, pois tentam abordar todos os diversos temas relacionados 
à vida política. Alguns autores usam o termo totalitarismo constitucional para 
descrever essa situação em que a constituição tenta se sobrepor a todas as situações. 
Com isto, temas supérfluos e meramente acessórios acabam sendo abordados pela 
constituição (ex.: CRFB trata do Colégio Pedro II), levando alguns autores a falar em 
certa exacerbação constitucional. 
O constitucionalismo contemporâneo procura promover um compromisso 
entre o liberalismo e o intervencionismo estatal, buscando garantir as liberdades 
individuais e a obrigação de o Estado promover certos direitos e políticas. Exatamente 
por isso, são feitas algumas promessas irrealizáveis, o que é objeto de crítica. Ex.: 
artigo 3º, CRFB e a previsão do salário mínimo. 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e 
regionais; 
 D. Constitucional 
Data: 29/08/2011 
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IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade 
e quaisquer outras formas de discriminação. 
As promessas irrealizáveis violam o sentimento constitucional, que é condição 
para a própria efetividade da constituição. O sentimento constitucional é a convicção 
interior da bondade e da justiça intrínsecas à constituição, segundo Pablo Lucas Verdú. 
Havendo a previsão dessas promessas que o Estado não poderá realizar, o povo deixa 
de crer na própria constituição e deixa de lutar por sua efetividade. 
 
1.5. Constitucionalismo do Futuro ou do Por Vir 
Trata do que se espera que o constitucionalismo irá se transformar. 
Possui as seguintes características: 
\u2022 Veracidade: a constituição não deve estabelecer promessas irrealizáveis, 
devendo tratar do possível. 
\u2022 Solidariedade dos povos: é a solidariedade universal, globalizada. 
\u2022 Continuidade: o constitucionalismo do futuro pretende manter as conquistas 
históricas até então obtidas, lutando por novas conquistas. 
\u2022 Universalidade dos direitos humanos: sobretudo os internacionais, 
obrigando-se o Estado a respeitá-los. 
\u2022 Participatividade: