Resumo Direito Constitucional   Aula 04
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Resumo Direito Constitucional Aula 04


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vinculante (stare decisis), ou seja, os efeitos desse controle incidental pela 
suprema corte eram inter partes, podendo posteriormente outros órgãos do judiciário 
decidir em sentido contrário. Detectada a problemática de órgãos inferiores julgarem 
em desacordo com as decisões do STF, mas tentando se evitar a supremacia do 
Judiciário sobre os demais poderes (violação dos três poderes) caso houvesse a adoção 
do preceito vinculante, instituiu-se na Constituição de 1934 a necessidade de edição 
de resolução do senado para atribuir efeitos erga omnes às decisões do STF. Prossegue 
o Ministro Gilmar Mendes que a concepção atual do princípio dos três poderes evoluiu 
e a realidade hoje é distinta, razão pela qual o STF poderia atribuir efeito erga omnes 
às suas decisões em sede de controle incidental. 
Segundo Gilmar Mendes, sua tese decorre da mutação constitucional. Em 
sentido contrário ao Ministro Gilmar Mendes, o Ministro Sepúlveda Pertence, embora 
reconhecesse que o instituto da resolução do senado estivesse defasado, não se 
poderia em sede de interpretação constitucional violar norma expressa da 
constituição, que preconiza a possibilidade de elaboração de resolução suspensiva 
pelo Senado Federal. 
Em outras palavras, chegou à relatoria do Ministro Gilmar Mendes a 
reclamação ajuizada perante o STF, na qual se reportou à inconstitucionalidade da 
vedação à progressão de regime em crimes hediondos declarada pelo STF em controle 
incidental. Um juiz de primeira instância entendeu por ignorar a decisão do STF em 
controle incidental (justificando não ser a mesma vinculante e por não ter havido 
resolução suspensiva do Senado Federal atribuindo efeito erga omnes à decisão do 
STF), aplicando a regra infraconstitucional que vedava a progressão de regime. 
Justamente contra esta decisão foi proposta uma reclamação por se entender que a 
autoridade da decisão do STF fora violada. Em tese, essa reclamação era incabível, pois 
o juiz não violou decisão nenhuma do STF que o vinculasse. 
No entanto, como dito acima, o Ministro Gilmar Mendes conheceu da 
reclamação sob o argumento de que se o próprio STF pode declarar a 
inconstitucionalidade em controle concentrado com efeito erga omnes, a resolução do 
Senado seria ato de mera publicidade da decisão do STF em controle difuso, que 
também seria oponível a todos. 
 Direito Constitucional 
Data: 12/09/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
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Melhor esclarecendo o posicionamento do ministro relator, a resolução do 
Senado baseia-se numa concepção de separação de poderes vetusta, ultrapassada, 
pois, atualmente, o STF pode realizar o controle abstrato de constitucionalidade, que 
tem primazia sobre o controle concreto. Com isto, a atividade interpretativa da CRFB 
feita pelo STF é a mesma em controle concreto ou abstrato, motivo pelo qual o efeito 
deve ser o mesmo: erga omnes. 
O Ministro entendeu neste sentido ter inclusive havido mutação constitucional. 
O Ministro Sepúlveda Pertence entendeu tal pensamento como \u201cprojeto de decreto de 
mutação constitucional\u201d, porque, apesar de o instituto da resolução do Senado ser 
obsoleto, não se pode ir de encontro ao que dispõe o texto constitucional. E ressaltou 
que o constituinte derivado percebeu a situação e, com isto, na EC nº 45/04, criou a 
Súmula Vinculante, a fim de dar efeito vinculante às decisões do STF sem que seja 
necessária a resolução do Senado. 
 
1.3.5. Casos Específicos Relacionados ao Controle Incidental 
 \u2022 Súmula 266, STF: não cabe mandado de segurança contra lei em tese, porque 
a análise da lei em tese é controle abstrato. O MS não é a ação idônea para esse tipo 
de controle e seu eventual cabimento implicaria usurpação da competência do STF. 
Súmula 266, STF: Não cabe mandado de segurança contra lei em tese. 
 Observação 1: Cabe controle incidental em MS. 
 Observação 2: Cabe MS contra lei de efeito concreto, que é, na forma lei, mas 
equivale a ato administrativo no conteúdo. 
 Os mesmos comentários feitos acima sobre MS valem, também, para ação civil 
pública. Esta, por ser ação coletiva, apresenta efeitos gerais. Com isto, havia 
questionamento na doutrina, mas o STF entendeu que cabe controle incidental em 
ACP, mas não controle concentrado. Vide Rcl 2687. 
Rcl 2687 / PA - PARÁ 
RECLAMAÇÃO 
Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO 
Julgamento: 23/09/2004 Órgão Julgador: Tribunal Pleno 
Publicação DJ 18-02-2005 PP-00006 EMENT VOL-02180-01 PP-00117 LEXSTF v. 27, 
n. 315, 2005, p. 149-153 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA - CONTROLE DIFUSO VERSUS CONTROLE CONCENTRADO DE 
CONSTITUCIONALIDADE. Proclamou o Supremo Tribunal Federal não ocorrer 
usurpação da própria competência quando a inicial da ação civil pública encerra 
pedido de declaração de inconstitucionalidade de ato normativo abstrato e 
autônomo, seguindo-se o relativo à providência buscada jurisdicionalmente - 
Reclamação nº 2.460-1/RJ. Ressalva de entendimento. RECLAMAÇÃO - NEGATIVA 
 Direito Constitucional 
Data: 12/09/2011 
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DE SEGUIMENTO. A contrariedade do pleito formulado a precedente do Plenário 
revela quadro ensejador da negativa de seguimento à reclamação. 
 
 \u2022 Não cabe ação declaratória incidental quando a questão incidental envolver 
controle de constitucionalidade ou caracterizaria controle abstrato, não sendo o juiz 
competente para tal. 
Em um processo ordinário, apenas o dispositivo faz coisa julgada. A questão 
prejudicial, por ser resolvida nos fundamentos, não faz coisa julgada, conforme art. 
469, III, CPC. No entanto, o art. 470, CPC traz a ação declaratória incidental, que existe 
para que uma questão incidental no processo seja abrangida pela coisa julgada. 
CPC, Art. 469. Não fazem coisa julgada: 
III - a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. 
CPC, Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a 
parte o requerer (arts. 5º e 325), o juiz for competente em razão da matéria e 
constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. 
Sendo a questão prejudicial sobre questionamento da constitucionalidade de 
uma lei e sendo proposta uma ação declaratória incidental, será conhecida como 
questão principal, caracterizando controle abstrato. 
\u2022 Coisa julgada inconstitucional: havendo decisão que transite em julgado 
versando sobre constitucionalidade de uma norma e posterior declaração de 
inconstitucionalidade da norma pelo STF, é cabível ação rescisória, conforme 
entendimento do STF. 
O STF fixou tal entendimento com base no art. 485, V, CPC, que dispõe caber 
ação rescisória quando a coisa julgada violar literal disposição