Resumo Direito Constitucional   Aula 06
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Resumo Direito Constitucional Aula 06


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texto: a norma, por vezes, não apresenta qualquer problema em seu texto. 
Mas, ao se analisar as hipóteses de interpretação do texto, uma ou mais delas é 
inconstitucional. 
A declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto incide 
sobre as hipóteses de aplicação do texto ou sobre alguma interpretação do texto. 
Interpretação conforme a constituição consiste na definição dentre os vários 
raios de possibilidades hermenêuticas, do sentido harmônico com a constituição 
(Ministro Sepúlveda Pertence). 
Raios de possibilidade hermenêuticas são as várias interpretações que a norma 
comporta. 
O pressuposto para a declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução 
de texto é que haja uma norma polissêmica ou plurissignificativa. 
Exemplo fictício: Uma norma A apresenta 3 interpretações. Pela interpretação 
1 é constitucional, mas pelas interpretações 2 e 3, ela é inconstitucional. Há polissemia 
da norma, pois tem vários raios de possibilidade hermenêutica, apresentando uma 
incerteza em sua interpretação. Neste caso, a norma será constitucional, desde que 
interpretada da maneira que o STF estabelecer. 
Uma norma B tem 3 significados, sendo a interpretação 1 inconstitucional e a 2 
e 3 constitucionais. Neste caso, a norma é inconstitucional de acordo com a 
interpretação 1, extraindo-se da norma a interpretação incompatível, sem determinar 
a interpretação da norma. 
 
3
 Não deve ser confundida com o veto do Presidente do art. 66, parágrafo 2º, CRFB, que assim dispõe: 
\u201cO veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.\u201d. 
 Direito Constitucional 
Data: 21/09/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
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Exemplo concreto 1: O art. 114, CRFB trata da justiça trabalhista, alterado pela 
EC 45/04. Este artigo não dispõe ser competência da justiça do trabalho questões 
criminais, mas por ela poder julgar HC e todas as matérias decorrentes de relação de 
trabalho, poder-se-ia entender que ela teria competência para julgar crimes 
relacionados a relações de trabalho. Esta interpretação é inconstitucional, apesar de 
não haver inconstitucionalidade do dispositivo. Vide ADI 3684. 
CRFB, Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato 
questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) 
 
ADI 3684 MC / DF - DISTRITO FEDERAL 
MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 
 Relator(a): Min. CEZAR PELUSO 
Julgamento: 01/02/2007 Órgão Julgador: Tribunal Pleno 
Publicação DJe-072 DIVULG 02-08-2007 PUBLIC 03-08-2007 DJ 03-08-2007 PP-
00030 EMENT VOL-02283-03 PP-00495 RTJ VOL-00202-02 PP-00609 LEXSTF v. 29, 
n. 344, 2007, p. 69-86 RMP n. 33, 2009, p. 173-184 
EMENTA: COMPETÊNCIA CRIMINAL. Justiça do Trabalho. Ações penais. Processo e 
julgamento. Jurisdição penal genérica. Inexistência. Interpretação conforme dada 
ao art. 114, incs. I, IV e IX, da CF, acrescidos pela EC nº 45/2004. Ação direta de 
inconstitucionalidade. Liminar deferida com efeito ex tunc. O disposto no art. 114, 
incs. I, IV e IX, da Constituição da República, acrescidos pela Emenda 
Constitucional nº 45, não atribui à Justiça do Trabalho competência para 
processar e julgar ações penais. 
Exemplo concreto 2: O art. 90, Lei 9.099/95 no que se refere às normas penais 
é inconstitucional, por violar o princípio da retroatividade da norma mais benéfica ao 
réu, mas no que tange às normas processuais é constitucional. 
Lei 9.099/95, Art. 90. As disposições desta Lei não se aplicam aos processos penais 
cuja instrução já estiver iniciada. (Vide ADIN nº 1.719-9) 
Com base no exposto, a partir da interpretação conforme a constituição, pode-
se extrair a declaração de constitucionalidade, fixando-se um sentido à lei, ou a 
declaração de inconstitucionalidade de certa interpretação, caso em que será parcial 
sem a redução de texto. 
O intérprete sempre deve buscar salvar a norma, somente declarando-a 
inconstitucional quando não tiver opção, quando a norma tiver sentido unívoco. Se a 
norma tiver um sentido \u201cmultívoco\u201d ou polissêmico é possível declaração de 
inconstitucionalidade parcial sem redução do texto.