Resumo Direito Constitucional   Aula 10 (10.10.2011)
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Resumo Direito Constitucional Aula 10 (10.10.2011)


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Direito Constitucional 
Data: 10/10/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
 Centro: Rua Buenos Aires, 56 - 2º, 3º e 5º andares \u2013 Tel.: (21) 2223-1327 1 
Barra: Shopping Downtown \u2013 Av. das Américas, 500 - bl. 21, salas 157 e 158 \u2013 Tel.: (21) 2494-1888 
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Assuntos tratados: 
1º Horário. 
\ufffd Direitos Fundamentais / Características / Verticalidade e Horizontalidade / 
Eficácia dos Direitos Fundamentais / Eficácia Positiva X Negativa / Eficácia 
Vertical X Horizontal / Dimensões dos Direitos Fundamentais / Dimensão 
Subjetiva / Dimensão Objetiva / Direitos Fundamentais em Espécie / Direitos à 
Vida / Questões Relevantes / Princípio da Legalidade / Questões Relevantes 
2º Horário. 
\ufffd Princípio da Igualdade / Questões Relevantes / Vedação à Tortura e ao 
Tratamento Desumano ou Degradante / Liberdade de Manifestação de 
Pensamento / Liberdade de Informação e Liberdade de Imprensa / Direito de 
Resposta / Liberdade Religiosa e de Consciência 
 
1º Horário 
 
1. Direitos Fundamentais 
 
1.1. Características 
 
1.1.1. Verticalidade e Horizontalidade 
A eficácia vertical é a incidência dos direitos fundamentais nas relações entre o 
Estado e os indivíduos, ante a posição de força que aquele exerce sobre este. Trata-se 
da concepção original dos direitos fundamentais (1ª geração), concebidos para 
proteger o indivíduo contra o arbítrio estatal. 
Já a eficácia horizontal é a incidência dos direitos fundamentais entre 
particulares (relação privada). Neste tipo de relação, há particulares em igualdade de 
condições, originando o termo horizontalidade. 
Há uma problemática em torno da possibilidade de o direito fundamental 
poder ser aplicado na relação privada, vindo o Estado a intervir nesta relação por 
alegar que um dos pólos possui seus direitos fundamentais violados. 
A relação privada baseia-se na autonomia da vontade, que é desdobramento 
do direito fundamental da liberdade (art. 5º, II, CRFB). Tal ideia consubstancia que a lei 
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Data: 10/10/2011 
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é o fundamento para o indivíduo agir e deixar de agir1. Caso seja realizada uma relação 
privada não proibida por lei, estando as partes livremente nela envolvidas, o Estado 
deve respeitá-la, pois se respeitará a liberdade do indivíduo. 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei; 
Desta forma, o Estado somente poderá intervir na relação se o direito 
fundamental estiver previsto na lei que regula essa relação privada, configurando a 
eficácia indireta dos direitos fundamentais (a incidência se dá a partir de lei e não do 
próprio direito fundamental). 
A eficácia indireta dos direitos fundamentais nas relações privadas decorre da 
existência de uma interposição legislativa, que os tornam aplicáveis. Neste caso, não 
há qualquer complexidade na intervenção do Estado para salvaguardar os direitos 
fundamentais de um dos pólos da relação. 
No entanto, quando não houver uma lei regendo a relação privada 
estabelecida, há certa dificuldade na intervenção estatal para limitar a liberdade dos 
indivíduos envolvidos. Trata-se da eficácia direta dos direitos fundamentais, caso em 
que a intervenção estatal se dá sem a prévia existência de lei. 
O Estado deve, sempre que possível, respeitar a liberdade individual e se a 
relação privada foi fundamentada nesta liberdade, a priori, o Estado não deve 
interferir. Porém, há dois fundamentos que autorizam a intervenção estatal na relação 
privada baseada na autonomia da vontade, consagrando-se a eficácia direta dos 
direitos fundamentais: 
a) dignidade da pessoa humana; 
b) verificado um desequilíbrio \u201cde força\u201d ou na relação. 
Exemplo 1: na França, o arremesso de anões \u2013 realizado como espetáculo em 
uma casa de entretenimento \u2013 teve a intervenção do Estado por entender que a 
prática violava a dignidade das pessoas envolvidas e dos demais anões, que se 
tornavam \u201ccoisificados\u201d pela prática. 
 
1
 No mesmo sentido, tem-se a súmula 686, STF. 
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Exemplo 2: a doutrina americana do State Action fundamenta que a ação 
privada, quando se assemelhar a do Estado, fica parecida com a relação vertical, em 
que um pólo restringe os direitos fundamentais de outro, cabendo a intervenção do 
Estado na relação privada no caso. 
Um caso concreto foi a análise da expulsão, pelo STF, de um indivíduo de uma 
associação, sem que a ampla defesa e o contraditório fossem respeitados. A ministra 
Ellen Gracie entendeu não haver a necessidade de serem respeitados tais princípios, 
porque não existia lei obrigando tal respeito, mas o ministro Gilmar Mendes, 
acompanhado pela maioria, entendeu que o serviço prestado pela associação se 
assemelha a serviço público, a uma ação estatal e a associação se sobrepôs ao 
indivíduo em sua ação, caso em que a eficácia direta dos direitos fundamentais é 
possível e estes devem ser respeitados, apesar de não ser a regra. 
 
1.2. Eficácia dos Direitos Fundamentais 
 
1.2.1. Eficácia Positiva X Negativa 
A eficácia positiva é a que gera uma obrigação de fazer ou de prestar, enquanto 
a negativa gera uma obrigação de não fazer, não prestar. 
Todos os direitos fundamentais apresentam ambas as eficácias, distinguindo-se 
pela intensidade (bipolaridade eficacial), conforme já explanado em aulas precedentes. 
 
1.2.2. Eficácia Vertical X Horizontal 
A eficácia vertical é incidência dos direitos fundamentais na relação Estado-
indivíduo, caso em que a eficácia será direta, e a horizontal é a observada na relação 
privada, podendo a eficácia ser direta ou indireta dependendo do caso, consoante 
apontado no tópico anterior. 
 
1.3. Dimensões dos Direitos Fundamentais 
 
1.3.1. Dimensão Subjetiva 
Trata-se da eficácia subjetiva dos direitos fundamentais, segundo a qual estes 
são entendidos como direitos subjetivos.