Resumo Direito Constitucional   Aula 10 (10.10.2011)
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Resumo Direito Constitucional Aula 10 (10.10.2011)


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um mercado de trabalho nas cidades e, nos campos, não obteve a 
chance de se inserir na própria origem, que passou a ser ocupada pelos imigrantes 
trazidos pelo governo brasileiro (política de purificação da raça). 
Desta forma, o negro passou a viver à margem da sociedade, não conseguindo 
se incluir no sistema de educação por não ter condições financeiras e nem se inserir no 
mercado de trabalho. Alguns dados estatísticos parecem comprovar isso: 
- se todas as universidades públicas e privadas fossem dedicadas a negros, 
seriam necessários 20 anos para que o número de médicos negros chegasse ao 
número de brancos. Trata-se da subrepresentação do grupo, que ocorre quando há 
um hiato desproporcional entre o que o grupo racial representa na sociedade e a 
posição que ocupa no mercado de trabalho. 
- apenas de 3 a 4% dos negros ocupa posição de gerência. 
b.2) a discriminação no Brasil não é apenas social e econômica, mas também 
racial: o próprio grupo negro sente-se discriminado pela sociedade. 
b.3) as cotas seriam medidas temporárias para a promoção da igualdade e não 
excluem a necessidade da melhoria da educação básica: a melhoria da educação é 
processo demorado e, até que haja efetiva melhora, algumas gerações continuarão 
excluídas do mercado de trabalho. 
b.4) nas universidades onde já se tem adotado o sistema, a média geral de 
aproveitamento dos cotistas não é inferior à média do restante. 
b.5) as ações afirmativas são medidas de justiça social e não de justiça 
individual: visam à sociedade como um todo e não apenas um indivíduo, sacrificando-
se situações individuais em função do todo legitimamente. 
 Direito Constitucional 
Data: 10/10/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
 Centro: Rua Buenos Aires, 56 - 2º, 3º e 5º andares \u2013 Tel.: (21) 2223-1327 17 
Barra: Shopping Downtown \u2013 Av. das Américas, 500 - bl. 21, salas 157 e 158 \u2013 Tel.: (21) 2494-1888 
www.enfasepraetorium.com.br 
 
 
Observação 1: Na ADI 33304 discute-se o PROUNI, que cria bolsas parciais e 
integrais para índios e negros nas universidades privadas. 
Observação 2: Alguns estados começaram a criar reservas de vagas de cargos 
públicos para negros, aplicando-se as mesmas críticas e contracríticas anteriormente 
feitas com relação às cotas para negros em universidades públicas. No entanto, esta se 
relaciona à inserção na educação, enquanto em concursos a relação se dá no mercado 
de trabalho, sendo desarrazoado. O tema ainda não foi enfrentado pelo STF. 
 
1.4.4. Vedação à Tortura e ao Tratamento Desumano ou Degradante 
O art. 5º, III, CRFB proíbe a tortura no sentido físico e psicológico. 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou 
degradante; 
A súmula vinculante nº 11 veda o uso de algemas sem justificativa (segurança 
própria ou de terceiros), relacionando-se à vedação de tratamento degradante. 
SÚMULA VINCULANTE Nº 11: SÓ É LÍCITO O USO DE ALGEMAS EM CASOS DE 
RESISTÊNCIA E DE FUNDADO RECEIO DE FUGA OU DE PERIGO À INTEGRIDADE 
FÍSICA PRÓPRIA OU ALHEIA, POR PARTE DO PRESO OU DE TERCEIROS, 
JUSTIFICADA A EXCEPCIONALIDADE POR ESCRITO, SOB PENA DE 
RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR, CIVIL E PENAL DO AGENTE OU DA AUTORIDADE 
E DE NULIDADE DA PRISÃO OU DO ATO PROCESSUAL A QUE SE REFERE, SEM 
PREJUÍZO DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. 
Observação: O STF já decidiu que o julgamento no júri em que o acusado 
permanece algemado é inválido por afetar a cognição dos jurados, que ficam 
impressionados pela cena, tendendo a crerem na culpa do indivíduo. 
 
1.4.5. Liberdade de Manifestação de Pensamento 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
 
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 O acesso às decisões monocrática e da Presidência sobre o assunto pode ser feito no sítio eletrônico 
http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarConsolidada.asp?classe=ADI&numero=3330&origem=
AP 
 Direito Constitucional 
Data: 10/10/2011 
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inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
A vedação ao anonimato significa que se deve identificar a pessoa, ainda que o 
nome não seja o registrado juridicamente, quando o pensamento for manifestado. 
A delação anônima não pode ser fundamento para a propositura de uma ação 
penal, mas pode embasar a verificação dos fatos preliminarmente para posterior 
instauração de inquérito. 
 
1.4.6. Liberdade de Informação e Liberdade de Imprensa 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de 
comunicação, independentemente de censura ou licença; 
A liberdade de informação (de informar e de ser informado) e a liberdade de 
imprensa conectam-se. Não há democracia sem que haja pluralismo e este não existe 
se a liberdade da manifestação de pensamento não for assegurada, a qual não subsiste 
sem a liberdade de informação, que advém da liberdade de imprensa. Desta forma, 
não há democracia sem imprensa livre. 
O STF, com base no exposto, entendeu que a lei de imprensa não foi 
recepcionada pela CRFB/88. Entendeu, ainda, que o Estado não pode impor a 
exigência do diploma de jornalismo para exercício da profissão de jornalista, ou estaria 
controlando a atividade, o que geraria, por consequência, o controle da própria 
imprensa. 
No entanto, esta decisão não significa que o diploma de jornalismo não pode 
ser exigido pelo mercado de trabalho, apenas que o Estado não pode impor esta 
restrição ao exercício profissional, caracterizando a autopoiesis (fundamento em si 
mesmo). 
Observação: Há um problema gerado quanto aos limites que o Estado pode 
fixar com relação à propaganda, mas, via de regra, esses limites são fixados pelo 
próprio mercado privado de propaganda. A liberdade de propaganda de cigarros é 
vedada, sendo legítima por gerar uma série de doenças, acarretando em crise na saúde 
pública. 
 Direito Constitucional 
Data: 10/10/2011 
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