Resumo Direito Constitucional   Aula 11 (04.11.2011)
36 pág.

Resumo Direito Constitucional Aula 11 (04.11.2011)


DisciplinaDireito Constitucional I70.200 materiais1.617.509 seguidores
Pré-visualização14 páginas
Rel. Min. 
Sepúlveda Pertence, julgamento em 15-12-05, DJ de 7-4-06) 
z. "Emenda constitucional estadual. Perda de mandato de parlamentar 
estadual mediante voto aberto. Inconstitucionalidade. Violação de limitação 
expressa ao poder constituinte decorrente dos Estados membros (CF, art. 27, § 1º c/c 
art. 55, § 2º)." (ADI 2.461, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 12-5-05, DJ de 7-
10-05). No mesmo sentido: ADI 3.208, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 12-5-
05, DJ de 7-10-05. 
aa. Por não encontrar razoabilidade jurídica à pretensão, o Tribunal, por 
maioria, indeferiu pedido de medida cautelar formulado em duas ações diretas 
ajuizadas pelo Partido da Social Democracia Brasileira - PSDB em que pleiteada, 
respectivamente, a declaração de inconstitucionalidade da Lei 2.143/2009, do Estado 
do Tocantins, que \u201cdispõe sobre a eleição, pela Assembléia Legislativa, para 
Governador e Vice-Governador do Estado do Tocantins, na forma prevista no § 5º do 
art. 39 da Constituição Estadual\u201d, e contra a Lei 2.154/2009, também do referido 
Estado-membro, com idêntica ementa. Argúi o autor, em síntese, a 
inconstitucionalidade formal e material das normas por ofensa aos artigos 1º, 2º, 16, 
17, § 1º, 37, caput, 61, caput, e 81, § 1º, da CF. Preliminarmente, o Tribunal, tendo em 
conta a urgência manifesta no caso e a revogação da Lei 2.143/2009 pela 2.154/2009, 
e diante do fato de que, antes da manifestação de qualquer dos interessados jurídicos 
na causa, o autor apresentou emenda à inicial, passando agora a atacar a nova lei, 
admitiu a petição de emenda à inicial, a fim de apreciar como tal a ação perante a nova 
lei. Prevaleceu o voto do Min. Cezar Peluso, relator, que registrou, inicialmente, que, 
apesar de haver precedente da Corte em hipótese análoga (ADI 1057 MC/BA DJU de 
6.4.2001), os fundamentos ali expostos deveriam ser relembrados, se não revistos, 
diante da nova composição da Corte e da exigência de motivação controlável e 
legítima. Relativamente à questão da necessidade de observância, por parte dos 
Estados-membros, ante o princípio da simetria, da norma prevista no art. 81, § 1º, da 
CF, concluiu pelo caráter de não-compulsoriedade do modelo federal. Asseverou não 
ser lícito, senão contrário à concepção federativa, jungir os Estados-membros, sob o 
 D. Constitucional 
Data: 04/11/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
 Centro: Rua Buenos Aires, 56 - 2º, 3º e 5º andares \u2013 Tel.: (21)2223-1327 31 
Barra: Shopping Downtown \u2013 Av. das Américas, 500 - bl. 21, salas 157 e 158 \u2013 Tel.: (21)2494-1888 
www.enfasepraetorium.com.br 
 
 
título vinculante da regra da simetria, a normas ou princípios da Constituição Federal 
cuja inaplicabilidade ou inobservância local não implique contradições teóricas 
incompatíveis com a coerência sistemática do ordenamento jurídico, com graves 
dificuldades práticas de qualquer ordem, nem com outra capaz de perturbar o 
equilíbrio dos poderes ou a unidade nacional. Assim, a regra da simetria não poderia 
ser produto de uma decisão arbitrária ou imotivada do intérprete. Aduziu que, diante 
do princípio democrático do exercício do sufrágio universal pelo voto direto e secreto, 
com igual valor para todos, nos termos do art. 14, caput, da CF, a absoluta 
excepcionalidade da regra constitucional, estatuída no art. 81, § 1º, demandaria, por 
sua natureza singular, interpretação estritíssima. Afirmou que o art. 39, § 5º, da 
Constituição do Estado do Tocantins (\u201cArt. 39... § 5º. Ocorrendo a vacância nos dois 
últimos anos do período governamental, a eleição para ambos os cargos será feita 
trinta dias depois da última vaga, pela Assembléia Legislativa, na forma da Lei.\u201d) 
reproduziu a provisão da Constituição Federal não por suposta necessidade de 
reprodução obrigatória, e sim por força de livre decisão jurídico-política do 
constituinte estadual no exercício da autonomia que lhe é assegurada pela 
Constituição da República. No que se refere, do ponto de vista da sua gênese, à 
natureza da lei que predica a Constituição Federal no art. 81, § 1º, bem como a de lei 
estadual que regulamente previsão idêntica da Constituição estadual, o relator 
salientou ser indiscutível a competência ratione materiae privativa da União para 
legislar sobre direito eleitoral (CF, art. 22, I), mas considerou que, quando o 
constituinte estadual reproduz a regra de eleição indireta pelos representantes do 
Poder Legislativo, na forma da lei, a lei exigida seria de competência do Estado, por 
não possuir caráter jurídico-eleitoral. Explicou não se ter, nesse caso, uma lei 
materialmente eleitoral, haja vista que ela simplesmente regula a sucessão do Chefe 
do Poder Executivo, sucessão esta extravagante. Reportou-se à orientação firmada 
na ADI 2709/SE (DJE de 16.5.2008), no sentido da constitucionalidade de norma 
constitucional estadual que disciplina o processo de escolha de governantes em caso 
de dupla vacância. Aduziu que, embora não deixem de revelar certa conotação 
eleitoral, porque dispõem sobre o procedimento de aquisição eletiva do poder 
político, não haveria como reconhecer ou atribuir características de direito eleitoral 
stricto sensu às normas que regem a eleição indireta no caso de dupla vacância no 
último biênio do mandato. Em última instância, essas leis teriam por objeto matéria 
político-administrativa que demandaria típica decisão do poder geral de autogoverno, 
inerente à autonomia política dos entes federados. Em suma, a reserva de lei 
constante do art. 81, § 1º, da CF, nítida e especialíssima exceção ao cânone do 
exercício direto do sufrágio, diria respeito somente ao regime de dupla vacância dos 
cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, e, como tal, da óbvia 
competência da União. Por sua vez, considerados o desenho federativo e a 
 D. Constitucional 
Data: 04/11/2011 
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula 
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros 
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais. 
 
 Centro: Rua Buenos Aires, 56 - 2º, 3º e 5º andares \u2013 Tel.: (21)2223-1327 32 
Barra: Shopping Downtown \u2013 Av. das Américas, 500 - bl. 21, salas 157 e 158 \u2013 Tel.: (21)2494-1888 
www.enfasepraetorium.com.br 
 
 
inaplicabilidade do princípio da simetria ao caso, competiria aos Estados-membros a 
definição e a regulamentação das normas de substituição de Governador e Vice-
Governador. De modo que, quando, como na espécie, tivesse o constituinte estadual 
reproduzido o preceito constitucional federal, a reserva de lei não poderia deixar de se 
referir à competência do próprio ente federado. No mais, predefinido seu caráter não-
eleitoral, não haveria se falar em ofensa ao princípio da anterioridade da lei eleitoral 
(CF, art. 16). O Min. Cezar Peluso acrescentou que tais conclusões, entretanto, não 
esgotariam o campo das limitações constitucionais por observar na hipótese, visto 
que a Constituição Federal hospedaria normas textuais que, relativas aos direitos 
políticos ativos e passivos, seriam de incidência imediata e inexorável, como as 
condições de elegibilidade e as causas de inelegibilidade, prescritas no art. 14. 
Tratar-se-ia de normas eleitorais stricto sensu,