Historia e Politica  - Walmir Barbosa
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Historia e Politica - Walmir Barbosa


DisciplinaCiência Política e Teoria Geral do Estado1.218 materiais16.385 seguidores
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uma unidade concreta e 
necessária, na qual se intercomunica territorialidade, cultura, experiência política, religião, e 
assim por diante. 
Marx, que reconhecia a realidade como em contínuo movimento e permeada de 
contradições e conflitos e que propôs uma abordagem de totalidade da mesma, lança as 
bases definitivas para a formação da Ciência Política. No todo, expresso pelo modo de 
produção, haveria uma articulação necessária entre a base - estrutura sócio-econômica \u2013 e a 
superestrutura \u2013 estrutura formada pelas estruturas jurídicas, políticas e ideológicas. De tal 
forma, que não seria possível compreender o fenômeno político unicamente pelo universo 
político, mas necessariamente tendo que integrar na investigação os demais níveis da vida 
social, isto é, na perspectiva da interpretação de totalidade. 
O Estado nesta abordagem, por exemplo, não mais se apresentaria como uma 
estrutura a-histórica e supra-classes sociais. Nem tampouco as \u201ctécnicas\u201d políticas usuais se 
apresentaria como a \u201cforma\u201d da política. O Estado definiria-se, respectivamente, por meio 
de um direito e de um burocratismo determinado pelas relações de produção \u2013 isto é, a 
 
 
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forma como a propriedade, o trabalho e a apropriação do excedente encontra-se estruturado 
na sociedade \u2013 e nele expressaria uma hegemonia de uma classe social. 
Michel Foucault contribuiu com a criação da Ciência Política na medida em que 
ultrapassou o que se refere à macro-estrutura e às classes sociais na abordagem da Política. 
Incorpora à análise política as relações sociais em nível das micro estruturas sociais, porque 
nelas também encontram-se estruturas de poder e porque há interdependência e 
intercomunicação entre as macro e as micro-estruturas de poder. 
A Ciência Política foi profundamente influenciada, a partir do final do século XIX, 
pela busca por parte das ciências sociais em geral de um conhecimento científico com a 
mesma \u201cveracidade\u201d e \u201cexatidão\u201d das ciências naturais. Agregou-se a esta perspectiva o 
sentido instrumental do estudo e da pesquisa, isto é, almejava-se respostas às necessidades 
concretas colocadas na esfera do poder (no sentido Estado-governo e Estado-nação). 
Esta concepção de Ciência Política desenvolveu-se como sendo a Ciência Política. 
Dos Estados Unidos estendeu-se pelo mundo, apoiada no desenvolvimento e aprimoramento 
dos métodos de pesquisa das ciências sociais, com grande ênfase na quantificação e na 
criação de instrumentos de medição de opiniões, tendo em vista identificar comportamentos 
e expectativas políticas dos \u201celeitores\u201d. Nos Estados Unidos esta concepção de Ciência 
Política materializou-se nas vertentes de análises: a) Legalista, preocupada em ocupar-se 
das estruturas legais e constitucionais, das instituições e dos direitos e deveres dos cidadãos; 
b) Reformadora, preocupada em ocupar-se dos problemas governamentais e legislativos e 
de influenciar os governos e legislativos para a criação de institutos de pesquisa institucional 
(institutos de pesquisa governamental e legislativos) dirigidos por estes poderes; c) 
Filosófica, preocupada em ocupar-se dos estudos de Teoria Política (idéias, valores e 
doutrinas políticas); d) Científica, preocupada em ocupar-se da pesquisa por meio da 
observação empírica sistemática (Sorauf apud Pedroso, 1968, p. 22). 
Esta concepção de Ciência Política reproduziu características como a fragmentação 
do objeto (hiperfactualismo), a instrumentalização da pesquisa, o vínculo direto com o poder 
e a limitação dos estudos e pesquisas aos Estados Unidos. A crítica às características desta 
concepção de Ciência Política ocorreu entre 1950 e 1965, no justo momento em que a 
Ciência Política deixou de ser basicamente norte americana. 
Atualmente, encontra-se ainda muito presente a concepção de Ciência Política que 
fragmenta o objeto, de forma a restringir-se à observação empírica e a recusar-se teorias 
explicativas gerais. Encontra-se também ainda presente a preocupação em explicar como as 
coisas são, de forma a valorizar a estabilidade e coesão social e a subestimar as tensões, 
 
 
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contradições e conflitos inerentes à vida social, em especial quando envolve o mundo do 
trabalho. 
Todavia, encontra-se também muito presente a concepção de Ciência Política crítica 
da quantificação excessiva, da obsessão pela medição do comportamento político dos grupos 
sociais e da pretensa neutralidade científica. Concepção que é valorizadora da abordagem 
interdisciplinar no âmbito das ciências sociais, tendo em vista a busca da apreensão de 
totalidade do fenômeno político; e que busca o necessário equilíbrio na apreensão do como e 
do por que tensão e estabilidade, mudança e conservação, dissenso e consenso, 
materializam-se no processo político. 
 
3.2 Concepções a cerca da Ciência Política 
 
 Atualmente há pelo menos duas grandes concepções acerca da Ciência Política. A 
concepção dialética da Ciência Política, que reconhece a transitoriedade de todas as formas 
políticas e que busca compreender a política como parte da compreensão do todo social, e a 
concepção empírica da Ciência Política, que reconhece a existência de uma mecânica do 
comportamento político do homem e que esta pode ser apreendida. 
 A concepção dialética da Ciência Política a concebe como uma disciplina que se 
ocupa dos estudos dos clássicos da política, bem como dos fenômenos e das estruturas 
políticas, investigados de forma sistemática e rigorosa, apoiada em um amplo e cuidadoso 
exame das obras políticas, dos fatos e da documentação de pesquisa. Apóia-se nas técnicas 
de pesquisa que se utiliza da coleta de dados de documentação histórica. Técnicas das quais 
se valem estudiosos políticos do passado, como Aristóteles, Maquiavel, entre outros. 
 Para a concepção dialética de Ciência Política ela se constitui em uma disciplina 
histórica, ou seja, uma forma de saber cujo objeto de investigação é parte da inconstante 
ação humana e se desenvolve no tempo, sofrendo contínua transformação. Isto faz do objeto 
concreto investigado pela Ciência Política um objeto singular, que não se repete. Do que se 
conclui ser impossível, de fato, um dos procedimentos fundamentais que permitem aos 
físicos e aos biólogos a confirmação ou a refutação das próprias hipóteses formuladas, isto é, 
a experimentação e/ou demonstração do objeto do mundo natural, determinado em uma 
relação de causalidade necessária e cuja mutabilidade somente se verifica em milhões de 
anos. 
 A concepção empírica da Ciência Política a concebe como uma ciência organizada 
por meio das metodologias das ciências empíricas mais desenvolvidas, a exemplo da física e 
 
 
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da biologia. O que deve orientar o estudo do fenômeno político segundo esta concepção é o 
comportamento que indivíduos e que grupos sociais expressam na ação Política. São 
exemplos do comportamento político de indivíduos e grupos sociais o exercício do voto, a 
participação dos filiados na vida de um partido, a prática parlamentar, a participação 
eleitoral das mulheres das camadas populares. 
 O estudo do fenômeno político na concepção empírica da Ciência Política deve 
apoiar-se tanto na investigação com base na análise de dados quanto no emprego da 
observação direta ou da pesquisa de campo por meio de técnicas tiradas da Sociologia 
Durkeiminiana (ela mesma inspirada nas metodologias das ciências empíricas), como a 
aplicação de questionários, de entrevistas, etc. Assim, o estudioso do fenômeno da política 
na concepção empírica da Ciência Política, cujo objeto é o comportamento dos indivíduos e 
grupos sociais, deve recolher dados e submete-los a técnicas de investigação de forma a 
captar as leis que comandam o movimento da