Historia e Politica  - Walmir Barbosa
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Historia e Politica - Walmir Barbosa


DisciplinaCiência Política e Teoria Geral do Estado1.225 materiais16.431 seguidores
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Política. Estas técnicas exigem, para a sua 
padronização, o uso sempre crescente de métodos quantitativos. 
 O rigor na condução dos estudos na concepção da Ciência Política empírica, de 
forma a recolher dados e obter resultados seguros passa pela classificação, formulação de 
generalizações e conseqüente formação de conceitos gerais, determinação de leis (pelo 
menos de leis estatísticas e prováveis, de leis de tendência, de regularidade ou 
uniformidade), e elaboração de teorias. A concepção da Ciência Política empírica ambiciona 
o status de ciência na perspectiva de explicar fenômenos e não apenas limitar-se à sua 
descrição. 
 A concepção da Ciência Política empírica busca, também, a previsão, o seu grande 
objetivo e finalidade prática. A pretendida previsão da ciência empírica, adequada para as 
ciências naturais, são impossíveis, a nosso ver, quando se trata de ciências humanas. Isto 
porque o comportamento do homem deriva de algumas características da maneira de agir do 
homem. O homem é um animal teleológico, isto é, suas ações se servem de elementos úteis 
para obter seus objetivos, conscientes ou não; é um animal simbólico, isto é, se comunica 
com seus semelhantes por diversos meios; é um animal ideológico, isto é, se utiliza de 
valores vigentes no sistema cultural no qual está inserido a fim de racionalizar seu 
comportamento; é um animal social, isto é, a sua ação é construída coletiva e 
conflituosamente e se expressa em todos os níveis da vida social; é um animal constituído de 
manifestações subjetivas imprevistas e de escolhas imponderáveis, isto é, foge de um padrão 
de comportamento que configurasse uma mecânica social. 
 
 
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 A Ciência Política, segundo a concepção dialética, não pode formular previsões 
científicas. Pode e deve oferecer, com base em estudos de totalidade e interdisciplinar, 
cenários possíveis para os fenômenos políticos em curso estudados. A pretensão dos 
estudiosos da concepção da Ciência Política empírica de formular previsões pode levar, na 
melhor das hipóteses, a conjecturas e, na pior, a profecias. 
 
3.3 Papel da Ciência Política 
 
A Ciência Política, assim como as demais ciências, possui a vocação de proporcionar 
conhecimentos e informações e de socializá-los na comunidade política. O seu uso por parte 
das classes e grupos sociais e dos diversos atores políticos certamente variará mediante a 
forma de incersão de cada classe e grupo social no processo de produção e distribuição dos 
bens materiais e culturais. Conforme Marx, a forma da referida incersão determinará a 
natureza e a qualidade da consciência de cada classe e grupo social (Marx e Engels, Volume 
1, p. 3001). 
Duverger, partindo desta descoberta de Marx, demonstrou como o papel da política 
reflete esta realidade que é contraditória. Conforme Duverger, 
 
(...) desde que os homens refletem sobre a política, tem eles oscilado 
entre duas interpretações diametralmente opostas. Para uns, a política é 
essencialmente uma luta, um combate: o poder permite aos indivíduos e 
grupos que o detém assegurar sua dominação sobre a sociedade e dela 
tirar proveito; os outros grupos e outros indivíduos se erguem contra 
esta dominação e esta exploração, esforçando-se por resistir-lhe e 
destruí-los. Para outros, a política é um esforço no sentido de reinar a 
ordem e a justiça: o poder assegura o interesse geral e o bem comum 
contra a pressão das reivindicações particulares. Para os primeiros, a 
política serve para manter os privilégios de uma minoria sobre a 
maioria. Para os segundos, ela é um meio de realizar a integração de 
todos os indivíduos na comunidade e de criar assim a sociedade justa de 
que falava Aristóteles. 
(...) os indivíduos e as classes oprimidas, insatisfeitas, pobres, infelizes, 
não podem julgar que o poder assegure uma ordem real, mas somente 
uma caricatura da ordem, sob a qual se mascara a dominação dos 
 
 
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privilegiados: para eles a política é luta. Os indivíduos e as classes 
abastadas, ricas, satisfeitas, crêem que a sociedade é harmoniosa e que 
o poder mantém uma ordem e 
autêntica: para eles a política é integração (Duverger apud Pedroso, 
1968, p. 24). 
 
Todavia, Duverger chamou a atenção para o fato de que esta realidade, de 
fundamentação sólida, não esgota a problemática e a ambivalência da Política. Isto porque, 
mesmo os mais conservadores, atarracados à defesa da ordem social, tem que reconhecer 
que a política não dá conta de assegurar de maneira plena a referida ordem, o que lhes 
obriga admitir a continuidade do conflito e a necessidade de concessões; e mesmo os mais 
críticos, atarracados à defesa da transformação social, tem que reconhecer que a Política não 
se restringe ao domínio, o que lhes obriga admitir que a política e a esfera pública 
institucional em particular realize algumas funções do interesse de todos. Esta problemática 
e ambiguidade reflete no próprio caráter e papel do Estado. Conforme Duverger, 
 
O Estado \u2013 e, de um modo geral, o poder instituído em uma sociedade \u2013 
é sempre e em todo lugar, ao mesmo tempo, instrumento de dominação 
de certas classes sobre outras... e um meio de assegurar uma certa 
ordem social, uma certa integração de todos na coletividade para o bem 
comum. A proporção de um e outro elemento é muito variável, segundo 
as épocas, as circunstâncias e os países; mas os dois coexistem sempre 
(Duverger apud Pedroso, 1968, p. 25). 
 
3.4 Ciência Política e interdisciplinaridade 
 
Para muito, a Ciência Política, por ser uma ciência jovem, não possui um método e 
um objeto consolidado e definido. O que aparentemente poderia ser uma fragilidade em face 
das demais ciências sociais, pode representar uma flexibilidade e uma vantagem. Isto porque 
ela pode compor mais facilmente com as demais ciências na busca de uma abordagem de 
totalidade do fenômeno político, que também é objeto das demais ciências sociais. Portanto, 
a interdisciplinaridade, que é uma necessidade na perspectiva da abordagem de totalidade do 
objeto, na Ciência Política é um imperativo quando se quer evitar as simplificações 
positivistas ou as interpretações superficiais. 
 
 
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Com a Sociologia a Ciência Política compartilha estudos como o desenvolvimento e 
dinâmica do Estado, a crise dos regimes políticos e luta das classes e demais grupos sociais; 
com a História a Ciência Política compartilha estudos como a formação do Estado, o 
desenvolvimento do pensamento político e o processo das revoluções e contra-revoluções 
sociais; com a Economia a Ciência Política compartilha estudos como a correlação entre a 
forma de inserção dos grupos e classes sociais nas estruturas de produção e distribuição dos 
bens materiais e culturais e a consciência social que estes mesmos grupos e classes sociais 
reproduzem, a correlação entre interesses econômicos e grupos de pressão e a correlação 
entre teorias econômicas e teorias políticas; com a Psicologia a Ciência Política compartilha 
estudos como a dinâmica e forma dos fundamentos do poder e da obediência são absorvidos 
pelos indivíduos, a sugestão subliminar de objetivos pelo marketing político e a 
transformação e/ou instrumentalização de mitos e arquétipos em força política; com a 
Geografia a Ciência Política compartilha estudos como a construção e/ou prolongamento das 
relações de poder das classes e grupos sociais dominantes no espaço urbano, os fundamentos 
e estratégias geopolíticas e os interesses políticos que permeiam as políticas públicas para o 
meio ambiente; com a Antropologia a Ciência Política compartilha estudos como a 
construção da identidade e seus desdobramentos políticos, as conseqüências do 
rebaixamento ético