Historia e Politica  - Walmir Barbosa
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Historia e Politica - Walmir Barbosa


DisciplinaCiência Política e Teoria Geral do Estado1.225 materiais16.439 seguidores
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e estético da indústria cultural e a reposição dos padrões de domínio 
ideológico-cultural e as relações de poder e de domínio presente nas relações de gênero, 
etnias e etárias. Com a Filosofia a Ciência Política compartilha estudos como as obras de 
filosofia política, o pensamento e teoria política e a relação do filósofo (e pensador em geral) 
com o poder. 
Com as áreas de formação, estudo e investigação, como a Pedagogia, a Ciência 
Política compartilha estudos como a relação entre a Pedagogia e os compromissos políticos, 
o teor político subjacente às políticas educacionais e o papel sócio-político do educador em 
sentido lato; com o Direito Constitucional a Ciência Política compartilha estudos como o 
processo de formulação e reformulação das leis, a hegemonia de classe expresso na 
\u201carquitetura constitucional\u201d e a ação e reação dos grupos, classes e segmentos sociais por 
meio das suas organizações sócio-políticas (ONGs, partido político etc) sobre a constituição. 
Para muitos cientistas políticos a especificidade da investigação da Ciência Política 
seria o \u201cresíduo\u201d abandonado pelas demais ciências sociais, pela filosofia e pelos demais 
campos disciplinares, como o partido político, os \u201cpolíticos\u201d, o governante etc (Pedroso, 
1968, 16 e 17). Todavia, este \u201cresíduo\u201d também pode ser estudado pelas demais ciências e 
disciplinas. O que não raramente ocorre é o estudo do dito \u201cresíduo\u201d de forma fragmentada e 
 
 
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instrumental, isto é, fora das múltiplas determinantes em que o mesmo se encontra inserido e 
na perspectiva de formular proposições a seu \u201caperfeiçoamento\u201d. 
A Ciência Política pode e deve, portanto, buscar a interdisciplinaridade. Nesta 
perspectiva poderá almejar a síntese de totalidade na abordagem do seu objeto. 
 
3.5 Métodos e Técnicas 
 
A Ciência Política lança mão dos métodos e técnicas adotados pelas ciências sociais. 
Frequentemente adota como procedimento: 1) O estudo exploratório preliminar do objeto; 2) 
A delimitação (cronológica, espacial e temática) do objeto; 3) A formulação de hipóteses 
explicativas; 4) O desenvolvimento da pesquisa por meio da observação direta, da condução 
de entrevista, da aplicação de questionários, da análise documental (cartas, notícias, 
memórias, papéis oficiais, relatórios oficiais, dados censitários etc), da quantificação de 
dados e resultados etc; 5) A elaboração de interpretações acerca do objeto, bem como a 
formulação de teorias sobre o mesmo. 
 
3.6 O Procedimento da Comparação 
 
 A disponibilidade de dados gerais e amplos, como aqueles de caráter econômico, 
histórico, social, e de dados específicos e delimitados, como de opinião, elite, proporciona 
novas fontes para o estudo da Ciência Política. A tendência é o enriquecimento dos estudos 
da Ciência Política voltados para identificar o comportamento de indivíduos e grupos sociais 
em uma dada conjuntura, bem como estudos de estrutura, a exemplo das relações políticas 
entre e inter classes sociais. 
 As possibilidades de estudos comparados são ampliados a exemplo dos estudos de 
regimes políticos, dos sistemas partidários, da relação entre os poderes, da relação 
Estado/sociedade civil, entre os diversos países. Os estudos de Política comparada chega a 
ponto de induzir alguns estudiosos a identificar a Ciência Política contemporânea com esta 
abordagem especifica, ou seja, distinguir os estudos políticos do passado com a abordagem 
científica comparada dos estudos políticos contemporâneos. 
 A comparação, que para muitos constitui-se em um método, não é propriamente um 
método, nem tampouco um monopólio da Ciência Política. A comparação é um dos 
procedimentos mais elementares e necessários para toda pesquisa que tem por objetivo 
tornar-se científica. 
 
 
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 O estudioso de Política comparada não deve se limitar somente a utilizar o processo 
de comparação com o fim de identificar realidades políticas (regimes, partidos, etc) dos 
diferentes países, mas pode também fazer largo uso dos métodos histórico e estatístico. Em 
suma, a Política comparada não deve ter apenas a exclusividade da comparação (Bobbio, 
1992, p. 165 e 166). 
 A técnica da comparação ocupa, enfim, uma grande importância na condução da 
pesquisa. De um lado, porque permite a comparação entre dois ou mais objetos (processos 
ou fatos sócio-políticos) investigados, de forma a possibilitar a identificação das 
continuidades e descontinuidades entre os mesmos. De outro, a comparação pode se 
constituir em um recurso tendo em vista convalidar pesquisa e resultados obtidos, na medida 
em que permite averiguar limites e erros na condução da pesquisa e na avaliação dos 
resultados obtidos. 
 
3.7 O Problema da Avaliação 
 
 A Ciência Política é uma ciência em que a objetividade científica é mais dificilmente 
alcançável. Todavia, mesmo sem pretender a ilusória neutralidade científica é necessário 
buscar o quanto possível suspender os juízos de valor durante a pesquisa, de forma a obter o 
mais possível de objetividade científica. 
 O desenvolvimento da Ciência Política não deve ser direcionado pelo ideal empírico 
e positivista de uma Política científica, isto é, de uma ação Política baseada no 
conhecimento e domínio das dinâmicas objetivas do desenvolvimento da sociedade e do 
comportamento político dos indivíduos e cujos resultados poderiam ser previstos. Mas deve 
proporcionar referências aos atores políticos para que não fiquem abandonados à sua própria 
intuição.