Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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Jurisprudencial del Derecho Privado, p. 9. 
90 Principio y Normas en la Elaboración Jurisprudencial del Derecho Privado, p. 11. 
91 Cf. CARRIÓ, Genaro R. Notas Sobre Derecho y Lenguaje, p. 221. 
 
implacável, capitaneada sobretudo por Dworkin, jurista de 
Harvard"
92
. 
 Para o jusfilósofo norte-americano um dos problemas do 
positivismo jurídico, tomando como base a teorização de Herbert L. 
A. Hart, reside na incapacidade para detectar que os problemas 
jurídicos, especialmente nos casos difíceis, são resolvidos pelos 
operadores do direito por meio de "standards" que não funcionam 
como normas, mas operam de maneira diferente, como princípios, 
diretrizes políticas e outros tipos de pautas
93
. Com efeito, os 
princípios para o autor seriam uma espécie de "standard que tem de 
ser observado, não porque favoreça ou assegure uma situação 
econômica, política ou social que se considere desejável, senão 
porque é uma exigência da justiça, equidade ou alguma outra 
dimensão da moralidade"
94
. Busca, assim, ao longo de sua obra, 
demonstrar que as pessoas possuem outros direitos jurídicos, além 
daqueles criados explicitamente pelas leis, sendo que os princípios 
funcionam como importante instrumento de descoberta de tais 
direitos. O conceito de princípio, bem como a diferenciação em 
relação às regras constitui-se em importante alicerce de sua teoria da 
adjudication, em que o aplicador do direito atribui direito às 
partes
95
. 
 Conforme Dworkin, os princípios têm uma dimensão que 
falta às regras, qual seja, a dimensão do peso ou importância, sendo 
que quando há um conflito entre os princípios, deve-se levar em 
consideração o peso relativo de cada um. No entanto, no processo de 
verificação do peso dos princípios não há uma medida exata, pois o 
juízo a ser formulado, com frequência, é motivo de controvérsia
96
. 
 
92 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. A importância do autor é reconhecida por 
diversos outros autores que têm feito referências à sua concepção de princípios. ATIENZA, Manuel; 
MANERO, Juan Ruiz. Las Piezas del Derecho: teoría de los enunciados jurídicos. Barcelona: Ariel, 
1996, p. 1, aludem que a discussão sobre os princípios tem como novo impulso, nos últimos anos, um 
artigo de Dworkin publicado em 1967, cujo título era "?Es el Derecho um sistema de reglas?", cujo 
objetivo era impugnar a teoria do positivismo jurídico de H. L. A. Hart. No mesmo sentido, TOLONEN, 
Hannu. Reglas, principios y fines: la interfrelación entre derecho, moral y política. In: ARNIO, Aulios; 
VÁLDES, Ernesto Gárzón; UUSITALO, Jyrki (comps.). La normatividad del derecho. Barcelona: Editorial 
Gedisa S. A., 1997, p. 65. 
93 DWORKIN, Ronald. Los Derechos en serio. 2. ed. Barcelona: Editorial Ariel S. A., 1995, p. 72. 
94 DWORKIN, Ronald. Los Derechos en serio, p. 72. De forma diversa, Dworkin entende a diretriz 
política como um outro tipo de standard que propõe um objetivo que há de ser alcançado, 
geralmente uma melhora em algum aspecto econômico, político ou social da comunidade. 
95 Cf. CHUERI, Vera Karam de. Filosofia do Direito e Modernidade: Dworkin e a possibilidade de um 
discurso instituinte de direito. Curitiba: J. M., 1995, p. 68. 
96 DWORKIN, Ronald. Los Derechos en serio, p. 77-8. 
 
As regras, por sua vez, não possuem esta dimensão, considerando 
que uma vez estabelecido um conflito entre duas regras, uma delas 
não pode ser válida e "la decisión respecto de cual es válida y cuál 
debe ser abandonada o reformada, debe tomarse apelando a 
consideraciones que transcienden las normas mismas. Un sistema 
jurídico podría regular tales conflitos mediante otras normas, que 
prefieran la norma impuesta por la autoridad superior, o la posterior, 
o la más especial o algo similar"
97
. 
 Em que pese não concordar com esta distinção de Dworkin, 
o labor deste jusfilósofo é crucial para bem dimensionas os 
problemas relacionados com o tema dos princípios. A noção de 
princípio em Dworkin pode ser tomada em dois níveis: um interno, 
funcionando em oposição à noção de política e outro externo, em 
oposição à regra jurídica, entabulando-se o já aludido debate com 
Hart, conforme mencionado por Chueri
98
. A primeira distinção - 
princípio e política - é fundamental para afastar o entendimento de 
que o juiz, nos casos difíceis, age com discricionariedade. A 
resolução daqueles casos não submetidos a uma regra específica 
poderia ser encontrada neste material jurídico. Diretriz política seria 
um standard que propõe um objetivo a ser alcançado, geralmente 
uma melhora em algum traço econômico, político ou social da 
comunidade, conforme já mencionado antes. Já, os princípios, 
igualmente seriam standards que devem ser observados, não porque 
favoreçam ou assegurem um situação econômica, política ou social 
considerada desejável, mas porque trata-se de uma exigência de 
justiça, de equidade ou outra dimensão da moralidade. 
 Os princípios jurídicos, dentro da concepção de Dworkin, 
também ocupam uma função primordial em sua "Tese da Resposta 
Correta", tantas vezes mal compreendida por diversos autores. Uma 
vez estabelecido que o sistema jurídico não é formado apenas por 
regras, mas igualmente por princípios, não é possível sustentar o 
entendimento que o juiz, no caso de indeterminação de regras, 
utiliza a discricionariedade, estabelecendo, assim, outra crítica ao 
positivismo jurídico: "Los positivistas sostienen que cuando un caso 
no puede subsumirse en una norma clara, el juez debe ejercer su 
 
97 DWORKIN, Ronald. Los Derechos en serio, p. 78. 
98 CHUERI, Vera Karam de. Filosofia do Direito e Modernidade, p. 73. 
 
discreción para decidir sobre el mismo, estableciendo lo que resulta 
ser un nuevo precedente legislativo"
99
. 
 No entendimento de Dworkin, dizer que quando não se 
dispõe de uma regra clara, a decisões decorrem da 
discricionariedade, no sentido de juízo, seria uma tautologia. A tal 
conclusão somente poder-se-ia chegar caso se considerasse como 
facultativo para os juízes a utilização dos princípios: 
 
...decir que quando un juez se queda sin normas tiene 
discreción, en el sentido de que no está limitado por estándar 
alguno procedente de la autoridad jurídica, que decir que los 
estándares jurídicos que citan los jueces, y que no son normas, 
no son obligatorios para ellos100. 
 
 Para Dworkin, de fato, não se pode geralmente demonstrar a 
autoridade ou peso de um princípio, como se pode comprovar a 
validade de uma regra, por exemplo, localizando-a em uma ata do 
Congresso ou na opinião de um tribunal autorizado. No entanto, 
"podemos defender un principio -y su peso-apelando a una 
amalgama de prácticas y de otros principios en la cual cuenten las 
implicaciones de la historia legislativa y judicial, junto con 
referencias a prácticas y sobreentendidos comunitarios"
101
, sendo 
que a prova da solidez de um princípio acaba constituindo-se em 
uma questão de juízo, sendo plenamente possível haver desacordo 
entre homens razoáveis. 
 Segundo Dworkin, um modelo que leve em consideração o 
papel dos princípios no Direito apresenta vantagens sobre o modelo 
positivista que os exclui. 
 Outro aspecto a ser colocado, é que a existência de um 
princípio jurídico não se constitui em algo que pode ser constatado 
fora do juízo normativo. Dizer que um princípio é um princípio 
jurídico não pode ser compreendido como exercício que se esgote 
na constatação sociológica ou histórica sobre os comportamentos de 
uma determinada sociedade observada pelos operadores do direito,