Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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sabe e onde se encontram os conteúdos que sabe. 
Bem referido por Henriques e Medeiros
133
, \u201co trabalho de leitura 
não pode ser feito confiando apenas na memória. Por isso, a 
necessidade da tomada de notas, ou realização de um relatório de 
leituras\u201d. Para minimizar problemas desta natureza, 
 
Tomar notas é indispensável para concretizar seus 
esforços, fixar ao mesmo tempo sua atenção e as ideias, 
preparar um exercício escolar, aumentar sua cultura, criar 
instrumentos de trabalho duradouros que aliviarão os 
esforços ulteriores e permitirão as revisões
134
. 
 Por conseguinte, se a leitura possibilita com que seu 
operador perceba as situações nela contidas, as anotações deixam à 
mão os conteúdos que foram alcançados pelo estudo. 
 A técnica de anotações para rememoração é chamada 
comumente de fichamento, em virtude do modo de catalogação 
empregado pelo abade e botânico francês Jean-Baptiste François 
Rozier no século XVIII
135
 e que foi amplamente difundido nos 
centros de estudo até o advento dos recursos em tecnologia da 
informação para processamento de dados: basicamente, consistia no 
apontamento preciso dos dados os quais se carece rememorar de 
modo simples (títulos, autores, assuntos, edições, etc.); aplicado ao 
 
133 P. 85. 
134 FOLSCHEID et al., p. 23. 
135 LAKATOS et. al, p. 17-18. 
 
estudante, o fichamento é o espaço \u201cem que você anota com 
exatidão todas as referências bibliográficas concernentes a um livro 
ou artigo, explora-lhe o conteúdo, tira dele citações-chaves, forma 
um juízo e faz observações\u201d
136
. 
 Autores da linha da Metodologia da Pesquisa apontam 
variedade nos tipos e formas de fichamento; em todos, contudo, há a 
proposta de sistematização sucinta de matéria, sob a forma de 
resumos ou \u201crecortes\u201d de passagens das obras. A conveniência 
também recomenda que já estejam ali apontadas as referências 
bibliográficas, algumas linhas sobre o autor (quando pouco 
conhecido) e alguns comentários pessoais, que facilitem o trabalho. 
Por óbvio, a deliberação sobre o volume de anotações é diretamente 
proporcional aos interesses do pesquisador e da matéria contida na 
fonte fichada, cabendo também citações ipsis litteris em situações 
de relevância \u2013 ou seja, as fichas devem ser absolutamente práticas, 
para que sirvam efetivamente como instrumento de trabalho a um 
conjunto de reflexões do próprio pesquisador, e não como apenas 
um dispêndio de tempo e esforço para mera introdução de 
concepções alheias. 
 Deste modo, com as observações feitas acima, convidamos 
o leitor a um passeio pelas narrativas mais significativas da 
humanidade para o Direito. 
 
 
 
 Este trabalho tem por objetivo observar características 
consideradas importantes acerca da História do Direito, a qual, em 
seu sentido mais amplo, abarca três aspectos: 
 
a) História do Direito Romano; 
b) História universal do Direito; 
c) História dos direitos nacionais. 
 
 A História do Direito Romano está incluída em quase todas 
as grades curriculares das Faculdades de Direito de nossas 
Universidades e englobam, com pequenas variações: a História do 
 
136 ECO, Humberto. Como se faz uma tese. 22. ed. São Paulo: Perspectiva, 2009, p. 96. 
 
Direito Romano desde a fundação de Roma até Justiniano e a 
recepção do Direito Romano na Europa, suas fontes formais, o 
direito processual civil; os direitos reais, os contratos, as obrigações 
e o direito sucessório. 
 Desta forma, é apresentada aos estudantes a evolução do 
Direito Romano e, por outro lado, a parte dogmática, ou seja, as 
instituições que exerceram grande influência em nosso Direito Civil. 
 A História universal do Direito está incluída nos planos de 
ensino de nossas Faculdades. Referência neste sentido são as obras 
referenciais de Gilissen
137
 e David
138
, os quais apresentam de 
maneira clara a evolução do direito. 
 As atuações do homem, tanto no âmbito social como 
privado, costumam deixar vestígios. É desta forma que tomamos 
conhecimento de passados culturais, religiões e políticas diversas, 
sistemas econômicos distintos e um sem número de normas jurídicas 
que os regem. Todos os feitos passados constituem o que é a 
história, a qual a doutrina divide em duas grandes classes: 
 
- Historicidade ou história: constituída pelo conjunto de 
acontecimentos, situações e fatos que ocorreram no passado, fatos 
realizados pelo homem, existentes independentemente do 
historiador. 
- Historiografia: compreende o conjunto de obras escritas sobre 
temas históricos. É o relato, a narração que nos faz o historiador, a 
recriação do passado e sua reflexão sobre ele
139
. 
 
 Acreditam os autores deste texto que a vida jurídica, e com 
isto querem dizer também a do homem, não pode ser determinada 
com a exatidão da matemática, levando em consideração, é claro, 
que aspiram ao mínimo possível de erros quanto aos fatos referidos. 
Segundo Ortega y Gasset
140
 \u201cporque isto, ser imprevisível, ser um 
 
137 GILISSEN, John. Introdução histórica ao direito. Trad. de A. M. Hespanha e L. M. Macaísta 
Malheiros. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1979. 
138 DAVID, René. Os grandes sistemas do direito contemporâneo, 4. ed. Rio de Janeiro: Martins 
Fontes, 2002. 
139 Martins, R. A. (2004). Ciência versus historiografia: os diferentes níveis discursivos nas obras sobre 
história da ciência. In: A.M.A. Goldfarb & M.H.R. Beltran (orgs.) Escrevendo a história da ciência: 
tendências, propostas e discussões historiográficas. São Paulo: EDUC/Livraria da Física/Fapesp, 
pp.115-147. 
140 José Ortega y Gasset. Filósofo, ativista político e jornalista espanhol. 
 
horizonte sempre aberto a toda possibilidade, é a vida autêntica, a 
verdadeira plenitude da vida\u201d e, em \u201cIdeas y Creencias\u201d
141
 agrega: 
 
causa-nos satisfação reconhecer nossa própria limitação, 
assim podemos buscar superá-la. É um privilégio para o 
homem poder testar seus próprios limites e ver que ele 
termina aí, mas não o mundo. Deste modo, o limite fica 
transfigurado em doce fronteira. Tranquiliza-nos pensar 
que onde nós concluímos, começam outras coisas e que 
nelas, por acaso, se encontram as partes que nos faltam. 
 
 Ao fazer um estudo histórico do Direito, não podemos 
esquecer o que o religioso e filósofo espanhol Jaime Luciano 
Balmes
142
 dizia: 
 
A História da Filosofia é a história das evoluções do 
espírito humano em sua porção mais ativa, mais agitada, 
mais livre: não há uma só órbita, senão muitas, diversas e 
irregulares: se se pretende dar-lhe contornos demasiado 
precisos, há o perigo de desfigurá-las, no seu objeto 
específico, tornando-a indefinida, vaga; retratar com 
satisfação é retratar com verdade. 
 
 
 Nosso íntimo propósito, acerca da história do ser humano, é 
dar uma visão abrangente, não em um período ou lugar 
determinado, mas mediante uma exposição que una os pensamentos 
mais destacados de todas as épocas. Fazer uma caminhada 
realizando um resumo do pensamento jurídico através do tempo é 
como entrar em um maravilhoso e multifacetado laboratório 
experimental, observando e aproveitando, com o desejo de elaborar 
o sistema mais perfeito possível, de bem estar social e justiça. 
 Segundo Jacqueline Romão
143
, 
 
 
141 ________________. Ideas y creencias. Obras completas. 2. ed. Madrid: Editorial Alianza, 1994, 
p.335. 
142 BALMES, Jaime Luciano. Filosofia fundamental. Tomo I. Caracas: Editora Sopena, 1942, p.23. 
143 ROMÃO, Jacqueline Moura; CAVALCANTI,