Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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cuneiforme
155
. Conforme Romão
156
, não se pode negar que embora 
não tenham existido Códigos propriamente ditos, mas ensinamentos 
aos juízes, em que cada frase diz respeito a um caso concreto e dá a 
solução jurídica, sendo, portanto, de base jurisprudencial, 
constituíram os primeiros esforços da humanidade para formular 
regras de Direito. São apontados como modelos destes direitos, os 
seguintes conjuntos de normas: 
 
a) Código de Ur-Nammu 
b) Código de Lipit-Ishtar 
c) Leis de Eshnunna 
d) Código de Hammurabi 
 
 
152 DURANT, op. cit., p. 151. 
153 BOUZON, Emanuel. As leis de eshnunna. Petrópolis: Vozes, 1981, p. 15 e seg. 
154 BOTTÉRO, Jean. Mesopotamia: la escritura, la razón y los dioses. Madrid: Cátedra, 2004, p. 191. 
155 Designação geral dada a certos tipos de escrita feitas com auxílio de glifos (entalhes) em formato 
de cunha. É, juntamente com os hieróglifos egípcios, o mais antigo tipo de escrita, tendo sido criado 
pelos Sumérios na antiga Mesopotâmia por volta de 3500. 
156 ROMÃO, op. cit., p. 48 e segs. 
 
 Tais conjuntos de regramentos traziam estipulações para 
casos como lesão corporal, casamento, crimes contra o patrimônio, 
direito penal, fixação de competência, etc. 
 A sentença estabelecida no § 196 do Código de Hammurabi 
indica o que passou a posteridade como \u201cLei de Talião\u201d, qual seja, 
\u201ctal qual\u201d, que significa \u201colho por olho, dente por dente, braço por 
braço, pé por pé, vida por vida\u201d. Os babilônios dominaram a 
matemática, astronomia, geografia e a medicina, ciências que nas 
mãos dos gregos iriam atingir seu apogeu. 
 
 Quanto ao aos hebreus, a compreensão de sua orientação 
religiosa nos permite a compreensão de suas características sociais. 
A Bíblia, mais especificamente no trecho compreendido pelo Antigo 
testamento
157
, é a referência para entendermos a história deste povo. 
De acordo com as escrituras sagradas, por volta de 1800 a.C. 
Abraão recebeu um sinal de Deus para abandonar o politeísmo e ir 
viver em Canaã. Os hebreus são um povo com origem semita que se 
diversificaram de outros povos contemporâneos a eles por meio de 
uma crença religiosa monoteísta e por possuírem um líder religioso, 
Moisés. A palavra \u2018hebreu\u2019 significa, de maneira literal: \u201cpovo do 
outro lado do rio\u201d, referindo-se ao Rio Eufrates
158
. 
 O Estado Hebreu foi uma teocracia, limitada, por um lado, 
pelos preceitos da lei divina, estabelecida por Jeová, e, por outro, 
pela fiscalização das doze tribos, os quais impediam que o rei se 
afastasse dos livros sagrados. O Direito, na Lei Mosaica, é 
concebido como de origem divina, sendo Deus a última fonte e 
sanção de toda regra de comportamento
159
. 
 
 
 
 
 
157 Composição de 39 livros, que compreendem o período desde a criação do mundo até o domínio 
persa sobre Jerusalém (cerca de 400 a.C.), ao qual os judeus denominam Tanakh. 
158 WEBER, Alfred. História sociológica da cultura. Trad. M.E. Costa da Fonseca e M. M. Duarte 
Sequeira. São Paulo: Ed. Mestre Jou, 1970, p. 114. 
159 ROMÃO, op. cit., p.71. 
 
 
 Gustave Glotz
160
 diz que a característica mais notável da 
Grécia antiga, a razão profunda de todas as suas grandezas e de 
todas as suas fraquezas é ter sido repartida numa infinidade de 
cidades que formavam um número correspondente de Estados. Na 
verdade, as condições geográficas da Grécia contribuíram 
fortemente para der-lhe a sua feição histórica. Seu território, 
formado por depressões cercadas de montanhas, possibilitou a 
formação de inúmeras pequenas sociedades. 
 Ainda segundo Glotz, 
 
A fragmentação física determina, ou pelo menos facilita, a 
fragmentação política. Para cada compartimento existe uma 
nacionalidade distinta. Imaginem-se, num vale fechado, 
pastagens banhadas por riachos, bosques sobre as colinas, 
pradarias, vinhedos e olivais que deem para alimentar 
algumas dezenas de milhares de habitantes, raramente mais 
de cem mil, e, mais adiante, um outeiro que pode servir de 
refúgio em caso de ataque e um porto para o contato com o 
exterior, e ter-se-á uma ideia do que é para um grego um 
Estado autônomo e soberano 
161
. 
 
 
 Cidade e urbe não eram palavras sinônimas entre os antigos. 
A cidade era a associação religiosa e política das famílias e das 
tribos; a urbe, o lugar de reunião, o domicílio, e, sobretudo, o 
santuário dessa associação
162
. Os gregos, como os italianos, 
acreditavam que o local de uma cidade devia ser escolhido e 
revelado pela divindade. 
 Nicholson
163
 mostra que o historiador grego Tucídides, 
recordando o dia da fundação de Esparta, menciona os cantos 
 
160 GLOTZ, Gustave. A cidade grega. Trad. Henrique de Araújo Mesquita e Roberto Cortes de Lacerda. 
São Paulo: Difel, 1979, p. 1. 
161 GLOTZ, op. cit., p. 71. 
162 COULANGES, Fustel. A cidade antiga. São Paulo: Edameris, 1966, p. 185. 
163 NICHOLSON, Robert. A Grécia antiga. São Paulo: Edições Loyola, 1996, p. 45. 
 
piedosos e os sacrifícios daquele dia e que os atenienses jamais 
fundavam uma colônia sem obedecer a um ritual particular. 
 Esses costumes nos dizem claramente o que era uma cidade 
no pensamento dos antigos. Fechada dentro de limites sagrados, 
estendendo-se ao redor do altar, a cidade era o domicílio religioso, 
que recebia deuses e homens. Quando sobrevém uma nova fase, em 
que os gregos se dispersam por todo o litoral do Mediterrâneo, em 
busca de terras e clientes, o comércio e a indústria adquirem um 
ritmo inusitado. 
 
 Conforme Raquel de Souza
164
, os gregos não estabeleciam a 
diferença entre direito público e privado, civil e penal, mas, no 
direito processual existia uma diferenciação quanto à forma de se 
mover uma ação: ação pública e ação privada. A pública tratava de 
conflitos com o Estado, sendo que qualquer cidadão era apto a 
iniciá-la, e a privada só em conflitos judiciários e reservada aos 
envolvidos na ação. 
 Cabia aos próprios lesados abrirem processos, defender-se, 
tomar a palavra, levantar testemunhas, isto é, eles não podiam contar 
com o auxilio de advogados, como conhecemos hoje. O sucesso da 
defesa ou da acusação cabia a arte de persuadir do próprio 
indivíduo. 
 Cretella Júnior165 nos diz que \u201cna Grécia antiga, pela 
primeira vez, o direito é objeto de profundos e específicas 
indagações filosóficas, deixando de ser privativo dos sacerdotes, dos 
monarcas e dos moralistas, para ser cultivado por filósofos e 
juristas.\u201d 
 Paulo Dourado de Gusmão
166
 ensina que 
As leis gregas, a partir do século VI a.C., diferenciavam-se das 
demais leis da Antiguidade por serem democraticamente 
 
164 SOUZA, Raquel de. O direito grego antigo. In: WOLKMER, Antônio Carlos. Fundamentos de História 
do Direito. 3. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2006. Cap. 3, p. 37-66. 
165 CRETELLA JÚNIOR, José. Introdução ao Estudo do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1984, p. 215. 
166 GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 1983, p. 307. 
 
estabelecidas. Não eram decretadas pelos governantes, mas 
estabelecidas livremente pelo povo na Assembleia. Resultavam, 
pois, da vontade popular. [\u2026] Lançaram as bases da 
Democracia. Devemos a eles o princípio do primado da lei, 
incorporado à Cultura Ocidental. A justiça, pode-se dizer, era a 
meta do direito grego, confundida sempre com o bem da Pólis. 
 
 Assim, podemos entender que a civilização grega foi, sem 
contestação, a mais marcante e expressiva de que se tem 
conhecimento na história