Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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do homem na face da terra. O sistema 
jurídico atingiu pontos culminantes com seus vigorosos pensadores. 
Pela primeira vez, na história da civilização, fala-se em 
democracia
167
. 
 A definição de Justiça na Grécia variava de cultura para 
cultura, de cidade-estado para cidade-estado, de cidadão para 
cidadão. Aristóteles pregava que \u201co homem, quando não 
aperfeiçoado, é o melhor dos animais; mas quando isolado da lei e 
da justiça, é o pior de todos\u201d
168
. Drácon, Sólon, Clístenes e Péricles 
foram grandes legisladores atenienses. Ao primeiro foi atribuída a 
tarefa de fazer as leis por escrito, por volta de 621 a.C. O que se 
sabe é que sua legislação tinha por objetivo acabar com a 
arbitrariedade e as lutas entre as famílias mais poderosas de Atenas. 
A lendária severidade das penas previstas por Drácon, que legará à 
língua portuguesa o adjetivo draconiano, importa sobretudo pelo 
significado de passagem à escrita jurídica
169
. 
 No século seguinte, Sólon torna-se mais conhecido e mais 
célebre. Aboliu as leis draconianas, deu origem ao bicameralismo e 
criou um tribunal cujo espírito era assegurar uma melhor igualdade 
da lei e de sua aplicação
170
. 
Clístenes reformou as leis de Sólon, implantando uma democracia 
mais apurada; estabeleceu novo sistema eleitoral e introduziu 
normas e preceitos que enfraqueceram politicamente a 
aristocracia
171
. 
 
167 REIS, Clayton. Dano Moral. Rio de Janeiro: Forense, 1991, p. 15. 
168 ARISTÓTELES. A Política. Trad. Torrieri Guimarães. São Paulo: Hemus, 2005, p. 16. 
169 BILLIER, Jean-Cassien; MARYIOLE, Aglaé. História da filosofia do direito. Trad. Mauricio de 
Andrade. Barueri, SP: Manole, 2005. p. 54. 
170 BILLIER, op. cit., p. 55. 
171 ROMÃO, op. cit., p. 116. 
 
 Péricles pertencia uma das mais nobres famílias de Atenas. 
Sua autoridade era tão grande que o período de seu governo passou 
a ser conhecido como a Época de Péricles. Seu objetivo era fazer de 
Atenas uma democracia ideal, em que houvesse equilíbrio entre os 
interesses do Estado e dos cidadãos. O historiador Tucídides 
transcreveu em sua obra a famosa Oração fúnebre
172
 de Péricles, 
que o estadista teria pronunciado durante as cerimônias em 
homenagem aos atenienses mortos no primeiro ano da Guerra do 
Peloponeso. 
 A corrupção não é um privilégio moderno ou de alguns 
países menos desenvolvidos da atualidade. A legislação grega já a 
previa, sendo clara ao estabelecer que 
 
Se um ateniense aceita suborno, ou se ele mesmo o oferece a 
um outro (ateniense), ou corrompe alguém com promessas 
em detrimento das pessoas ou de qualquer dos cidadãos 
individualmente, por quaisquer meios ou dispositivos, será 
destituído de seus direitos, ele e seus filhos, e sua 
propriedade será confiscada
173
, 
 
como já havíamos dito anteriormente, utilizando as palavras de Will 
Durant, o desenvolvimento dos seres humanos não pode ser 
interrompido, a civilização caminha para diante. 
 Os romanos já estavam expostos à influência grega antes 
mesmo de serem identificados como tal. No séc. VIII a.C. ocorre o 
primeiro encontro entre ambas as civilizações. Naquele momento 
representavam o oposto uma da outra: os gregos eram cultos, 
 
172 Trecho: \u201cVivemos sob uma forma de governo que não se baseia nas instituições de nossos 
vizinhos; ao contrário, servimos de modelo a alguns ao invés de imitar outros. Seu nome como tudo 
depende não de poucos, mas da maioria, é democracia. Nela, enquanto no tocante às leis todos são 
iguais para a solução de suas divergências privadas, quando se trata de escolher (se é preciso 
distinguir em qualquer setor), não é o fato de pertencer a uma classe, mas o mérito, que dá acesso 
aos postos mais honrosos; inversamente, a pobreza não é razão para que alguém, sendo capaz de 
prestar serviços à cidade, seja impedido de fazê-lo pela obscuridade de sua condição. Conduzimo-nos 
liberalmente em nossa vida pública, e não observamos com uma curiosidade suspicaz a vida privada 
de nossos concidadãos, pois não nos ressentimos com nosso vizinho se ele age como lhe apraz, nem 
o olhamos com ares de reprovação que, embora inócuos, lhe causariam desgosto. Ao mesmo tempo 
em que evitamos ofender os outros em nosso convívio privado, em nossa vida pública nos afastamos 
da ilegalidade principalmente por causa de um temor reverente, pois somos submissos às 
autoridades e às leis, especialmente àquelas promulgadas para socorrer os oprimidos e às que, 
embora não escritas, trazem aos transgressores uma desonra visível a todos\u201d. 
173 ARNAOUTOGLOU, Ilias. Leis da Antiga Grécia. São Paulo: Odysseus, 2005, p. 155. 
 
sofisticados e intelectuais, enquanto os romanos ainda eram rudes 
fazendeiros, de costumes austeros
174
. 
 A história de gregos e romanos se sucedem temporalmente, 
como dois grandes períodos da vida da humanidade, derivando um 
do outro. A história romana é, de certo modo, a continuação e 
consequência da história da Grécia. 
O império romano ainda nos dias atuais é cultuado como 
uma das mais belas organizações sociais que já existiram no mundo. 
Conforme mencionado antes, é notório que o povo de Judah nos deu 
a religião, os egípcios belas construções, o povo da Grécia nos 
ofertou as artes, mas o romano nos presenteou com as leis e o 
modelo de perfeição jurídica. 
 A origem de Roma é permeada por duas lendas
175
: a de 
Eneias, o troiano fugitivo que veio estabelecer-se na região do Lácio 
(séc. XII a.C.) e fundou Lavínia, de onde Roma nasceria depois e a 
mais conhecida, atribuída a Rômulo e Remo, conhecidos como os 
fundadores de Roma (753 a.C.). Tal evento se consolidou, quando 
Rômulo traçou ao redor do Palatino, uma das \u201csete\u201d colinas, 
consideradas o sulco sagrado e primeiro contorno urbano. É 
considerado pela História como o primeiro Rei de Roma e como 
tendo se transformado no Deus Quirino, passando a ser o protetor de 
todos os romanos. Roma teve seu período de Realeza, depois passou 
a ser República, até chegar a ser Império. Foi neste regime que a 
nação mais se destacou, deixando seu nome cravado para sempre 
nos anais da História
176
. 
 Nesta pós-modernidade o que mais nos surpreende é o 
número de livros publicados que apresentam uma imagem 
desidealizada de Roma. Sua política era corrupta, prevalecia a \u201clei 
do mais forte\u201d; em suas relações privadas os romanos eram 
 
174 PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de história da cultura clássica. 3. ed. Lisboa: Fundação 
Calouste Gulbenkian, 1970, I vol. Cultura grega. p. 455. 
175 Desde a Antiguidade já se suscitava qual era a origem geográfica dos etruscos, fundadores 
originários de Roma. Entre eles, Heródoto,Tito Lívio, Dionisio de Halicarnasso e Sêneca. 
176 ARRUDA, José Jobson de A. História antiga e medieval. 2. ed. São Paulo: Ática, 1977, p. 189/190. 
 
machistas, vulgares e sem misericórdia, tolerando sem problemas de 
consciência o infanticídio, por exemplo
177
. 
 
 
 No início, a economia romana baseava-se 
fundamentalmente nas atividades agropastoris, onde os camponeses 
dedicavam-se ao cultivo da terra e ao pastoreio
178
. 
 Primeiramente, Roma adotou como regime político a 
Monarquia, onde o rei desempenhava as funções de sumo sacerdote, 
juiz supremo e comandante militar. Não existem, conforme a 
doutrina, informações exatas sobre este período. Os dados 
conhecidos foram obtidos da interpretação das lendas que contam os 
principais acontecimentos durante os sete reinados dessa época
179
. 
 Documento básico no qual é possível entrever informações 
sobre a fundação de Roma é a Eneida, uma