Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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epopeia em doze cantos, 
escrita em versos por Virgílio, para celebrar a origem e o 
crescimento do império romano
180
. 
 A substituição da Monarquia pela República foi um ato dos 
patrícios para recuperar o poder que haviam perdido com os últimos 
reis. Na sua vigência, o poder que antes era exercido pelo rei foi 
partilhado por dois cônsules, eleitos para um mandato de um ano. 
 As disputas senatoriais deixaram a república deteriorada e 
oportunizaram o surgimento de uma fase personalista e 
autocrática
181
, centrada na figura do \u201cCésar\u201d, máxima autoridade 
militar, política e religiosa. Sua mão firme e única levou mais longe 
as fronteiras de Roma, mas, por outro lado, rompeu os laços de 
união do poder político com o povo. Os primeiros imperadores 
deram-se conta que a não existência de engrenagens intermediárias 
que conectassem a cabeça do Estado com as massas os distanciava 
do povo. Por esta razão, os jogos realizados poderiam servir como 
elemento de vinculação com a plebe. A importância que estes 
 
177 VEYNE, Paul. Sexo y poder em Roma. Barcelona: Paidós Ibérica, 2010, p. 87. 
178 GRIMAL, Pierre. Historia de Roma. Madrid: Editorial Paidós, 2005, p. 37. 
179 ARRUDA, op. cit., p. 193. 
180 VIRGÍLIO. Eneida. Trad. Tassilo Orpheu Spalding. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1990. 
181 Autocracia: governo de um príncipe, com poderes ilimitados e absolutos. Autocrata é o soberano 
absoluto e independente. 
 
espetáculos adquiriram para o controle social determinou seu 
monopólio na época imperial
182
. 
 O Império sucedeu à República, tendo tido duração de 27 
a.C. até 476 d.C. Esse período representa o auge da idade de ouro da 
literatura latina, em que se destacam as obras poéticas de Virgílio, 
Horácio e Ovídio e a obra em prosa de Tito Lívio. 
 A sociedade romana se baseava numa organização social 
desigual, assim como muitas sociedades de civilizações antigas. Era 
uma sociedade que possuía pouca mobilidade social. Mas, a longo 
prazo, algumas camadas conquistaram direitos sociais, como foi o 
caso dos plebeus que através de sua organização e luta adquiriram 
direitos políticos. 
 A sociedade romana era dividida em quatro grupos 
sociais distintos: 
- Patrícios: descendentes das primeiras famílias que 
povoaram Roma, eram proprietários de terras e 
ocupavam importantes cargos públicos. 
Considerados cidadãos romanos, possuíam riqueza 
e escravos. Ocupavam o topo da pirâmide social 
romana, compondo a minoria da população. 
- Plebeus: formando a maioria da sociedade 
romana, a Plebe era composta basicamente por 
pequenos comerciantes, artesãos e outros 
trabalhadores livres. Possuíam poucos direitos 
políticos e pouca participação na vida religiosa. 
- Clientes: embora livres, os clientes eram ligados 
aos patrícios, pois possuíam uma forte relação de 
dependência. Esta classe era formada basicamente 
por estrangeiros e refugiados pobres. Tinham apoio 
econômico e jurídico dos patrícios, porém lhes 
deviam ajuda em trabalhos e questões militares. 
 
182 ROLAND, Auguet. Crueldad y civilización: los juegos romanos. Barcelona: Orbis, 1985, p. 89. 
 
- Escravos: camada sem nenhum direito social em 
Roma, os escravos eram considerados coisa, objeto, 
sendo vendidos como mercadoria para patrícios e 
plebeus; não recebiam pagamentos pelo trabalho 
realizado, mas apenas comida e roupas. Seus 
proprietários podiam abandoná-los, fustigá-los e 
mesmo matá-los. 
 
 Segundo Jacqueline Romão, somente na República, e sob a 
influência de novos conceitos, a escravidão foi sendo atenuada, com 
os escravos passando a gozar de pequenas regalias, tais como o 
direito de se unirem num matrimônio específico, chamado 
contubérnio, assistirem ao culto de seus senhores, etc. 
 A Roma imperial se distinguiu por vários aspectos, entre 
eles sua maneira de entender o ócio e a forma pela qual o poder o 
utilizou para os seus próprios fins. As autoridades sempre 
mostraram-se dispostas à organização de espetáculos com os quais 
atrair para si a simpatia do povo. Foi a política do \u201cpão e circo\u201d, 
como a definiu o poeta satírico Juvenal, em finais do século I. 
Execuções, banquetes, lutas de feras, desfiles militares, 
representações náuticas
183
. Eram manifestações lúdicas que 
excitavam e entretinham a plebe com o objetivo de obter a 
aprovação política. 
 
 
 
 Cezar Roberto Bitencourt apregoa que \u201cO primeiro Código 
Romano escrito foi a Lei das XII Tábuas, contendo ainda as normas 
do Talião e da composição que resultou da luta entre patrícios e 
plebeus. Essa lei inicia o período dos diplomas legais\u201d
184
. 
 O mesmo autor prossegue dizendo que \u201cO Direito Romano 
oferece o ciclo jurídico completo, constituindo até hoje a maior 
fonte originária de inúmeros institutos jurídicos. Roma é tida como a 
 
183 Vide o filme \u201cGladiador\u201d, com o ator Russel Crowe e grande elenco, dirigido por Ridley Scott. 
184 BITENCOURT, Cezar Roberto. Manual de Direito Penal: Parte Geral, Vol. I. 7. ed., São Paulo: 
Saraiva, 2002, p. 283. 
 
síntese da sociedade antiga, representando um elo entre o mundo 
antigo e o mundo moderno\u201d
185
. 
 Para fins de estudo, costuma-se dividir a história do Direito 
Romano em fases, adotando-se para esse fim um critério chamado 
de jurídico-interno, porque privilegia o campo jurídico, sem se 
interessar em demasia pelas questões sociológicas e políticas. 
Assim, o Direito Romano é dividido tradicionalmente em três 
épocas: arcaica, clássica e pós-clássica. 
 A época arcaica foi marcada por uma mistura entre Direito, 
moral e religião, em razão dos sacerdotes pontífices serem os 
juristas aplicadores do direito, o que o acabava vinculando à 
religião. Mas também porque, ao menos nos primeiros séculos, o 
direito romano ainda era muito costumeiro, sendo a fonte principal 
do direito a moralidade dos mais notáveis cidadãos, até o século V 
a.C., provável data de estabelecimento da Lei das XII Tábuas
186
. 
O período clássico foi aquele em que o Direito Romano atingiu o 
seu apogeu, situando-se entre os anos 130 a.C. e 230 d.C. 
 O período pós-clássico situa-se entre os anos 230 e 530 d.C. 
e a decadência é a característica fundamental desta época. A divisão 
final do Império representa para muitos o final da Antiguidade 
clássica, considerando-se que a queda da cidade de Roma, em 
menos de um século daquela data, é mera consequência de um 
processo acelerado de decadência que teve lugar após a morte do 
Imperador Teodósio. 
 A ideia que muitos fazem do Direito Romano hoje foi 
definida no século XIX. Em lugares como a Alemanha ou o Brasil, 
onde códigos civis só entraram em vigor em 1900 e 1917 
respectivamente, os textos que se usavam nas universidades desde o 
século XII (textos organizados fundamentalmente pelo imperador 
Justiniano por volta de 530 de nossa era) serviam como instrumento 
de ensino e, na falta de leis específicas, de suplemento ao direito 
vigente. A sistematização do Direito Romano como o conhecemos 
hoje, foi elaborada na Alemanha desde o século XVIII, tendo em 
Gustav Hugo (1764-1844) sua maior liderança. Friedrich Karl Von 
Savigny (1779-1861, grande adversário das codificações que se 
faziam em seu tempo, conseguiu impor a continuidade do ensino do 
 
185 BITENCOURT, op. cit., p. 214. 
186 LUIZ, Antonio Filardi. Curso de direito romano. São Paulo: Atlas, 1999, p. 256. 
 
Direito Romano na universidade de Berlim e dar-lhe a característica 
de um substituto dos códigos
187
. 
 
 
 A partir do século III,