Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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Contemporâneo se 
constitui em um profundo processo de transformação nas 
constituições modernas, que passam por um processo intenso de 
transformações no século XX e início do século XXI, na esteira das 
mudanças ocasionadas nos Estados Nacionais. 
Atualmente o Estado Federal
224
, sendo tão fortemente 
representado nos Estados Unidos, possui diversos modelos nos mais 
 
224 MAGALHAES, José Luiz Quadros.; ROBERT, Cinthia. Teoria do Estado, Democracia e Poder Local. 
Rio de Janeiro: LUMEN JURIS, 2000. p. 30-2 \u201cO federalismo centrípeto dirige-se ao centro, pois 
historicamente originário de estados soberanos que formaram, no caso norte-americano, uma 
confederação (1777) e posteriormente uma federação (1787), sendo que, nos mais de duzentos anos 
de existência da federação, vem gradualmente centralizando competências \u2013 a União vai 
incorporando competências dos Estados, gradual e lentamente, todos estes anos. entretanto, ao 
 
variados Estados Nacionais \u2014 qualquer que seja a definição sobre 
esse assunto que não conste os Estados Unidos deve ser considerada 
fora da realidade. Sua importância transpõe os limites nacionais 
atingindo a toda a esfera global. A prevalência do conceito racional 
normativo de Constituição com suas divisões de poderes, seus 
direitos, a soberania da lei; sua distinção entre poder constituinte e 
constituído, e divisão entre parte dogmática orgânica significa um 
marco na história, passando a servir como modelo para muitos 
outros momentos de enorme relevância na história da humanidade. 
 
 
A República de Platão pode ser considerada a primeira 
grande obra do pensamento ocidental a abordar de maneira ideal a 
melhor maneira de governar o Estado. O filósofo grego 
praticamente definiu a pauta das discussões relativas à política feitas 
até os dias de hoje, levantando questões como justiça social, divisão 
de trabalho, a propriedade privada e a administração da justiça. 
O pensamento político de Platão foi fortemente marcado 
por duas experiências da juventude do filósofo: a tirania dos Trinta, 
que arruinou as suas esperanças ao cultivar um grave desprezo pelas 
leis; e a condenação à morte de seu mestre Sócrates pelo regime 
 
contrário do que uma leitura apressada possa sugerir, o federalismo centrípeto, justamente por estes 
motivos, é o mais descentralizado, pois se originou historicamente de estados soberanos que se 
uniram e abdicaram de sua soberania, mantendo com eles, entretanto, um grande número de 
competências administrativas e legislativas ordinárias e constitucionais. Esta terminologia com 
frequência causa confusão e por vezes é empregada de maneira equivocada.(...) o grau de 
descentralização é muito grande e é representado pelo grande número de competências 
administrativas, legislativas e jurisdicionais dos Estados membros, que ainda transferem diversas 
competências para os municípios. Embora caminhem em direção ao centro, não se pode afirmar até 
quando permanecerá nesta direção e muito menos que esta centralização tenha sido constante e 
linear. É perceptível que a tendência ao centro, nos momentos de crise grave, é revertida no 
momento de crescimento, o que também não pode ser tomado como uma afirmativa absoluta.(...) O 
federalismo clássico constitui-se no modelo norte-americano, formado por duas esferas de poder, a 
União e os Estados (federalismo de dois níveis), e de progressão histórica centrípeta, o que significa 
que surgiu historicamente de uma efetiva união de estados anteriormente soberanos, que abdicaram 
de sua soberania para formar novas entidades territoriais de direito público internacional) e a União 
(pessoa jurídica de direito público interno), uma dos quais não se coloca em posição hierárquica 
superior (...) no estado federal, os entes descentralizados detêm, além das competências 
administrativas e legislativas ordinárias, também competências legislativas constitucionais, o que 
significa que os estados membros elaboram suas constituições e as promulgam, sem que seja 
possível ou necessária a intervenção do parlamento nacional para aprovar esta constituição estadual 
que sofrerá apenas um controle de constitucionalidade a posteriori. 
 
democrático ateniense
225
. Diante desses fatos, percebe-se que as 
ideias de Platão estão intimamente ligadas com a má administração 
e com a crise da lei em Atenas. Assim, encontrar o fundamento das 
leis do Estado em nome da Justiça e fundar essa última sobre uma 
base sólida, a de uma metafísica das essências, tornou-se sua 
preocupação essencial
226
. 
A Atenas da juventude platônica estava em seu apogeu, 
reinando politicamente e militarmente sobre o mundo grego. As 
assembleias, onde se elegem os comandantes, eram dominadas por 
grandes oradores. Os sofistas, sábios que percorriam as cidades 
oferecendo o serviço do \u201cbem falar\u201d aos jovens ricos, gozavam de 
grandes privilégios. Neste contexto, tudo era \u201cmoral\u201d no grau mais 
elevado, pois a linguagem refletia as coisas tais como elas são. 
Logo, uma ação injusta nunca seria louvada e o verdadeiro nunca 
seria confundido com o falso
227
. 
Nesse contexto, Platão apresentou uma defesa da doutrina 
de seu mestre Sócrates e um ataque a essa relação ético-política 
característica dos sofistas
228
. Visando restabelecer o alcance moral 
do Estado e da Justiça, Platão trata de relacionar a busca do melhor 
regime político possível à do melhor gênero de vida possível
229
. 
Busca a retomada de uma época na qual a linguagem exprimia o 
\u201cverdadeiro\u201d ser das coisas
230
. 
O ensinamento dos sofistas, caracterizado essencialmente 
pela argumentação persuasiva e pelo convencimento, sem qualquer 
vínculo com a busca da verdade, estabeleceu um quadro no qual 
saber falar é suficiente para todo saber, e como todos sabem falar, 
 
225
 BILLIER, Jean-Cassien; MARYIOLI, Aglaé. História da filosofia do direito. Barueri, SP: Manole, 2005. 
p. 74. 
226 BILLIER, Jean-Cassien; MARYIOLI, Aglaé. História da filosofia do direito. Barueri, SP: Manole, 2005. 
p. 74. 
227 ROGUE, Christophe. Compreender Platão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005. p. 9. 
228
 OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e sociabilidade. São Paulo: Edições Loyola, 1993. p. 32. 
229 \u201cTrata-se de encontrar e de fixar, como comenta Castoriadis, um regime que deterá a história! O 
que quer dizer, em primeiro lugar, deter o ciclo dos regimes oligárquicos, de democracia e de tirania 
que se sucedem sempre que a corrupção os destrói, mas também deter o ciclo de soluções técnicas 
em matéria de direito e de política: o direito positivo será colocado sob a tutela da Ideia do Bem e da 
Verdade definitiva. O absolutismo filosófico de Platão é em si mesmo uma revolução\u201d. BILLIER, Jean-
Cassien; MARYIOLI, Aglaé. História da filosofia do direito. Barueri, SP: Manole, 2005. p. 74. 
230 \u201cPlatão partiu para a filosofia baseando-se na miséria do homem, manifestada, sobretudo, na 
polis: de uma constituição má, ele levantou a pergunta pela verdadeira constituição; diante da 
tirania, ele se questiona pelo melhor soberano e, contemplando homens, ele se questiona pelo 
verdadeiro homem\u201d. OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e sociabilidade. São Paulo: Edições Loyola, 
1993. p. 34. 
 
todos têm uma opinião legitima
231
. Para Platão isso significava a 
ruína de todo saber, pois as injustiças e as más ações são, acima de 
tudo, fruto de uma ignorância fundamental
232
. Politicamente 
falando, este cenário levaria a perdição da cidade, pois não se pode 
conceder as decisões à maioria, tirando-as do mais competente. A 
cidade, sob o reinado do discurso, sucumbe