Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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de mais um dia de vida, ou até menos do que isso. 
10 Numa renovação tanto positiva quanto metafísica, deve-se considerar a concepção de uma ciência 
do homem como uma teoria em permanente construção e nunca um edifício terminado (MORIN, 
Edgar. O paradigma perdido: a natureza humana. 3a. Ed., 1973. Trad. Hermano Neves, p. 209). 
 
Heráclito no rio que nunca cessa de correr e no tempo que sempre 
nos amadurece \u2013 ou melhor, pode nos amadurecer \u2013 ou não. Fica 
aqui o convite. 
 
ENGISCH, Karl. Introdução ao pensamento jurídico. Lisboa: 
Calouste Gulbenkian: 1999. 
 
JAEGER, Werner. Paideia: A formação do homem grego. Trad. 
Artur M. Parreira. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995. 
 
LAMEGO, José. Hermenêutica e jurisprudência. Lisboa: 
Fragmentos, 1990. 
 
MACINTYRE, Alasdair. Justiça de quem? Qual racionalidade? 
São Paulo: Loyola, 1987. 
 
MATTÉI, Jean-François. A barbárie interior: ensaio sobre o i-
mundo moderno. Trad. Isabel Maria Loureiro. São Paulo: UNESP, 
2002. 
 
MORIN, Edgar. O paradigma perdido: a natureza humana. Trad. 
Hermano Neves. 3. ed. 1973. 
 
VERNANT, Jean-Pierre. As origens do pensamento grego. Trad. de 
Ísis Borges B. da Fonseca. 11. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 
2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O propósito deste capítulo é esclarecer o corpo discente do 
Curso de Direito da Instituição a respeito do programa da disciplina 
que envolve a língua portuguesa. Por que isso é necessário? Porque 
o aluno
11
 chega no ensino superior com a \u201ccerteza\u201d de que as 
disciplinas de português repetirão os conteúdos apresentados no 
ensino fundamental e médio, esperando talvez uma exigência maior 
em termos de aplicabilidade, mas sempre esperando aquele 
emaranhado de regras que o deixam confuso e sem saber como e 
onde empregá-las. E o que ele assiste é uma mudança praticamente 
radical no tratamento da linguagem em sala de aula. E isso se 
constitui como um problema de vários níveis, que partem do 
conhecimento novo, passando pela reorganização mental em termos 
de aprendizado linguístico e, claro, preocupação com o desempenho 
nas provas e a sua consequência nas notas que compõem o currículo 
universitário. 
 
11 A expressão \u201co aluno\u201d é uma generalização, não atingindo a todos em função de que o ensino de 
base já está trabalhando com abordagens sociolinguísticas, que é o estudo da linguagem no meio 
social, privilegiando a função e objetivos em detrimento da carga dos estudos normativo-prescritivos 
que o \u201cengessa\u201d em termos de aplicabilidade. 
 
Mas para despreocupá-lo nesse sentido, torna-se necessária 
a observação de que a sua aplicabilidade é para além da sala de aula: 
a vida, seja pessoal ou profissional; concursos; ENADE
12
, etc. 
Diante disso, serão expostos ao longo deste capítulo 
segmentos com os tipos problemas ocasionados pela alteração do 
enfoque linguístico como também as suas justificativas para 
esclarecer o aluno e deixá-lo com a certeza de que a mudança 
metodológica é, além de acadêmico-produtiva, o caminho para sua 
capacitação como indivíduo. 
Mas antes de dar continuidade, importante ressaltar a 
proposta deste livro, que está bem definida pela coordenadora do 
Curso de Direito do Cesuca, professora Dra. Ângela Kretschmann, 
na sua própria apresentação: os porquês de cada disciplina, fazendo 
com que o aluno vislumbre a sua aplicabilidade e já consiga dia a 
dia construir o seu conhecimento jurídico de forma prática e 
consciente. Na leitura preliminar dessa introdução, estão presentes 
algumas indagações que suscitaram, de forma subliminar, a 
necessidade de alguns esclarecimentos de como a Língua 
Portuguesa atua efetivamente no Curso de Direito e em algumas 
disciplinas em especial. 
 
 
Na primeira passagem: 
 
Os cursos jurídicos em geral possuem como determinação 
proporcionar ao estudante de Direito um conteúdo básico 
vinculado às chamadas disciplinas propedêuticas, que 
cumprem a função de estabelecer uma estrutura, uma base 
fundante para o futuro jurista. 
 
 O aluno precisará pesquisar algumas palavras para saber de 
seus significados, principalmente aquelas que não são comuns na 
informalidade. São apresentadas a ele as possibilidades 
tecnológicas
13
 para acelerar a sua procura e fazer com que o motive 
para investigações nessa área. Um exemplo bem claro dessa 
 
12 Exame Nacional de Desempenho do Estudante, que é uma exigência do MEC para aferição 
acadêmica. 
13 Dicionários eletrônicos, mais conhecidos como digitais. 
 
aceleração é o efeito visual provocado pelos campos linguísticos 
presentes nessa apresentação, ou seja, é o efeito de imagens mentais 
expressivas que envolve esse aluno em função da pluralidade 
linguística que o possibilitará fazer essa pesquisa. E o resultado da 
palavra pesquisada é um quadro que apresenta a etimologia, a 
classificação morfológica, a descrição de vários significados 
contextualizados conforme a área em que essa palavra é utilizada e 
outros dispositivos oferecidos pelo programa. Para exemplificar, 
abaixo está o resultado etimológico da busca da palavra 
\u201cpropedêutica\u201d no Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua 
Portuguesa
14
 , versão 2001: 
 
Etimologia: fr. propedeutique 'ciência cujo estudo é uma 
preparação ao estudo de outra ciência', do al. Propädeutik 
'id.', substv. do fem. do adj. gr. propaideutikós,ê,ón 
'relativo à instrução, instrutivo', adjetivo cog. do v.gr. 
propaideúó 'ensinar antes', de pro- 'antes' e paideúó 
'ensinar, educar, instruir', de paîs,paidós 'menino, filho, 
criança'. 
 
Ele aprende e apreende consciente ou subliminarmente 
quando da busca de um ou outro vocábulo
15
, fazendo uma 
navegação prazerosa e agradável, tanto pela maneira tecnológica 
com que pesquisa como também por saber que sua curiosidade será 
satisfeita. Os elementos linguísticos presentes nessa sua 
investigação passam pela Etimologia
16
 dos termos, em que entende 
como importante a origem dessas palavras, como elas foram criadas 
e como sua forma e seus significados foram se transformando ao 
longo do tempo. Suas angústias linguísticas começarão a dar lugar 
ao entendimento consciente. Agrega-se a isso o fato de que a leitura, 
necessária para se conhecer uma língua, será feita em um material 
em que não há risco de erros gramaticais ou estruturais. Mais dois 
dicionários tecnológicos estão disponíveis no mercado: Dicionário 
 
14 Esse dicionário está vigendo até 2016 em função da prorrogação de prazo do Novo Acordo 
Ortográfico de 2009. O propósito de incluir este e não o novo é para esclarecer da possibilidade de 
coexistirem os dois tipos até o final da vigência do acordo anterior a 2009. 
15 Neste momento, a palavra vocábulo está sendo usada como sinônimo de palavra, mas o uso na 
Linguística deve obedecer aos preceitos semânticos. Esse assunto será abordado ainda neste 
capítulo. 
16 Esse recurso também está presente no resultado da busca da palavra propedêutica no Dicionário 
Houaiss. 
 
Aurélio XXI e o Aulete Digital \u2013 Dicionário Contemporâneo da 
Língua Portuguesa
17
. 
 Importante ressaltar que os dicionários não podem ser 
considerados referência em termos do que é oficial em nosso idioma 
porque eles não compõem todas as palavras existentes em nosso 
léxico. Nesse ponto, o aluno ficaria surpreso e perguntaria qual a 
fonte fidedigna. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, 
mais conhecido no meio linguístico como VOLP, é a obra oficial 
elaborada pela Academia Brasileira