Formacao Juridica   1. ANO
304 pág.

Formacao Juridica 1. ANO


DisciplinaIntrodução ao Direito I90.800 materiais620.174 seguidores
Pré-visualização50 páginas
de que eles 
são escravos, e de que assim devem sê-lo, como um exercício de engenho semelhante ao daquele 
que escreveu Encômio de Nero, e não como discurso sério e que a tal se pretenda , não me 
houvessem a gravidade do título e da epístola, a gravura no frontispício do livro e o aplauso que 
conquistou o mesmo forçado a crer que o autor e o editor estavam sendo sinceros. Assim sendo, 
tomei nas mãos com a máxima expectativa e o li por completo com toda a minha atenção devida a 
um tratado que causou tal furor a vir a público, e apenas posso confessar-me extremamente 
surpreso de que, num livro dedicado a prover de grilhões a humanidade inteira, coisa alguma se 
pudesse encontrar além de uma corda de areia, talvez útil àqueles cuja habilidade e ocupação 
consistem em levantar a poeira e que cegariam ao povo para melhor iludi-lo, mas que, na verdade, 
não dispõem de força alguma para atar os que têm os olhos aberto e suficiente sensatez para 
considerar que grilhões nada mais são que um incômodo adorno, por mais cuidado com que hajam 
sido forjados e polidos (grifo nosso) 
 
organização política, para que esta possa garantir-lhe o exercício da 
propriedade e da liberdade que dela deriva. 
O teórico crê que a Declaração dos Direitos é o fundamento 
primeiro da Constituição e, uma vez que a garantia dos direitos não 
aparece tanto na divisão do exercício do poder quanto na soberania 
do povo, procura restringir os poderes que este delega, segundo 
Matteucci
313
, a maioria não expressa uma vontade ou um interesse, 
mas sim é o próprio juízo da verdade. Essa revolução do direito 
positivo frente ao direito natural inspirado nos iluministas franceses 
e com o direito de rebelião contra o governo opressor e despótico de 
Locke
314
 justifica essa exigência de tutelar, dentro do ordenamento, 
as liberdades do cidadão, que foi afirmada pela evolução 
constitucional dos Estados Unidos. Os liberais, com menor ou maior 
conhecimento, tendem a uma igualdade e liberdade sancionadas pela 
Constituição, pelo pacto explícito entre o rei e o povo; quando tal 
contrato é rompido pelo Monarca, surge a legitimidade da 
insurgência dos cidadãos. 
Em meados de 1632 á 1704, segundo Matteucci
315
, Locke 
havia escrito também um segundo Treatise of Government sobre sua 
 
313 MATTEUCCI, Nicola. Organizacion del poder y libertad. Historia del constitucionalismo moderno. 
Madrid: Trotta 1998. p. 242-3 O pensamento constitucional de Condorcet configura-se, assim, num 
pensamento constituinte do poder legislativo, defende o sufrágio universal, corrigindo o sistema 
representativo com a democracia direta, investindo o povo com um direito de veto e de iniciativa na 
legislação, junto com a possibilidade de revisar a constituição. No pensamento de Condorcet nota-se 
uma desvalorização do executivo. Ele aponta que o governo não faz política, mas vigia para que a 
vontade da maioria seja executada. Esta desvalorização do poder executivo fazia-se indispensável 
para consolidar o novo regime democrático, correspondendo à rejeição dos partidos, já que uma das 
primeiras necessidades da República francesa era não ter nenhum partido. As soluções propostas por 
Condorcet terminam na incompreensão do funcionamento do parlamentarismo. Os liberais não eram 
favoráveis a uma declaração de direitos. O principal crítico da declaração dos direitos foi Mallet-Du 
Pan. Sua concepção acerca do direito triunfou durante os anos 1800, com a escola histórica e com o 
positivismo Mallet busca tutelar os direitos do homem dentro e não contra o Estado, mediante a 
constituição e não através da presença ativa do povo. Dizia que os direitos do homem são 
inseparáveis dos direitos dos cidadãos. A constituição deve servir de garantia à defesa da liberdade e 
igualdade. 
314 LOCKE, John. Dois Tratados sobre o Governo. Trad. Julio Fischer. - São Paulo : Martins Fontes, 
1998. p. 588-9: \u201cTodo aquele que usa a força sem direito, assim como todos aqueles que o fazem na 
sociedade contra a lei, coloca-se em estado de guerra com aqueles contra os quais a usar e, em tal 
estado, todos os antigos vínculos são rompidos, todos os demais direitos cessam a cada qual têm o 
direito de defender-se e de resistir ao agressor. Isso é tão evidente que o próprio Berclay, o grande 
defensor do poder e do caráter sagrado dos reis, é forçado a admitir que é legal o povo, em alguns 
casos, resistir ao rei; e admite-o inclusive num capítulo no qual pretende demonstrar que a lei divina 
veda ao povo todo o tipo de rebelião. Com o que fica evidente, mesmo em sua doutrina , que, desde 
que em alguns casos é permitido resistir; nem toda resistência aos príncipes é rebelião. 
315 MATTEUCCI, Nicola. Organizacion del poder y libertad. Historia del contitucionalismo moderno. 
Madrid: Trotta, 1998. p. 128-9 
 
origem, extensão a fim, que foi publicado junto ao primeiro em 
1690, sendo rapidamente interpretado por todos como a justificação 
teórica da Revolução Gloriosa. Locke encontrava-se frente a um 
importante problema de ingerência constitucional: no início dos 
anos 600 a crise havia se instalado pela ruptura do equilíbrio entre 
gubernaculum e iurisdictio, devendo assim, conciliar a antiga 
supremacia da lei com a onipotência do Parlamento. De outra banda, 
firmaram-se na Inglaterra 600 novas teorias que legitimavam a 
democracia do poder, os direitos da Coroa e do Parlamento, 
permitindo a ocorrência de abusos tanto da primeira quanto da 
segunda, abarcados por uma tendência de supremacia. 
Para resolver esse problema, o novo clima cultural era 
necessário para confrontar os problemas de filosofia política e 
renunciar ao valor probatório dos precedentes, do magistério da 
história, em favor de um discurso que foi racional em todos os seus 
extremos, com a finalidade de estabelecer um justo equilíbrio de 
órgãos e poderes nas instituições inglesas. Em suma, constitui-se um 
constitucionalismo que fortalece um contratualismo clássico com 
afirmação do poder civil. 
Locke considerava o legislativo como uma espécie de alma 
que dá forma, ou seja, vida e unidade a sociedade política como um 
todo. Verificando uma alteração na gênese do legislativo, o povo 
tem a liberdade de instituir um novo corpo legislativo, em caso de 
atuação fora dos limites estabelecidos, convertendo-se em senhores 
da vida, das liberdades e dos bens do povo. A teoria da revolução de 
Locke
316
 mostra-se, assim como vertente conservadora e não 
revolucionária, em que a ação do povo serve para restabelecer a 
velha ordem legal violada, e não para instituir uma nova ordem. 
Sobre Locke em suas \u201cconclusões finais\u201d em dissertação de 
Mestrado, Nodari
317
, destaca a historicidade do filósofo, suas 
 
316 LOCKE, John. Dois Tratados sobre o Governo. Tradução João Fischer. São Paulo : Martins Fontes, 
2001. p. 586-88 
317 NODARI, Paulo César. A emergência do individualismo moderno no pensamento de John Locke. 
Coleção Filosofia 95. Porto Alegre : EDIPUCRS, 1999. p. 162; \u201c Locke é filho de seu tempo. Viveu 
durante o período da crise da passagem da cosmovisão teocêntrica medieval à concepção 
antropocêntrica moderna na qual o homem se constitui como centro autônomo e valor último do 
mundo a ser construído. A partir de sua primazia conferida ao indivíduo. Locke é um teórico dos 
direitos naturais do homem. O homem, já no estado de natureza é dotado de direitos naturais 
fundamentais à sua felicidade. Os direitos naturais inalienáveis do homem à vida, à liberdade e à 
propriedade de sua própria pessoa e bens constituem a origem e fundamento da sociedade civil. 
Através do consentimento expresso no contrato social os homens livremente consentem entrar na 
 
considerações, e particularmente,