Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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de obras públicas, permitindo lhes, em 
contraprestação, exercer por sua conta e risco, por prazo geralmente dilatado, os serviços a que as 
obras se destinavam, foi, sem nenhuma dúvida, uma fórmula de extraordinária felicidade, que só 
poderia ter o sucesso que efetivamente o alcançou. A instabilidade econômica e monetária que se 
seguiu ao primeiro grande conflito mundial fez com que os concessionários com frequência se vissem 
em dificuldades para continuar prestando os serviços a que se haviam obrigado, os quais, porém, por 
serem públicos, não poderiam ser interrompidos. Tornam-se, então, necessárias intervenções do 
concedente, mediante auxílios financeiros temporários, a fim de evitar a paralisação dos serviços. 
Surgiu, assim, no direito francês, a teoria da imprevisão, restrita aos contratos administrativos. O 
Estado concedia serviços a particulares a tinha ainda frequentemente de socorrê-los, dando-lhes 
ajuda financeira nos momentos de crise. Surge daí, a criação de entidades integradas a própria 
administração do Estado, com personalidade jurídica de direito privado, sociedade de economia 
mista e as empresas públicas, com a finalidade de prestar serviços públicos de natureza comercial ou 
industrial. 
337 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia II : entre facticidade e validade. Biblioteca Tempo 
Universitário 102. Rio de Janeiro, RJ : Tempo Brasileiro, 1997 p. 93;95-6. Sob as condições das 
sociedades complexas, somente é possível uma democracia concebida a partir da teoria da 
comunicação. Para tanto, há que se inverter a relação entre centro e periferia: em meu modelo, são 
sobretudo as formas de comunicação de uma sociedade civil que advêm de esferas privadas 
mantidas intactas, são os fluxos comunicativos de uma esfera pública vitalizada e assentada numa 
cultura política liberal que carregam o peso da expectativa normativa. Por isso, sem a força 
inovadora, provisoriamente efetiva, dos movimentos sociais nada muda, o mesmo valendo para as 
energias e imagens utópicas que impulsionam estes movimentos 
 
não aborda as relações de poder decorrentes dessa nova forma de 
organização social. 
Ainda sobre a democracia, cabe relembrar o antigo conceito 
de democracia processual implícito nas formulações que Habermas 
que constituiu-se no intuito de diferenciar-se da ideia de uma forma 
de vida idealizada: analisando, primeiramente uma concepção de 
crises, os processos de transformação social desde o feudalismo 
chegando até a sociedade atual, e ainda imagina uma diferenciação 
entre dois outros conceitos: de esfera pública
338
 e de sociedade 
civil
339
. Habermas acredita em um socialismo com democracia 
radical
340
 como condição necessária para uma forma de vida 
emancipada; um modelo de eclusas pode demonstrar o afluxo das 
demandas dos cidadãos visto que, conforme este modelo, o sistema 
político constituído a partir do estado constitucional forma-se em 
um centro e em uma periferia, a fim de que os cidadãos possam 
exercer influência sobre o centro (Organização do Poder Político), 
isto é, o parlamento, tribunais e administração. Os influxos 
comunicativos vindos da periferia têm de transpor as eclusas dos 
procedimentos democráticos e do alargar o denominado Estado 
constitucional contemporâneo, sendo elemento interessante de 
alargamento do rol de sujeitos constitucionais
341
. 
 
338 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia II : entre facticidade e validade. Biblioteca Tempo 
Universitário 102. Rio de Janeiro, RJ: Tempo Brasileiro, 1997 p. 177 
339 BOBBIO, Norberto. Estado Governo Sociedade : Para uma teoria geral da política. 4. ed. Rio de 
janeiro, RJ : Paz e Terra, 1995. p. 51-2. 
340 HABERMAS, Jürgen. Direito e Democracia II : entre facticidade e validade. Biblioteca Tempo 
Universitário 102. Rio de Janeiro, RJ: Tempo Brasileiro, 1997 p. 257-278. Outras ideias de Habermas 
sobre essa \u201cdemocracia radical\u201d: \u201c o poder comunicativo só se forma naqueles espaços públicos que 
produzem relações intersubjetivas na base do reconhecimento mútuo e que possibilitam o uso das 
liberdades comunicativas - que possibilitam, portanto, posicionamentos sim/não relativamente a 
temas, razões e informações livremente flutuantes. Se essas formas individualizantes de uma 
subjetividade intacta estão destruídas, emergem massas constituídas de indivíduos isolados e 
\u2018abandonados uns pelos outros\u2019 que então podem ser doutrinados e postos em movimento por 
líderes plebiscitários, promovendo ações de massa (...) As esferas públicas liberais se distinguem de 
tais esferas públicas modeladas que servem como foros de legitimação plebiscitária, por fazerem 
valer a autoridade do público que se posiciona. Quando um público entra em movimento, ele não 
marcha, mas oferece um espetáculo de liberdades comunicativas anarquicamente desprendidas. Nas 
estruturas das esferas públicas simultaneamente descentradas e porosas, os potenciais críticos 
pulverizados podem ser agrupados, ativados e reunidos. Para isso é necessária uma base de 
sociedade civil. Movimentos sociais podem então conduzir a atenção para determinados temas e 
dramatizar certos aportes.\u201d (...)\u201c Uma esfera pública liberal necessita naturalmente de uma vida 
associativa livre, de um poder da mídia refreado e da cultura política de uma população habituada à 
liberdade; necessita do concurso de um mundo da vida mais ou menos racionalizado\u201d. 
341ROSENFELD, Michel. A identidade do sujeito constitucional. Belo Horizonte : Mandamentos, 2003. 
p.22-3; 40-1 
 
 A democracia impõe em um desenvolvimento crescente o 
conceito de cidadania, pressupondo uma ampliação do Espaço 
Público, que se afirma na medida em que a tensão entre o privado 
(centros de produção de poder autônomos) e o público (representado 
pelo Estado), entre os direitos individuais e os coletivos, encontram 
soluções que têm sido positivas; contudo, frente ao agudizado 
processo de exclusão social, pode-se identificá-lo já como 
transitório, uma vez que já insuficientes para conter expectativas da 
sociedade (cidadão). Nesse processo, a sociedade civil começa a 
surgir de forma definitiva e reivindicar com a incorporação de 
direitos de 2ª, 3ª e 4ª gerações, na afirmação da cidadania
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 a ser 
constituídas (re)construída incessantemente em um processo que 
institui prioridades, por primeiro foram definidos os direitos civis, 
depois os direitos políticos, e finalmente os direitos sociais, ao quais 
foi acrescentado um quarto direito, os direitos republicanos, sendo 
uma expressão nova que permite identificar direitos que também são 
novos, isto é uma maior presença nas definições estatais que devem 
estar expressas na Constituição configurado dos direitos 
fundamentais
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342 BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Campus 1992. p 67;69;71. \u201cOs direitos 
fundamentais de primeira geração: Os direitos de primeira geração são os de liberdade, os primeiros 
a contestarem o instrumento normativo constitucional, a saber, os direitos civis e políticos , que e em 
grande parte correspondem , por um prisma histórico, àquela fase inaugural do constitucionalismo 
ocidental. (...) Os direitos fundamentais de segunda geração: Dominam o século XX do mesmo modo 
como os direitos da primeira geração dominaram o século passado. São os direitos sociais, culturais e 
econômicos bem como os coletivos ou de coletividades, introduzindo no constitucionalismo das 
distintas formas de Estado Social, depois que germinaram por obra da ideologia e da reflexão 
antiliberal deste século. Nasceram abraçados são principio da igualdade, do qual não podem se 
separar, pois faze-lo equivaleria a desmembra-los da razão de ser que os ampara e os estimula.(...) Os 
direitos fundamentais de terceira