Formacao Juridica   1. ANO
304 pág.

Formacao Juridica 1. ANO


DisciplinaIntrodução ao Direito I90.600 materiais612.018 seguidores
Pré-visualização50 páginas
aqui, a compreensão de um modelo normativo 
de um Estado, mas, sim ,perseguimos da o entendimento de como este se reveste e se apresenta. 
346 DELMAS-MARTY, Mireille. Três Desafios para um Direito Mundial. Editora Lumen Juris. Rio de 
Janeiro: 2003, p. 133 
347 AMARAL, Roberto. A Democracia Representativa está morta; viva a Democracia participativa! In. 
Direito Constitucional: Estudos em homenagem a Paulo Bonavides. GRAU, Eros Roberto & GUERRA 
FILHO, Willis Santiago. (Orgs.) Malheiros. São Paulo, 2001. p. 48-9. \u201cA democracia do terceiro 
 
já referida em novos termos, mas que demonstrem a diferença e a 
hierarquia de valores
348
 entre o que pertence ao grupo ou à 
coletividade, e o que pertence aos membros singulares, 
estabelecendo assim a prevalência dos direitos a proteção absoluta, 
os direitos inderrogáveis que são oponíveis aos econômicos. 
Os dois processos, a \u201cpublicização do privado\u201d (intervenção 
dos poderes públicos na regulação da economia) e a \u201cprivatização 
do público\u201d (a esfera privada do indivíduo singular posta como 
autônoma frente aos poderes públicos) não são de fato 
incompatíveis, e realmente compenetram-se um no outro. O 
primeiro reflete o processo de subordinação dos interesses do 
privado aos interesses da coletividade, representada pelo Estado que 
invade e engloba progressivamente a sociedade civil
349
; o segundo 
 
Milênio, sobre ser participativa, será universal, pois dela todos participarão; ignorando distinções 
econômicas ou sociais, ou raciais, ou de gênero, ou de origem ou de naturalidade; igualdade política 
abolirá a delegação, e todos poderão participar ativa e diretamente , pois todos terão assento na 
nova ágora, que construída eletronicamente, comportará toda a população. (...) A possibilidade de 
consulta imediata e constantemente dispensará a representação e a delegação, espancará as 
mediações , anulará as distorções, impedirá a interveniência do poder econômico ou a manipulação 
dos meios de comunicação de massa, que passarão a desempenhar o papel diverso na nova 
sociedade.\u201d 
348 DELMAS-MARTY, Mireille. Três Desafios para um Direito Mundial. Editora Lumen Juris. Rio de 
Janeiro: 2003, p. 49/50. 
349 BOBBIO, Norberto. Estado, Governo e Sociedade: Para uma teoria geral da política. 4. Ed. Rio de 
Janeiro: Paz e Terra, 1995. p. 51-2 \u201cNestes últimos anos pôs-se a questão de saber se a distinção 
entre sociedade civil e Estado, que por dois séculos teve curso, teria ainda a sua razão de ser. 
Afirmou-se o processo de emancipação da sociedade do Estado seguiu-se um processo inverso de 
reapropriação da sociedade por parte do Estado, que o Estado, transformando-se em Estado de 
direito em Estado social ( segundo a expressão divulgada sobretudo por juristas e politólogos 
alemães) e precisamente por ser social , mal se distingue da sociedade subjacente que ele invade por 
inteiro através da regulação das relações econômicas. Observou-se, de outra parte, que a este 
processo de estatização da sociedade correspondeu um processo inverso mas não menos 
significativo de socialização do Estado através do desenvolvimento das várias formas de participação 
nas opções políticas, do crescimento da organizações de massa que exercem direta ou indiretamente 
algum poder político, donde a expressão \u201cEstado Social\u201d poder ser entendida não só no sentido de 
Estado que permeou a sociedade mas também no sentido de Estado permeado pela sociedade. Estas 
observações são justas, mas no entanto a contraposição entre sociedade civil e Estado continua a ser 
de uso corrente, sinal de que reflete uma situação real. Embora prescindindo da consideração de que 
os dois processos - do Estado que se faz sociedade e da sociedade que se faz Estado - são 
contraditórios, pois a conclusão do primeiro conduziria ao Estado sem sociedade, isto é, ao Estado 
totalitário, e a conclusão do segundo à sociedade sem Estado, isto é, a extinção do Estado, o fato é 
que eles estão longe de se concluir e, e exatamente por conviverem não obstante a sua 
contrariedade, não são suscetíveis de conclusão. Estes dois processos, representam bem, as duas 
figuras do cidadão participante e do cidadão que através da participação ativa exige sempre maior 
proteção reforça aquele mesmo Estado do qual gostaria de se assenhorar e que, ao contrário, acaba 
por se tornar seu patrão. Sob esse aspecto sociedade e Estado atuam como dois momentos 
necessários, separados mas contíguos, distintos, mas interdependentes, do sistema social em sua 
complexidade e em articulação interna. (grifo nosso) 
 
representa a revanche dos interesses privados através da formação 
dos grandes grupos que se servem dos aparatos públicos para o 
alcance dos próprios objetivos. 
As transformações dos Estados nacionais e a 
transnacionalização das sociedades, bem como a 
supranacionalização de Estados e seu reflexo nas Constituições e 
nos Estados, devem ser refletidas, a partir de um novo momento 
civilizatório levando em consideração o paradigma hegemônico 
utilizado para definir as atribuições da Constituição. Tencionar as 
funções clássicas da Constituição e apresentar uma reflexão que 
compreenda essa realidade e ao mesmo tempo que reconheça a 
sociedade civil, cidadão e Estados, é um imperativo urgente, visto 
que há necessidade de (re)legitimação e (re)consensualização por 
meio do (re)conhecimento da cultura dos povos. Poderá ser 
contribuição para entender as tarefas dos juristas frente à 
(re)organização da cultura, principalmente para os países na 
periferia do capitalismo. 
Ademais, urge a preocupação no sentido, não 
necessariamente cronológico, mas de entender as diversas formas do 
Estado e suas finalidades, bem como a importância que a ampliação 
da reflexão em direção a potencialidade da articulação de uma 
resistência constitucional emancipadora, a partir da ação dos sujeitos 
históricos individuais ou coletivos no processo de apropriação dos 
espaços a serem conquistados junto aos aparelhos ideológicos do 
Estado
350
, e do desenvolvimento da presença da sociedade civil 
 
350 ALTHUSSER, Louis. Aparelhos Ideológicos do Estado. Nota sobre os aparelhos ideológicos de 
Estado. 6. ed. Rio de Janeiro: Edições GRAAL, 1992. p. 67-9 \u201cO que são aparelhos ideológicos do 
Estado- AIE? Eles não se confundem com o aparelho (repressivo) do Estado. Lembremos que, na 
teoria marxista, o aparelho de Estado (AE) compreende: o governo, a administração, o exército, a 
polícia, os tribunais, as prisões, etc., que constituem o que chamaremos a partir de agora de aparelho 
repressivo do Estado. Repressivo indica que o aparelho de Estado em questão \u201cfunciona através da 
violência\u201d - ao menos em situações limites (pois) a repressão administrativa, por exemplo, pode 
revestir-se de formas não fiscais. (...) Designamos pelo nome aparelhos ideológicos do Estado um 
certo número de realidades que apresentam-se ao observador imediato sob a forma de instituições 
distintas e especializadas. Propomos uma lista empírica, que deverá ser necessariamente ser 
examinada em detalhe, posta à prova, retificada e remanejada. Com todas as reservas que esta 
exigência acarreta podemos, pelo momento, considerar como aparelhos ideológicos do Estado as 
seguintes instituições (a ordem de enumeração não tem nenhum significado especial): AIE religiosas ( 
o sistema das diferentes igrejas), AIE escolar ( o sistema das diferentes escolas públicas e privadas ), 
AIE familiar, AIE jurídico, AIE político ( o sistema político dos diferentes partidos), AIE sindical, AIE de 
informação ( a imprensa, o rádio, a televisão, etc. ), AIE cultural (letras, Belas Artes, esportes).Nós 
afirmamos - os AIE que se confundem com o Aparelhos (repressivo)