Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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(...) 
Em contraste com a situação asiática e árabe, nos casos da África subsaárica e das Américas \u2013 com a 
exceção notável dos impérios inca e asteca \u2013 as populações autóctones era reduzidas, estavam 
dispersas em vastos territórios e possuíam organização social e política primitiva, sem linguagem 
escrita. (...) O holocausto nazista, a criação de Israel e a importância estratégica do petróleo e do gás 
 
precisariam ser (re)lembradas, haja vista tratar-se de questões que 
tendem a intensificar nossa atenção; pois estão ligadas diretamente a 
necessidade de um (re)equilíbrio
355
 de forças no mundo sob pena de 
aprofundar o fosso de nosso subdesenvolvimento diante os Estados 
capitalistas centrais. 
A denominada globalização tem produzido intensas 
transformações no cenário internacional e, por sua vez, em seus 
Estados Nacionais, tanto nos países centrais quanto nos periféricos. 
Como bem leciona Ianni
356
, expressa um novo ciclo de expansão do 
capitalismo como modo de produção e processo civilizatório de 
alcance mundial, instituindo um processo de amplas proporções, 
envolvendo nações e nacionalidades, regimes políticos e projetos 
nacionais, grupos e classes sociais, economias e sociedades, culturas 
e civilizações, que faz surgir a emergência da sociedade global, 
como uma totalidade abrangente, complexa e contraditória. 
A globalização
357
 pode ser percebida claramente sob 
ângulos antagônicos. No primeiro, percebe-se a globalização como 
o ponto de chegada do desenvolvimento acelerado, que consolida o 
processo da modernidade hegemônica capitalista. De outra sorte, tão 
significativo como o anterior, é o que concerne o referido fenômeno 
 
natural para a Europa e para os Estados Unidos tornaram o Oriente Próximo e o Norte da África uma 
região vital para os processos políticos internos norte-americano e europeu e as colocaram sob a 
atenção e a intervenção vigilante das estruturas hegemônicas.(...) O fundamentalismo islâmico 
antissionista e o fundamentalismo antiárabe, ambos paradoxalmente estimulados e alimentados 
pelos Estados Unidos, colocaram a região em um dilema insolúvel, que \u201cjustifica\u201d uma intervenção 
americana permanente. O grande Estado periférico que aí surge, beneficiado pelo seu relativo 
afastamento geográfico do centro nevrálgico da região e pela sua proximidade com Estados islâmicos 
ex-soviéticos, é o Irã. (...) Afastado e distante de seus vizinhos hispânicos pela floresta e por amplas 
regiões desabitadas de fronteiras, enfrentou e enfrenta rivalidades, em menor grau de veladas, ao 
sul, no Rio do Prata, mas se encontra, desde sua origem, na zona geográfica de influência daquela 
que viria a se constituir na superpotência única, que são hoje os Estados Unidos. (grifo nosso) 
355 DELMAS-MARTY, Mireille. Três Desafios para um Direito Mundial. Rio de Janeiro: Editora Lumen 
Juris. 2003, p. 194-5. 
356
 IANNI, Octavio. A era do globalismo. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. p. 11; 38: \u201c. 
Uma realidade ainda pouco conhecida, desafiando práticas e ideais, situações consolidadas e 
interpretações sedimentadas, formas de pensamento e voos da imaginação (...). Ao globalizar-se, o 
mundo se pluraliza, multiplicando as suas diversidades, revelando-se um caleidoscópio 
desconhecido, surpreendente. Ao lado das singularidades de cada lugar, província, país, região, ilha 
arquipélago ou continente, colocam-se também as singularidades próprias da sociedade global.\u201d 
357 BONAVIDES, Paulo. Teoria Constitucional da Democracia Participativa: por um Direito 
constitucional de luta e resistência por uma Nova Hermenêutica por uma repolitização da 
legitimidade. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 69. Mestre Bonavides desenvolve uma crítica bastante 
ácida, e adequada, a globalização e sua identificação com o neoliberalismo das páginas 66 à 88 desta 
sua obra que nos lembra o panfleto de Camus no destacado caso Dreyfus onde acusava a todos pela 
intolerância e injustiça que se perpetrava contra o militar judeu já citado. 
 
como o momento da ruptura paradigmática, momento crítico da 
transformação. Os efeitos destes dois aspectos são absolutamente 
devastadores para antigas reflexões sobre os chamados elementos 
constitutivos do Estado e a própria Teoria da Constituição, eis que 
afastam clássicos preceitos sem a preocupação de apresentar 
elementos substitutivos. O vácuo reflexivo pode ser observado no 
silêncio e na apatia dos antigos Estados Nacionais no que se refere à 
sua desejável e não ocorrida reação. 
 
Sobre o encontro de paradigmas modernos e pós-modernos, 
torna-se relevante a lição de Arnaud
358
, uma vez que a pós-
modernidade tem valor paradigmático, na medida em que ela 
substitui um paradigma modernista por um paradigma racional 
sistemático, pois questiona uma visão global da ordem social, da 
legalidade do pensamento legalista, do determinismo mecanicista 
cuja \u201clei\u201d preside a ordem jurídica moderna; assegura a conjugação 
paradigmática: pragmatismo, relativismo, (des)centramento do 
sujeito, pluralismo das racionalidades, policentricidade, lógicas 
estilhaçadas, complexidade; generaliza a dialética de pensamento e 
da ação, visto que sugere a implementação de políticas jurídicas 
negociadas para substituir a ordem imposta existente; considera 
como provisórias, hipotéticas e puramente instrumentais as 
categorias estabelecidas do saber e as que nascem da implementação 
de um enquadramento disciplinar de uma porção do saber e 
transgride estes espaços na via da interdisciplinaridade; reconhece a 
implicação do sujeito no conhecimento do objeto, e consciente da 
inelutável transformação que se opera em ambos, e que encontra na 
Globalização e diversidade descrita por Ianni
359
 como sendo o fato 
 
358 ARNAUD, André-Jean. O Direito entre Modernidade e Globalização: Lições de Filosofia do Direito e 
do Estado. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. p. 221-2. \u201cA abordagem pós-moderna é constituída, antes 
de tudo, por um estado de espírito, uma tomada de posição acerca de um modo de conhecimento do 
mundo, uma visão, uma Weltanschauung, como diriam os germanistas. (....) A abordagem pós-
moderna arroga-se em paradigma. Ela funciona com os seus conceitos e seus modelos. Ela é a pedra 
angular de todo o sistema de pensamento fundado na ideia do \u201cplural\u201d, do \u201cnegociado\u201d, do 
\u201ccomplexo\u201d. Como todo paradigma, ela gera sues próprios paradoxos.(grifo nosso) 
359 IANNI, Octavio. A era do globalismo. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996. p. 41 \u201cPor 
sobre a coleção de caleidoscópios locais, nacionais, regionais ou continentais, justapostos e 
estranhos, semelhantes expostos, estende-se um vasto caleidoscópio universal, alterando e 
 
de que o mundo ao globalizar-se se pluraliza, multiplicando as suas 
diversidades, revelando-se um caleidoscópio desconhecido, 
surpreendente e, ao lado das singularidades de cada lugar, província, 
país, região, ilha arquipélago, ou continente, colocam-se também as 
singularidades próprias da sociedade global. 
Na busca de aproximar conceitos como pós-modernidade, 
globalização e cultura, é trazido com curiosa propriedade por 
Hall
360
, quando tenta estabelecer a identidade das sociedades e 
nações resultantes deste movimento em curso em nossa sociedade 
contemporânea, quando aborda ainda o fato de que determinados 
teóricos argumentam que o efeito geral desses processos globais tem 
sido o de favorecer ou solapar formas nacionais de identidade 
cultural e gritam que existem evidências de uma flexibilidade de 
fortes identificações com a cultura nacional, e um reforçamento de 
outros laços e lealdades culturais,