Formacao Juridica   1. ANO
304 pág.

Formacao Juridica 1. ANO


DisciplinaIntrodução ao Direito I90.800 materiais620.174 seguidores
Pré-visualização50 páginas
e idioleto. Para o aluno interessado, assuntos 
históricos que dão base e objetividade para seus estudos, deixam-no 
fascinado e com vontade de saber mais. É visível esse 
encantamento. E o aluno que está lendo agora este livro pode estar 
desejando ouvir mais sobre Sócrates, Platão e Aristóteles, os marcos 
filosóficos de uma época. E, claro, para a história da Linguística, 
esses três disseram muito mais, como a origem dos nomes, por 
exemplo. Mas isso é para sala de aula, o templo sagrado do 
conhecimento. 
 
 
Primeiramente, deixar claro que, em nosso país, é falado o 
idioma Português Brasileiro de uma língua chamada portuguesa, 
assim como, nos países que falam essa língua, o tratamento também 
é de idioma. Isso porque as especificidades linguísticas dependem 
de seus contextos, o que altera a significação de palavras, mesmo 
aquelas que têm a mesma forma. O Brasil já poderia ter o seu 
idioma \u201cpromovido\u201d à condição de língua porque já tem todos os 
elementos para isso: além de uma parte do léxico diferente em 
relação aos países que falam a língua portuguesa, a parte estrutural 
 
(Sintaxe) também é diferente em alguns deles. Por exemplo, usa-se 
o gerúndio no Brasil e o infinitivo em Portugal: \u201cestamos fazendo\u201d e 
\u201cestamos a fazer\u201d. Essa observação é de caráter didático em função 
do estabelecimento diferencial entre língua e idioma para que o 
aluno da área jurídica tenha mais conhecimento para buscar, em 
suas bases argumentativas, algo para o qual isso seja necessário na 
busca de seus propósitos processuais. 
 
 
A mudança de enfoque para o estudo da disciplina também 
alterou o conteúdo programático na sua essência. Os tópicos 
principais agora estão voltados para a tessitura textual: coesão, 
coerência e estruturas específicas que alicerçam a elaboração de 
textos como também as marcas linguísticas de posicionamento do 
seu produtor, chamadas de modalidades enunciativas, juntamente 
com a questão semântica sempre presente. 
Essas relações intrínsecas de um texto têm como ponto 
central a coesão referencial e sequencial em se tratando da função 
dos termos dentro de uma estrutura, ou seja, dois tipos coesivos que 
têm a função de fazer a \u201camarração\u201d do texto. A primeira trata de 
eliminar repetições através de seus três processos: referenciação, 
substituição lexical e elipse; a segunda, da relação das ideias, 
proposições ou mesmo orações, que são termos próprios de suas 
áreas: discurso, semântica e lógica e gramática, respectivamente; e a 
última, as estruturas pertinentes a cada tipo de ação, seja linguística 
ou processual. Num primeiro momento, o aluno se surpreende e fica 
angustiado com o assunto novo, mas que vai entendendo à medida 
que os assuntos são expostos em sua forma teórico-prática. 
E a Semântica vem a seguir para estudar as relações de 
significados já comentadas anteriormente, principalmente a 
ambiguidade, problema gerado pela falta de clareza em apresentar o 
texto para alguém ler. Nessa parte, o trabalho é para entender, 
eliminar e provocar a ambiguidade. Nessa última, o aluno, depois de 
ser apresentado a esse assunto, está suficientemente capacitado para 
a produção de um texto com esses aspectos, com consciência 
linguística. Os textos vão para o quadro com a finalidade de que 
todos os alunos façam suas apreciações de forma socializada. O 
 
resultado é muito bom, pois se trata aí de aplicabilidade de 
conhecimentos não só para identificar, mas também para produzir. 
E um aspecto de caráter pessoal se apresenta na forma de 
Modalidades enunciativas, que levam ao aluno as marcas 
linguísticas explícitas como prova de que ele se faz presente no 
texto, posicionando-se pelo eixo da certeza ou da dúvida quando da 
elaboração de sua conclusão. O aluno tem consciência de que sua 
conclusão contém os elementos linguísticos necessários para 
finalizar um texto. 
Por último, a necessidade de conhecer a estrutura de 
parágrafo para poder construir um texto com coesão e coerência. 
Tópico frasal, desenvolvimento com tipos diferenciados de 
ordenação e conclusão, que é opcional, são as partes que compõem a 
sua forma. 
Diante disso, a consciência linguística do aluno o faz seguro 
para escrever com clareza e objetividade, sem riscos de ser 
entendido de outra forma. 
 
E um dos estímulos mais interessantes, linguisticamente 
falando, é a proposta de se brincar com as referências dentro de um 
texto. Aprende-se a sua estrutura, e a possibilidade de escrever 
livros fica mais próxima de quem aprende e apreende os meandros 
linguísticos e estruturais. Claro, se um texto é composto de 
parágrafos e um livro também. Saberemos escrevê-lo (O quê? O 
texto, o livro ou o parágrafo?). Esse é um caso clássico de uma 
ambiguidade estrutural, provocada pelo pronome pessoal caso 
oblíquo \u201clo\u201d quando se faz referência a uma expressão que precisa 
ser retomada, ou seja, a função do pronome \u201clo\u201d é referir, e como a 
estrutura não deixa clara a sua referência, nota-se aí que existe a 
necessidade de se analisar semanticamente o texto para definir a sua 
relação com o termo referido (outra: o pronome \u201csua\u201d referindo-se à 
relação, mas de quê?). Essas abordagens de função e referência já 
começam a ser observadas na própria apresentação do assunto, 
quando o professor o está expondo. Sem dúvida, é um dos 
exercícios em que o aluno se interessa muito, tanto pelos objetivos 
 
de provocar humor como a certeza de que sabe do que se trata, 
gerando assim um conforto intelectual muito grande. 
 
 
Esta é uma fase do processo de aprendizagem considerada 
normal porque o aspecto da novidade causa, geralmente, a 
dificuldade inicial em fazer as ligações de conteúdo. 
Será que eu vou aprender? Não estou entendendo nada! 
Está ocorrendo uma grande confusão! Nunca vi esse \u201cportuguês\u201d 
assim! 
E o Celso diz: \u201cVocês não sabem o que vocês já sabem\u201d! E 
isso não se constitui uma ironia, mas sim a forma de garantir ao 
aluno que ele não precisa fazer a \u201cprova dos nove\u201d na linguística 
para saber o que já está depositado em seu cérebro19. 
Esta primeira edição do livro ABC para os alunos do Curso 
de Direito do Cesuca visa à informalidade em função da 
propedêutica na apresentação das disciplinas e seus objetivos. 
Especificamente quanto à abordagem da Língua Portuguesa no 
Português Jurídico deste capítulo, acredito que aluno tenha 
entendido a mensagem de que a dificuldade de aprendizagem 
linguística é inerente a todo conhecimento novo, principalmente 
pela mudança paradigmática do enfoque gramatical. 
Nos processos cognitivos, aprendem-se primeiro os 
significados e as funções para depois os representarmos com 
palavras. 
E, partindo desse princípio, o ensino desta disciplina torna-
se mais eficaz e atraente. Tenho certeza de que o conhecimento 
linguístico ficará no cérebro e não nos cadernos. 
 
 
O Exame Nacional de Desempenho do Estudante - ENADE 
é uma avaliação instituída pelo MEC com o propósito de 
dimensionar o desempenho dos alunos de graduação e, por 
consequência, do seu próprio curso. Dá-se em dois momentos: 
 
19 Neste momento faço uso do discurso direto com o propósito de conversar com o aluno-leitor 
respondendo a seu anseio. 
 
quando o aluno ingressa na instituição e também quando o está 
concluindo. Refere-se aos conteúdos programáticos dos cursos em 
que estão matriculados. 
Esse exame é obrigatório para todos os alunos que forem 
selecionados, sendo condição indispensável para que seu histórico 
escolar seja emitido. Isso vem acontecendo desde 2004 e sua 
periodicidade máxima é trienal. 
Os tipos de questão são variados, que vão desde as