Formacao Juridica   1. ANO
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Formacao Juridica 1. ANO


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simples 
questões objetivas, passando pelas de múltipla escolha e finalizando 
com as subjetivas, exigindo do aluno uma produção textual coerente 
com a proposta dos enunciados. 
Diante disso, nosso curso está alerta para esse tipo de 
exame sem que haja preterimento dos propósitos docentes, em suas 
convicções e metodologias. Especificamente, a disciplina de 
Português Jurídico privilegia mais ainda a questão do entendimento 
dos enunciados, o que certamente ficou evidenciado na proposta de 
trabalho ao longo deste capítulo. Essa forma de abordagem 
enunciativa já estava no escopo da disciplina, mas que agora se 
torna mais relevante em função de sua dupla aplicabilidade: 
conhecimento individual e avaliação do MEC. É uma das garantias 
de eficiência da proposição da disciplina. 
 
Para a próxima edição, haverá três momentos específicos, 
não necessariamente nas mesmas proporções: Como se preparar 
para os concursos públicos na área, contemplando o detalhamento 
de sua funcionalidade; Como o Português Jurídico atua nesse 
processo, e também Como a disciplina Linguagem e Direito 
apresenta suas características e aplicabilidade, com ênfase nas 
questões lógico-semântico-argumentativas. 
 
 
ABL, Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 
Orientação Antônio Houaiss, Rio de Janeiro: Bloch Editores, 1981. 
 
_____, Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 
São Paulo: Global Editora, 2009. 
 
CHOMSKY, Noam. Estruturas Sintáticas. Portugal: 
Edições 70, 1980. 
 
HENRIQUES, Antonio. Prática da Linguagem Jurídica. 2 
ed. São Paulo: Editora Atlas AS, 1999. 
 
HENRIQUES, Antonio & DAMIÃO, Regina Toledo. 
Curso de Português Jurídico. 8 ed. São Paulo: Editora Atlas AS, 
2000. 
HOUAISS ELETRÔNICO. Dicionário Houaiss da Língua 
Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. 
 
KOCH, Ingedore & FÁVERO, Leonor Lopes. Linguística 
Textual: Introdução. 6 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2002. 
 
PINKER, Steven. Tábula Rasa : A negação contemporânea 
da natureza humana. Trad. Laura Teixeira Motta. 2. ed. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2008. 
 
SAUSSURE, Ferdinand. Curso de Linguística Geral. 7. ed. 
São Paulo: Cultrix, 1975. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof
a
.
 
 
 
 A disciplina de Teoria Geral do Direito pertence ao eixo 
fundamental da estrutura curricular, que também conta com os eixos 
profissional e prático. Nesse sentido, tem por objetivo desenvolver 
competências específicas, como: conhecer os fundamentos do 
Direito e a justificação epistemológica da Ciência Jurídica, 
abordando os diversos modos como o Direito pode ser 
compreendido e como um fenômeno que sofre influências dos 
fatores morais, sociais, políticos, econômicos e culturais da 
sociedade. Compreender de forma crítica o sistema jurídico, e 
correntes doutrinárias que auxiliam na compreensão do significado 
do Direito. Compreender o Direito como um instrumento de 
transformação social, que vai além da lei, levando em conta 
princípios como a dignidade e equidade. 
 
 A disciplina tem como objetivos: 
a) oferecer uma visão de conjunto do Direito; 
b) apresentar os princípios gerais básicos e conceitos gerais do 
Direito; 
c) introduzir a terminologia jurídica básica. 
a) auxiliar o aluno no processo de adaptação do Curso; 
 
b) prepará-lo para a edificação do saber jurídico; 
c) desenvolver o raciocínio jurídico e despertar no estudante o 
espírito crítico. 
 
Observando a constituição dos cursos jurídicos no Brasil, 
desde a fundação dos primeiros cursos, em Olinda e São Paulo, 
verifica-se que ocorreu uma transformação digna de nota em relação 
ao nome dado à disciplina que seria \u201cintrodutória\u201d a Direito. Assim, 
com a Fundação dos Cursos jurídicos de Olinda e São Paulo, 
11/08/1827, ela surge com o nome de \u201cDireito Natural\u201d. Já em 
1891, devido a ideias positivistas que a jovem República adotou, a 
cadeira de Direito Natural foi substituída pela de Filosofia e História 
do Direito, mas já em 1895 ela foi desdobrada e depois retirada do 
currículo. Em 1912 surge a Enciclopédia jurídica, que em 1915, com 
Maximiliano, volta a ter o nome de Filosofia, e assim permanece até 
1931, quando por ocasião da reforma Francisco Campos, foi 
instituída a cadeira de Introdução à Ciência do Direito, para depois 
se transformar em Introdução ao Estudo do Direito.
20
 
 Na atualidade reformas nos cursos têm levado à criação da 
disciplina de Teoria Geral do Direito, em substituição à Introdução 
ao Estudo do Direito. Observe-se que todas as mudanças ocorridas 
acima têm, na realidade, uma vinculação histórica e de fundamento 
filosófico muito importante, e que reflete o modo próprio de 
concepção do Direito. E esta é a pergunta básica da disciplina de 
Teoria Geral do Direito: O que é o Direito? 
 Desde que o Brasil deixou de constituir uma simples 
colônia de Portugal, com a aquisição do status autônomo do 
Império, foi derradeira a necessidade de formação de uma 
consciência jurídica própria da nova nação que se constituía. Os 
primeiros juristas que o Império formou teriam que ter uma forte 
vinculação com os interesses da nova nação, de modo que não 
poderíamos Inicialmente, o Brasil, enquanto colônia portuguesa, se 
contentava em importar juristas de Coimbra, afiliados aos interesses 
da Coroa Portuguesa. Depois, com o Brasil Imperial de Dom Pedro 
 
20 Betioli, p. 11-13. 
 
I, a mentalidade mudou, foi necessária a formação de uma 
consciência jurídica própria, ou seja, o Brasil começou a sentir que 
necessitava de juristas comprometidos com uma identidade 
brasileira, e não com ideais que não fossem de interesse da nação, o 
que poderia ocorre caso tivessem formação exclusivamente 
europeia. E foi assim que Dom Pedro I autorizou o funcionamento 
de duas faculdades de Direito, uma em Olinda, e outra em São 
Paulo. 
 Assim que surgiram as \u201cas duas casas de jurisprudência\u201d, 
responsáveis pelo desenvolvimento de toda a vida cultural 
humanística do país, pois também os estudos filosóficos e criações 
literárias acabaram ficando vinculados a elas, de modo a só surgirem 
cursos de Letras e Filosofia no século XX. O conteúdo jurídico do 
Direito Constitucional foi privilegiado, muito provavelmente porque 
nossa base foi alterada de uma Monarquia constitucional unitária 
(que durou 70 anos), para uma República presidencialista e 
federativa. Enquanto isso as alterações no ramo do direito privado, 
em especial civil, levaram muito mais tempo, pois ainda vivíamos 
sob a base das Ordenações Filipinas de 1603.
21
 A nova legislação só 
veio no século XX, entretanto, com o Código Civil proposto através 
de Projeto de Clóvis Beviáqua, bem assinala Miguel Reale que a 
ciência jurídica não ficou alheia aos movimentos dos séculos 
anteriores. Tivemos sim, uma proposta de código civil de Teixeira 
de Freitas (de 1858, revisada em 1877), apesar de não ter vingado, 
mas que provocou profundo debate jurídico, e a promulgação dos 
códigos criminais (o Código Criminal de 1830, e o Código de 
Processo Criminal de 1832), o Código Comercial, de 1850.
22
 
 Este início histórico nos permite questionar sobre a função 
da Lei na sociedade brasileira. Será que podemos reduzir o conceito 
de Direito ao de Lei? Este é um conteúdo importante da disciplina 
de Teoria Geral do Direito. 
 
 
 Observando o ser humano, e o modo como usualmente é 
estudado e avaliado, este sempre foi posto num certo contexto de 
 
21 REALE, Miguel. Horizontes do direito e da história. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000. p. 183-184. 
22 REALE, Miguel. Horizontes