EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs
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EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs


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Anais do II SINGEP e I S2IS \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil \u2013 07 e 08/11/2013 
 
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EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA 
EMPREENDEDORES DE MPEs 
 
Autoria: Vânia Maria Jorge Nassif, João Paulo Lara Siqueira, Edmilson Oliveira Lima 
 
 
RESUMO 
 
O modelo de crescimento econômico tem gerado enormes desequilíbrios. Lidamos o tempo 
todo com uma dicotomia entre a riqueza e a pobreza. Se, por um lado, há riqueza e fartura no 
mundo, por outro, observa-se a miséria, a degradação ambiental e a poluição. E essas 
transformações no entorno em que vive o homem vêm alterando sua visão de mundo, sua 
forma de pensar e agir, dadas as condições climáticas e o desequilíbrio de ecossistemas 
complexos, levando as pessoas a uma discussão acerca de seus comportamentos que, de forma 
direta, estão prejudicando o meio ambiente. A proposta do desenvolvimento sustentável 
segundo o escopo do empreendedorismo de micro e pequenas empresas (MPEs) é recente e 
desafiadora, sinalizando a necessidade de sensibilizar proprietários de pequenos negócios para 
questões recorrentes dessa temática. Assim sendo, esse artigo teórico discute as ações e 
comportamentos relacionados ao empreendedorismo sustentável, cujas premissas encontram-
se inseridas no senso de urgência para a melhoria das condições de vida no meio ambiente e 
no de que a falta de atenção para a sustentabilidade pode contribuir para o sucesso imediato 
dos negócios, mas comprometendo seu futuro. 
 
Palavras-chave: Empreendedorismo; Empreendedorismo Sustentável; Desenvolvimento 
Sustentável, Stakeholders. 
 
ABSTRACT 
 
The model of economic growth has created huge inequalities. Dichotomy between wealth and 
poverty may be observed all the time. Wealth and affluence may be found in some parts of the 
planet, but in other places there are poverty, environmental degradation and pollution. 
Changes in the environment are forcing humanity to change their worldview, their way of 
thinking and acting. As a consequence of climatic conditions and the imbalance of complex 
ecosystems, people are being led to a discussion about behaviors that directly affect the 
environment in a negative way. In the scope of entrepreneurship, the proposal of sustainable 
development is new and challenging, and it is still necessary to convince small business 
owners to address issues on that theme. This theoretical article discusses the actions and 
behaviors related to sustainable entrepreneurship whose premises are that this approach is 
urgent and that the lack of sustainability can lead to success in the short run, but certainly will 
compromise the future. 
 
Keywords: Entrepreneurship; Sustainable Entrepreneurship; Sustainable Development; 
Stakeholders. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Anais do II SINGEP e I S2IS \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil \u2013 07 e 08/11/2013 
 
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Introdução 
 
As limitações crescentes dos recursos naturais vêm sinalizando que um comportamento 
puramente extrativista torna-se cada vez mais inviável. Por outro lado, as mudanças sociais 
das últimas décadas, apontam não apenas para a necessidade das empresas reverem a 
condução de seus negócios, mas também a importância da população ser mais informada e 
instruída sobre as questões que envolvem as dimensões da sustentabilidade de suas 
organizações e atividades. Essa preocupação surgida nos anos de 1960 teve alguns frutos 
como, por exemplo, a Conferência de Estocolmo realizada em 1972, que marcou o início dos 
debates sobre as preocupações mundiais relativas às questões ecológicas. O conceito de 
desenvolvimento sustentável disseminado pelo relatório Brundtland, em 1987, deixou claro 
que os recursos naturais são finitos e que seu mau uso levaria a um colapso global. Esse 
relatório apresentou as demandas da sustentabilidade como uma resposta à necessidade de 
equilíbrio para os fatores econômico, social e ecológico. No mesmo ano, a World Comission 
on Environment and Development publicou o relatório Our Common Future, que estabeleceu 
as primeiras definições oficiais e sistematizadas do conceito de desenvolvimento sustentável. 
O termo foi concebido como o desenvolvimento capaz de satisfazer as necessidades presentes 
sem comprometer a necessidade das gerações futuras (Bellen, 2007; Dalmoro, 2009). Com o 
uso do conceito de sustentabilidade \u2013 ainda que incorporado e praticado gradualmente por 
lideranças empresariais, governamentais e pela sociedade civil \u2013, as tensões em favor da 
preservação do meio ambiente crescem e demandam reações urgentes, que ultrapassem o 
nível do discurso e das declarações de princípios (Almeida, 2007). 
Não obstante o desenvolvimento sustentável venha se apresentando como um assunto 
preocupante e de grande interesse, o empreendedorismo também tem sido o foco de reflexões 
cada vez mais profundas. Isso se mostra muito evidente quando se observam as estatísticas do 
IBGE, Dieese e Sebrae Nacional (2012), que apresentam o empreendedorismo como um 
fenômeno muito relevante no Brasil, em especial nas MPEs do país, responsáveis por 99% do 
número de empresa, por 20% do PIB e cerca de 50% dos empregos gerados. 
Os resultados de uma pesquisa sobre sustentabilidade realizada pelo Sebrae (2012) 
demonstraram que 58% de dirigentes de MPEs afirmaram não possuir conhecimentos sobre o 
tema sustentabilidade e meio ambiente, 72% entendem que as MPEs devem atribuir 
importância à questão do meio ambiente, mas não sabem como e 79% acham que as MPEs 
que adotam ações de preservação do meio ambiente podem atrair mais clientes. Esses dados 
sugerem que há muitos desencontros e falta de informação entre esses atores econômicos em 
relação à questão da sustentabilidade. Assim, este artigo pretende discutir o tema da 
sustentabilidade no contexto das MPEs e contribuir para a divulgação do tema entre os 
empreendedores das MPEs, uma vez que dados, como os da pesquisa do Sebrae (2012), 
apontam a relevância da observação das ideias de sustentabilidade por eles. 
Kirzner (1979) pontua que o empreendedor é considerado como aquele que cria um 
equilíbrio, procurando encontrar uma posição clara e positiva em um ambiente de caos e 
turbulência. O empreendedor vem se deparando com uma realidade global que alerta para a 
necessidade de preservação do meio ambiente e da fauna. Por outro lado, o apelo para o 
sucesso a qualquer custo, por meio de recursos econômicos, é uma premissa errônea adotada 
por muitos empreendedores, que pode levá-los ao fracasso ou mesmo à mortalidade precoce 
de seus negócios (Baron e Shane, 2007). 
 
 
 
 
 
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Anais do II SINGEP e I S2IS \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil \u2013 07 e 08/11/2013 
 
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Julien (2010) afirma que o empreendedor está no coração da criação e do desenvolvimento de 
um negócio, sendo de fato uma pessoa não apenas voltada para o mercado capitalista, mas 
também um ser social que considera as possibilidades e os limites da sociedade em que vive. 
Esse autor pontua que o empreendedorismo é um fenômeno eminentemente sociocultural, 
pelo fato de o empreendedor ser ligado a uma coletividade, necessitando de impulsos e apoio 
do ambiente em que vive. No entanto, a reflexão sobre as questões da sustentabilidade, mostra 
que alguns requisitos necessários à sobrevivência das MPEs estão ausentes da pauta de boa 
parte dos empreendedores. Autores como Dean e Mcmullen (2007), Kuckertz e Wagner 
(2010) reforçam essa reflexão, confirmando que os empreendedores podem colaborar com as 
questões da sustentabilidade por meio de ações relacionadas ao descarte de materiais, 
cuidados com a degradação do ambiente e, ainda, questões relacionadas à educação da 
população