EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs
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EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs


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como forma de preservar o ambiente. As empresas que preconizam a 
responsabilidade socioambiental vêm se firmando por meio do respeito aos limites dos 
recursos naturais e da prevenção da poluição (Almeida, 2002; Bansal, 2002). No entanto, esse 
movimento ainda é pouco conhecido no contexto das micro e pequenas empresas, 
principalmente quando se trata de entender como os empreendedores vêm se comportando 
frente à adoção de práticas inovadoras que requerem atenção para as causas ambientais. As 
pesquisas científicas são também incipientes em relação à observação associada desses dois 
fenômenos. 
A defesa de questões ideológicas, ambientais e sociais em campanhas publicitárias de 
organizações de grande porte sinaliza que boa parte delas está atenta à necessidade de atender 
as demandas referentes às mudanças macro ambientais (Silva e Tobias, 2007; Bansal, 2002). 
No entanto, Romanini (2007) deixa claro que as pressões geradas por estas mudanças também 
afetam as micro, pequenas e médias empresas, cuja sobrevivência não deve se limitar à 
obtenção de resultados financeiros, mas incluir cuidados com o entorno dos negócios e com 
os aspectos sociais ligados a eles. 
Essas questões, segundo Almeida (2002), evidenciam que as empresas não podem operar 
independentemente do sistema social e natural para obter crescimento econômico de longo 
prazo. Essa é a visão de desenvolvimento sustentável, a qual se baseia no princípio da 
integração e balanceamento dos sistemas social, ambiental e econômico. Sua viabilização 
requer a colaboração e a formação de parcerias entre a empresa e seus principais stakeholders, 
visando engajar os grupos de interesse em torno de um entendimento comum acerca dos 
problemas ambientais e sociais. Esse mesmo autor afirma que, naturalmente, isto implica em 
romper com as estruturas tradicionais caracterizadas pela concentração do poder e 
centralização das decisões que privilegiam a manutenção do status quo. Ao contrário, o 
diálogo, nem sempre convergente entre grupos de interesses, entre instituições públicas, 
privadas e não governamentais exige uma atuação diferenciada do empreendedor para 
formular e implantar as estratégias de negócio voltadas ao desenvolvimento sustentável 
(Elkington, 1994). 
Tal expectativa em relação às atitudes e atuações dos empreendedores engloba o que Julien 
(2010) chama de ontologia do fenômeno, cujos efeitos das ações dos empreendedores, bem 
como o impacto destas ações sobre o mercado, são as que, efetivamente, geram mudanças. 
Parrish (2009) mostra duas abordagens que motivam os empreendedores a aderirem à 
sustentabilidade: a primeira refere-se à motivação pelo lucro, ou seja, os empreendedores 
contribuem com o desenvolvimento sustentável a partir dos ganhos financeiros e 
competitivos; a segunda abordagem é baseada nos motivos e valores que impulsionam os 
 
 
 
 
 
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Anais do II SINGEP e I S2IS \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil \u2013 07 e 08/11/2013 
 
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empreendedores para a sustentabilidade, ou seja, o desejo de contribuir com a melhoria social 
e ambiental, sendo a receita proveniente de suas atividades um meio para atingir este 
propósito. 
Trabalhar com atenção dedicada ao empreendedorismo sustentável parece ser uma prática 
ainda distante das pequenas empresas brasileiras; contudo, nota-se que parte delas já atua 
nesse sentido e que seus empreendedores, mesmo sendo orientados por valores e motivos 
variados, focam as questões sustentáveis, fazendo mais do que é realmente exigido pela 
legislação quanto à questão (Parrish, 2009; Young; Tilley, 2006; Elkington, 1994). 
Para que esse tipo de comportamento se firme como uma prática recorrente do 
empreendedorismo há a necessidade de uma mudança na própria forma de o empreendedor 
pensar o seu negócio e sua razão de ser. Outra importante questão é a de que o empreendedor 
desempenha um papel central no seu negócio e, por consequência, ele é uma pessoa 
fundamental para a disseminação da cultura voltada ao desenvolvimento sustentável a partir 
do seu negócio. A pirâmide do empreendedorismo construída por Julien (2010) apresenta a 
interdependência e as variáveis que o autor associa ao que chama de empreendedorismo 
endógeno e fatores que o favorecem. Na pirâmide, as três primeiras dimensões\u2013 
empreendedor, organização e o meio \u2013 fazem parte mais especificamente do 
empreendedorismo endógeno e o tempo e o ambiente, que são exteriores, podem ser vistos 
tanto como obstáculos quanto como possibilidades para a ação empreendedora (p.27). Essa 
maneira de conceber o empreendedorismo permite entender a centralidade do empreendedor 
no negócio, englobando a disseminação da cultura por esse ator social que aumenta a 
coerência entre seu comportamento e sua maneira de gerir e lidar com seu negócio, olhando 
para o ambiente e para o social. Mas, como isso poderia ser possível, dada a ausência para ele 
de informação sobre o tema? Essa tem sido uma questão recorrente entre pesquisadores da 
área no rol de pesquisas que tratam do papel do empreendedor no contexto e no entorno em 
que atua (Nassif, 2004). Ainda há muito a se fazer, pois a proposta do desenvolvimento 
sustentável em conexão com o empreendedorismo é recente e desafiadora, sinalizando a 
necessidade de sensibilizar proprietários de pequenos negócios para questões recorrentes 
dessa temática. Assim sendo, o presente artigo teórico visa destacar alguns aspectos que 
permitem aos empreendedores de micro e pequenas empresas refletirem sobre seus negócios 
segundo a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Tal perspectiva encerra um senso de 
urgência para a melhoria das condições de vida no meio ambiente e a noção de que a falta de 
atenção para a sustentabilidade pode contribuir para o sucesso imediato dos negócios, mas 
comprometendo seu futuro. 
Destas reflexões, foi possível desdobrar aspectos tais como as práticas voltadas ao 
desenvolvimento sustentável; os motivos que poderiam levar empreendedores a adotarem os 
princípios do desenvolvimento sustentável em seus negócios, compreender como a 
perspectiva social e a ambiental se equilibram frente às questões financeiras de negócios 
empreendedores, além de conhecer as bases do empreendedorismo sustentável numa visão 
baseada nos stakeholders. 
 
Referencial Teórico 
 
 Conceitos e princípios de sustentabilidade nas organizações 
A preocupação da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do planeta 
iniciou-se na década de 1960, quando começaram as discussões sobre os riscos da degradação 
 
 
 
 
 
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do meio ambiente (Almeida, 2002). Os debates na década de 1980 sobre o eco-
desenvolvimento abriram espaço para o conceito de desenvolvimento sustentável ao 
enveredarem para o questionamento de como conciliar atividade econômica e conservação do 
meio ambiente (Cavalcanti, 1995; Sato, 1996; Almeida, 2002). Grande ênfase passou a ser 
dada à questão ecológica como ponto central do conceito de desenvolvimento sustentável. No 
entanto, as orientações ecológicas, que incluem a eficiência na utilização dos recursos naturais 
não são suficientes para assegurar o desenvolvimento sustentável, mesmo sendo contribuições 
importantes nesse sentido (Hartman et al., 1999). 
Em uma conferência realizada em 1999, nos Estados Unidos (The Eighth Annual Greening of 
Industry Conference, Sustainability: Ways of Knowing / Ways of Acting), salientou-se que o 
conceito de desenvolvimento sustentável está se expandindo a partir da inclusão de temas 
sociais, assumindo, assim, um sentido mais amplo, que integra questões sociais, ambientais e 
econômicas \u2013 de modo a constituir o tripé conhecido como triple-bottom