EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs
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EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs


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line (Almeida, 
2002). O desenvolvimento sustentável passa a ser reconhecido como a forma pela qual a 
sociedade atual satisfaz suas necessidades sem, no entanto, comprometer a capacidade das 
futuras gerações de satisfazer suas próprias necessidades (Almeida, 2002). Em 
complementaridade, a visão organizacional de sustentabilidade proposta por Rodriguez et al. 
(2002) ressalta a importância das questões éticas envolvidas no desenvolvimento sustentável, 
conceituando-o com base em quatro pilares: (1) razões físicas, dentre as quais estão os 
recursos naturais e o meio ambiente; (2) razões sociais, que englobam ações efetivas da 
organização na sociedade, além do simples cumprimento das leis ou oferecimento de 
empregos; (3) razões éticas, que incluem a individualidade e os valores pessoais no trabalho, 
além de contribuírem para a distribuição de oportunidades para a sociedade; e (4) razões de 
negócios, que resultam da combinação dos três pilares anteriores, reafirmando pressupostos 
de Jones (1995). 
No contexto brasileiro, Almeida (2002) faz um breve histórico das preocupações com 
questões ambientais que se fazem presentes desde 1913 em discussões e fóruns que visaram a 
criação de parques de preservação do meio ambiente e da terra, além da sensibilização da 
comunidade para o processo acelerado de destruição do meio ambiente. O intenso 
desenvolvimento da atividade industrial do país e o consequente aumento da urbanização 
provocaram a ampliação deste foco de discussão, abrindo espaço para denúncias sobre 
degradação do meio ambiente. O fechamento da empresa Borregaard/Riocell no Rio Grande 
do Sul em 1972 foi uma demonstração da força da comunidade local e regional em dizer não 
aos danos causados pela contaminação do ar e da água e evidenciou o impacto das questões 
ambientais para a estratégia das empresas (Almeida, 2002). 
Welsh e Herremans (1998) destacam que empresas que devotam seu tempo de planejamento 
estratégico, especialmente antes do início de suas operações, considerando os aspectos da 
política ambiental e social, usufruem de benefícios não apenas imediatos, mas também no 
longo prazo. Ao planejar uma estratégia que contempla o desenvolvimento sustentável, é 
necessário considerar os interesses dos diversos stakeholders, como o desenvolvimento da 
economia local, educação e participação da comunidade gerada pelo funcionamento do 
negócio e a criação de sistemas de controle ambiental que auto-regula as operações da 
empresa (Mello, 1996, Molnar & Mulvihill, 2003). 
Uma estratégia apoiada nos princípios do desenvolvimento sustentável requer da empresa a 
criação de mecanismos para mensurá-la por meio do estabelecimento de indicadores 
apropriados, de forma a garantir o seu sucesso (Strobel et al., 2004). Ao contrário disso, o uso 
 
 
 
 
 
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de indicadores de desempenho tradicionais e que visam avaliar estratégias de 
desenvolvimento sustentável podem negligenciar o aspecto econômico-financeiro, fato que 
poderá comprometer o resultado da empresa (Strobel et al., 2004; Bellen, 2004). Assim, uma 
empresa não poderá ter um alto índice de sustentabilidade se não observar o tripé econômico, 
social e ambiental, pois, se a mesma não for financeiramente sólida, não terá recursos 
suficientes para investir no social e ambiental, no que se refere às questões que, normalmente, 
vão além dos processos de gestão cotidianos de produzir bens e serviços (Strobel et al., 2004). 
Esses autores ressaltam que o equilíbrio entre essas dimensões do conceito de sustentabilidade 
nas empresas é fundamental para que os indicadores sejam eficazes em médio e longo prazos, 
a fim de estabelecer uma relação consistente e mensurável dos fatores econômicos com os 
fatores sociais e ambientais. Em uma pesquisa desenvolvida por Welsh e Herremans (1998), 
cujo objetivo foi o de entender como empreendedores desenvolvem estratégias de negócio, foi 
observado que, além das ações estarem relacionadas às características pessoais deles, os 
empreendedores se mostraram como pessoas convictas em respeitar o meio ambiente, além de 
possuírem uma boa visão de sustentabilidade. Os autores afirmam ainda que os 
empreendedores desenvolvem seus negócios considerando seus próprios valores e aquilo que 
acreditam que a empresa possa vir a ser. Embora exista o controle formal das operações do 
negócio, como regras, políticas e procedimentos, há o autocontrole que é informal e se baseia 
na ética e nas crenças do empreendedor, como reforçam Jones (1995) e Molnar & Mulvihill 
(2003). Esty e Winston (2006, p.34) afirmam que as pequenas empresas não estão livres da 
onda verde e devem adequar-se a ela por cinco razões: 
 
\ufffd A legislação ambiental que só se aplicava às grandes empresas, agora abrange 
as empresas menores; 
\ufffd Pequenas empresas também estão sob o olhar de grupos ativistas, que exigem a 
diminuição de seus impactos ambientais; 
\ufffd A redução dos custos permite maior acesso ao sistema de monitoramento de 
poluição e de verificação de conformidade regulamentar; 
\ufffd As MPEs estão sendo pressionadas a adequar-se às normas ambientais quando 
atuam como fornecedoras de grandes companhias certificadas por sistemas de 
gestão ambiental; 
\ufffd As MPEs são mais ágeis do que concorrentes maiores para responder às 
mudanças macroambientais, levando vantagem e identificando rapidamente 
nichos de mercado. 
 
Essas razões nos levam a crer que as grandes empresas vão pressionar as pequenas a terem 
comportamento sustentável, senão as pequenas terão uma vantagem em relação às grandes por 
estarem livres dessa exigência. É como quando os grandes não querem que os pequenos 
soneguem impostos. Stead e Stead (2000) fazem um alerta, não apenas para as empresas de 
grande porte, mas também para as MPEs, segundo o qual o sucesso econômico dos negócios é 
dependente da melhoria da qualidade de vida dos países que são mercados potenciais para 
expansão dos negócios. Por esta lógica, ressaltam que as empresas precisam se atentar para os 
processos educacionais, assim como, para o oferecimento de oportunidades e ações que 
promovam a melhoria geral da sociedade. 
Está presente nessas visões o envolvimento das empresas com seus stakeholders, que vão 
desde o cumprimento dos aspectos legais até o bom relacionamento com clientes, 
 
 
 
 
 
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funcionários, fornecedores, acionistas, proprietários e com a comunidade local (Clarkson, 
1995). 
O crescimento econômico por meio do desenvolvimento de novos recursos, capacidades e 
atividades (processos embora específico para cada tipo de negócio) implicam no 
desenvolvimento dos recursos sociais, que requerem o estabelecimento de novas relações da 
organização com seus stakeholders (Rodriguez et al., 2002). 
Percebe-se assim, a necessidade de se incorporar a sustentabilidade aos processos gerados 
pelas pequenas e médias empresas, além de se abrir oportunidades para a adoção de boas 
práticas socioambientais. 
Para tal, é importante conhecer como que os empreendedores estão se comportando em 
relação ao desenvolvimento sustentável, pois assim é possível verificar seus posicionamentos 
frente às futuras ações em prol da sustentabilidade no meio empresarial. 
 
Desenvolvimento sustentável: fragmentos do discurso empresarial 
Dentre todos os artigos pesquisados da Revista Exame (2002-2004) foram selecionados 
e analisados alguns para ilustrar como o conceito de desenvolvimento sustentável está sendo 
abordado. O Quadro 1 apresenta alguns achados acerca do tema cujas informações estão 
disponibilizadas no site da Revista.