EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs
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EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL, UMA AGENDA PARA EMPREENDEDORES DE MPEs


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Anais do II SINGEP e I S2IS \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil \u2013 07 e 08/11/2013 
 
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O relacionamento da organização, com seus stakeholders, ocorre em três níveis (Rodriguez et 
al., 2002): o consubstancial, o contratual e o contextual. O nível consubstancial inclui os 
shareholders e investidores, os empregados e os parceiros estratégicos. Os autores destacam, 
especialmente, a necessidade de a empresa respeitar os valores pessoais dos colaboradores, 
mantê-los em constante processo de aprendizagem em uma sociedade de informação e 
substituir comportamentos vinculados ao controle dos empregados por práticas de confiança e 
de autocontrole. O nível contratual compreende os fornecedores e serviços terceirizados, as 
instituições financeiras e os clientes. A parceria entre fornecedores e a organização deve 
também ser baseada na confiança, com participação ativa das partes. O nível contextual 
incorpora os atores, a mídia, comunidades locais, países e sociedade e a administração 
pública. Rodriguez et al., (2002) dão atenção ao papel da empresa perante estes stakeholders, 
uma vez que os negócios são parte integrante do sistema natural e social. 
Hartman et al. (1999) e Rossi et al. (2000) enfatizam a necessidade do estabelecimento de 
parcerias para o alcance da sustentabilidade, o que implica em uma série de trocas entre os 
diversos setores da sociedade. Os autores advertem que as parcerias devem fazer parte da 
pauta do empreendedor, cujos resultados podem enveredar para inovações, estabelecimento 
de novos valores sociais, e ainda alianças com governo, organizações não governamentais e 
sociedade, com o objetivo de criar uma cultura sustentável. Rossi et al. (2000) enfatizam o 
desenvolvimento de alianças como um requisito do desenvolvimento sustentável e Schneider 
(2002) propõe um modelo que contempla a influência da ação externa de um ambiente extra-
institucional (globalização, avanços tecnológicos e gerenciamento lógico) e institucional 
(regulamentações, mercado de capitais e governança). Para os autores, este tipo de 
organização não é compatível com os modelos burocráticos clássicos predominantes da era 
industrial. Isto revela que a implementação de uma abordagem com propósitos voltados à 
sustentabilidade implica em práticas gerenciais mais participativas e negociadas com grupos 
caracterizados por múltiplos interesses, podendo exigir mudanças estratégicas fundamentais. 
Schlange (2009) explica que os empreendedores movidos economicamente pretendem 
inicialmente criar valor econômico e que seu foco está nos stakeholders que influenciam 
diretamente o fluxo de dinheiro em um novo empreendimento de risco nos negócios. Já os 
empreendedores sociais são aqueles que pretendem gerar valores sociais e, nesse sentido, 
embora criar uma nova organização seja vital, o lucro não é parte de sua motivação. A 
necessidade de gerar dinheiro flui e os retornos para empreendimentos sociais são atenuados, 
mas de modo nenhum se tornam irrelevantes. E, para esse autor, os empreendedores movidos 
ecologicamente se voltam para a criação de valores que melhorem o ambiente ecológico e/ou 
impedem sua degradação. Como representa largamente uma soma de bens públicos, no 
entanto, a questão é se o propósito de aliviar a natureza dos efeitos destrutivos da intervenção 
humana e/ou incidentes ecológicos é comercial ou social. O autor pondera ainda que no 
primeiro caso, a lógica dos negócios é muito similar àquela discutida em relação aos 
empreendedores movidos economicamente: oportunidades de negócios verdes que são vistas 
como meios de se criar um empreendimento potencialmente viável, já que o aspecto 
ecológico pode ser usado para se gerar vantagem competitiva. No segundo caso, no entanto, a 
causa social é guia principal, refletindo a idéia de que a deterioração ambiental irá, 
eventualmente, atingir largamente a sociedade. 
Schlange (2009), no entanto, alerta para o fato de que os três conceitos de empreendedores 
têm autonomia quanto à conformação de seus stakeholders, mas somente a intersecção entre 
as três dimensões não é suficiente para se entender o empreendedorismo sustentável. Assim, 
 
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Anais do II SINGEP e I S2IS 
visando contemplar um modelo que considera todos os 
perspectiva, com a concepção de que \u201cum todo é maior do que a soma de suas partes\u201d, 
desenvolve um modelo (Figura 2), corroborando os pressupost
mencionar que a idéia de sustentabilidade para uma personalidade empreendedora pode conter 
em si uma esfera ética ou até mesmo espiritual, elevando o conceito 
da situação empreendedora que transcende qualquer
estudo. 
 
Figura 2 \u2013 Empreendedorismo Sustentável sob uma perspectiva holística
Fonte: Schlange (2009) 
 
Além dos modelos de Young e Tilley (2006) e de Schlange (2009), Borges et al. (2013)
sugerem uma tipologia par
tipos, conforme a Quadro 3.
 
Indicador 
Nicho da sustentabilidade explorado
 
Papel da sustentabilidade 
Uso da responsabilidade social empresarial
Quadro 3 \u2013 Tipos de Empreendedorismo Sustentável
Fonte: Borges et al. (REGEPE, v.2, n.1, p.84, 2013)
 
O Quadro 3 demonstra a relação entre os indicadores com os tipos de empreendedorismo 
sustentável. Borges et al. (2013) argumentam que pesquisas empíricas realizadas com essas 
diferentes categorias podem evidenciar empreendedores sustentáveis atentos aos negócios 
ambientais ou sociais e não apenas empreendedores que se voltam aos aspectos econômicos e 
financeiros, como único argumento de se fazer negócios. Estes empreendedores seriam 
reconhecidos como aqueles que se preocupam com as questões sociais, além de aprendere
lidar com outro conceito complexo que é 
empreendedorismo apontado
podem determinar se o negócio é voltado para 
Borges et al. (2013) argumentam que o
 
 
 
 
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Anais do II SINGEP e I S2IS \u2013 São Paulo \u2013 SP \u2013 Brasil \u2013 07 e 
 
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visando contemplar um modelo que considera todos os stakeholders
perspectiva, com a concepção de que \u201cum todo é maior do que a soma de suas partes\u201d, 
desenvolve um modelo (Figura 2), corroborando os pressupostos de Isaak (2002) ao 
mencionar que a idéia de sustentabilidade para uma personalidade empreendedora pode conter 
em si uma esfera ética ou até mesmo espiritual, elevando o conceito ao entendimento holístico 
da situação empreendedora que transcende qualquer perspectiva específica de um
Empreendedorismo Sustentável sob uma perspectiva holística 
Além dos modelos de Young e Tilley (2006) e de Schlange (2009), Borges et al. (2013)
sugerem uma tipologia para o empreendedorismo sustentável organizada em indicadores e 
3. 
Tipo 
Nicho da sustentabilidade explorado Negócio ambiental 
Negócio social 
Sustentabilidade como meio 
Sustentabilidade como objetivo 
Uso da responsabilidade social empresarial Com responsabilidade social empresarial 
Sem responsabilidade social empresarial
Tipos de Empreendedorismo Sustentável 
Fonte: Borges et al. (REGEPE, v.2, n.1, p.84, 2013) 
demonstra a relação entre os indicadores com os tipos de empreendedorismo 
. Borges et al. (2013) argumentam que pesquisas empíricas realizadas com essas 
diferentes categorias podem evidenciar empreendedores sustentáveis atentos aos negócios 
ientais ou sociais e não apenas empreendedores que se voltam aos aspectos econômicos e 
financeiros, como único argumento de se fazer negócios. Estes empreendedores seriam 
reconhecidos como aqueles que se preocupam com as questões sociais, além de aprendere
lidar com outro conceito complexo que é o da responsabilidade social empresarial. Os tipos de 
empreendedorismo apontados pelos autores resumem em nichos de sustentabilidade que 
podem determinar se o negócio é voltado para negócios ambientais ou para ne
Borges et al. (2013) argumentam