Exemplo Monografia - Leandro Henrique - Administração
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Exemplo Monografia - Leandro Henrique - Administração


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econômicos, como a União Europeia. 
As empresas, inicialmente de grande porte, começaram com a prática 
associativista e logo colheram os frutos desta inovação administrativa 
(OHMAE, 1991). 
A explicação para a busca associativista pode ser melhor entendida nas 
palavras de Marquez, que diz: 
 
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Em virtude do ambiente empresarial altamente 
competitivo dos dias atuais, as empresas têm de ser 
flexíveis, altamente inovadoras, responsáveis e eficientes 
em termos de custo. Uma vez que poucas empresas 
dispõem das capacitações e dos recursos para 
demonstrar esse comportamento o tempo todo, cresce 
cada vê mais o número daquelas que buscam parcerias e 
alianças, a fim de adquirir vantagem competitiva. 
(MARQUEZ, 2003, p.8), 
 
Casarotto Filho e Pires, afirmam que: 
 
A cooperação entre pequenas empresas é algo tão 
irreversível como a globalização, ou melhor, talvez seja a 
maneira como as pequenas empresas possam assegurar 
sua sobrevivência e a sociedade garantir o seu 
desenvolvimento equilibrado. (CASAROTTO FILHO E 
PIRES, 2001, p. 38) 
 
O processo associativista empresarial já despertou o interesse de micro 
e pequenas empresas europeias há algum tempo, e este fenômeno há pouco 
chegou ao Brasil e por isto ainda está em fase de desenvolvimento e 
concretização. 
Para Ohmae (1991, p. XIV) a tradição e o orgulho fazem com que as 
empresas queiram ser melhores em tudo, fazer tudo sozinhas. Mas as 
empresas não podem mais se permitir a esta postura solitária. Esta afirmativa 
pode ser uma explicação para o, ainda, baixo índice existente de empresas 
participantes do processo associativista brasileiro e para o alto índice de 
mortalidade das micro e pequenas empresas. 
Pesquisa feita pelo SEBRAE-SP (2005) mostra que 56% dos negócios 
fecham antes de completar o quinto ano de operação. Falta de planejamento, 
desconhecimento do mercado e despreparo para a gestão do empreendimento 
estão entre as principais causas dessa mortalidade elevada. 
Estudar as MPEs é de grande relevância para a economia nacional. 
Estudos do SEBRAE demonstram que empresas deste porte representam 
99,20% do total das empresas em atividade no país. Além disto, essas 
empresas são responsáveis pela geração de 57,2% dos empregos formais e 
são responsáveis por gerar 45% do Produto Interno Bruto (PIB) de nossa 
nação. 
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A região metropolitana de São Paulo (RMSP), umas das regiões com 
maior concentração de MPEs do Brasil, tem um total de 759.137 MPEs 
(SEBRAE, 2007), das quais 61.754 (12,29%) estão localizadas nos municípios 
de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, o que prediz 
a importância econômica das MPEs na região. 
No GABC, as MPEs estão cada vez mais presentes. A região passa nas 
últimas décadas por uma mudança drástica em seu estereótipo. Antes, vista 
como o paraíso das indústrias automobilísticas, a região tinha a característica 
de ser formada por grandes empresas que empregavam a maioria da 
população. 
Com a descentralização industrial que ocorreu, e continua ocorrendo no 
país, as grandes empresas buscam regiões que lhes ofereçam melhores 
condições financeiras e logísticas. Devido a este fenômeno, a região perdeu 
grande parte de sua força industrial, tornando-se uma região com alta 
concentração de comércio e prestação de serviço, onde a maior parte da mão-
de-obra foi absorvida pelas MPEs. 
Sob esta realidade, o SEBRAE desenvolveu o Projeto Empreender: 
 
(...)é um programa que promove o associativismo e o 
desenvolvimento empresarial através da organização das micro 
e pequenas empresas em núcleos setoriais, tendo como visão 
estratégica contribuir para o desenvolvimento social, 
econômico e sustentável das comunidades, tendo como 
objetivo elevar a competitividade das micro e pequenas 
empresas e promover o desenvolvimento organizacional das 
associações empresariais. SEBRAE (2000): 
 
No GABC, este programa está sendo implantado pelo SEBRAE da 
região juntamente com a Associação Comercial e Industrial das cidades de 
Santo André, São Caetano do Sul e Ribeirão Pires. 
Baseando-se nos dados demonstrados, justifica-se a necessidade de 
uma investigação e análise da experiência do Projeto Empreender implantado 
na região do GABC, analisando estes dados com os dados de pesquisa 
disponível ao público, pelo Departamento Europeu de Pesquisa ao 
Associativismo. 
A ampla experiência e utilização deste processo na Europa faz com que 
o continente torne-se referência para estudos, pois as iniciativas lá ocorridas, e 
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ainda em desenvolvimento, proporcionam grande potencial de crescimento 
para as MPEs e para as regiões envolvidas. 
 
1.4 Contribuições Previstas do Estudo 
 
Tem-se a expectativa de que ao final da pesquisa seja possível analisar 
a experiência do Projeto Empreender na região do GABC e sua estrutura, além 
da identificação do perfil dos participantes e as formas de associativismo 
ocorridas. 
Além disso, pretende-se demonstrar que o processo associativista 
empresarial ainda é um processo pouco explorado e desenvolvido na região do 
GABC. 
Espera-se que o presente trabalho contribua para o fortalecimento de 
ações associativistas entre MPEs. Para tal, pretende-se mostrar às instituições 
ligadas ao desenvolvimento das MPEs e aos governos locais que se faz 
necessária uma política de conscientização e enraizamento cultural do 
coletivismo e não do individualismo. 
 
1.5 Delimitação do Estudo 
 
O presente trabalho foi realizado por meio de pesquisa exploratória e 
descritiva com micro e pequenas empresas da região do GABC participantes 
do Projeto Empreender e utilizando-se dados obtidos pelo Observatório 
Europeu das Pequenas e Médias Empresas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2. REVISÃO DA LITERATURA 
 
Neste capítulo serão apresentadas as principais formas existentes de 
associativismo empresarial. Uma definição pontual do conceito não é simples, 
já que existem muitas formas do fenômeno ocorrer. Para Carrão (2004), a 
multiplicidade de formas do sistema faz com que não haja um consenso sobre 
o conceito do tema. 
 O conceito de associativismo empresarial está diretamente ligado ao 
conceito de redes. O conceito de redes é utilizado em diferentes áreas da 
ciência. Para Castells (1999), 
 
redes são estruturas abertas capazes de expandir de 
forma ilimitada, integrando novos nós desde que 
consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde 
que compartilhem os mesmos códigos de comunicação 
(por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma 
estrutura social com base em redes é um sistema aberto 
altamente dinâmico suscetível de inovação sem ameaças 
ao seu equilíbrio (CASTELLS, 1999, p. 499) 
 
 Porter (1999, p. 106) define as redes no horizonte empresarial ao 
conceituá-las como sendo o método organizacional de atividades econômicas 
através da coordenação e/ou cooperação inter-firmas. 
 
 No contexto desse estudo opta-se por utilizar o conceito de Varamäki e 
Vesalaime (2003, p. 27) porque este carrega a complexidade do conceito, não 
excluindo de sua definição as diversas formas de associativismo existente. As 
autoras entendem o associativismo empresarial como sendo: 
 
certos grupos que podem consistir de firmas com relações 
verticais ou horizontais e nas quais os membros das 
firmas tenham interesses em comum e juntos encontrem 
algumas maneiras de elevar o grau de competitividade 
usando o sistema multilateral de cooperação. 
 
 
 A escolha do conceito de Varamäki e Vesalaime (2003) deu-se após 
levantamento bibliográfico de autores em destaque sobre o associativismo. 
 
 
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Quadro 1 \u2013 Fontes do referencial teórico