Fundamentos e estrutura do cooperativismo
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Fundamentos e estrutura do cooperativismo


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Entre as entidades que atuam também como
representantes sindicais podem ser citadas:
1 \u2013 Fecoop/NE \u2013 Federação dos Sindicatos das Cooperativas dos Estados de Pernambuco,
Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, com sede em Recife-PE.
2 \u2013 Fecoop Centro-Oeste e Tocantins \u2013 Federação dos Sindicatos das Cooperativas do Dis-
trito Federal e dos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, com
sede em Goiânia-GO.
3 \u2013 Fecoop/Sulene \u2013 Federação dos Sindicatos das Cooperativas dos Estados de Alagoas,
Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina, com sede em Vitória-ES.
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4\u2013 Fecoopar \u2013 Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná. Constituída
pela Ocepar; Sincoopar Transporte; Sincoopar Sudeste; Sincoopar Norte; Sincoopar
Noroeste; Sincoopar Oeste; Sincoopar Saúde; Sincoopar Centro Sul e Sincoopar Crédi-
to. Tem sede em Curitiba \u2013 PR.
5 \u2013 Ocergs \u2013 Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul, sediada em
Porto Alegre, atua como representante do sistema e também na representação sindical
patronal do cooperativismo no RS.
Seção 2.3
Cooperativas Singulares e Centrais
Como você estudou na seção anterior, os sistemas de organização e representação,
tanto nacional quanto internacional, se constituem de várias cooperativas para formar ali-
anças, organizações, federações e confederações, mas para além dessas classificações, que
organizam um conjunto de cooperativas, temos também uma classificação que organiza a
cooperativa de forma individual, como singular ou central.
2.3.1 \u2013 COOPERATIVAS SINGULARES
Uma cooperativa singular, também identificada como cooperativa de primeiro grau, é
uma sociedade de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não
sujeita à falência, constituída para prestar serviços aos seus sócios e que cumpra os princí-
pios fundamentais do cooperativismo (ver seção 1.2 deste livro).
O número mínimo para se organizar uma cooperativa singular é de 20 pessoas físicas,
conforme dispõe a Lei 5.764/71. Constituída a organização formalmente por meio dos esta-
tutos sociais, os associados passam a ter direitos e deveres. Conforme o princípio da gestão
e controle democrático, nas cooperativas singulares os sócios têm igualdade na votação
(um sócio \u2013 um voto).
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Relembrando: as cooperativas singulares devem cumprir um conjunto de característi-
cas, dentre as quais destacamos:
a) adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade
técnica de prestação de serviços;
b) variabilidade do capital social, representado por cotas-partes;
c) limitação do número de cotas-partes para cada associado, facultado, porém, o
estabelecimento de critérios de proporcionalidade;
d) inacessibilidade das cotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade;
e) retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações reali-
zadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da assembléia geral;
f) quórum para o funcionamento e deliberação da assembléia geral baseado no
número de associados e não no capital;
g) indivisibilidade do fundos de reserva e de assistência técnica educacional e soci-
al;
h) neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social;
i) prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos
empregados da cooperativa;
j) área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle,
operações e prestação de serviços.
As cooperativas singulares, à luz das definições da legislação e das definições dos seus
próprios associados, regulamentada em seus estatutos e regimentos, poderão adotar meca-
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nismos de organização interna para atender aos interesses da entidade e dos seus associa-
dos. Os associados das cooperativas singulares são, simultaneamente, seus usuários e pro-
prietários, participando da gestão e do controle, e elegendo seus respectivos Conselho de
Administração e Conselho Fiscal.
2.3.2 \u2013 COOPERATIVAS CENTRAIS
As cooperativas centrais, também identificadas como cooperativas de segundo grau,
têm o seu quadro de associados formado, exclusivamente, pelas cooperativas singulares. As
cooperativas centrais têm o papel de representar economicamente, e também politicamente,
as cooperativas que dela fazem parte, estimulando a intercooperação entre as cooperativas,
seus cooperados e também entre o próprio sistema cooperativo.
As cooperativas centrais são constituídas de três ou mais cooperativas, conforme as
definições do Art. 6º, inciso II da Lei 5764/1971 (Brasil, 2008). Esta lei será estudada na
Unidade 3 deste livro.
Podem ser destacadas como as principais funções e responsabilidades das cooperati-
vas centrais:
a) promover a integração entre as cooperativas filiadas;
b) promover a comercialização de produtos em comum, entre as cooperativas associadas,
ampliando a escala e o poder de barganha tanto na venda quanto na compra em comum
de produtos e/ou serviços de interesse das cooperativas associadas.
c) promover a agregação de valor aos produtos e serviços das cooperativas associadas, seja
também pela industrialização, distribuição, logística e comercialização em comum.
d) prestar assessoria às associadas nas operações e serviços, por meio da manutenção de
especialistas em seus quadros de pessoal;
e) oferecer serviços de inspeção e auditoria às cooperativas singulares (o que é, inclusive,
instruído pelo Banco Central quando se tratar de cooperativas de crédito);
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f) elaborar e coordenar programas de educação cooperativa, de capacitação e desenvolvi-
mento de recursos humanos (dirigentes, conselheiros, gerentes, associados e funcionários),
contribuindo significativamente para o aprimoramento das cooperativas singulares;
g) prestar serviço de apoio ao planejamento e à gestão financeira, em que a liquidez do
sistema é gerenciada, produzindo significativo ganho de escala nas taxas obtidas junto
ao mercado financeiro;
h) prestar serviço de redirecionamento dos recursos excedentes de uma cooperativa para
outra;
i) centralizar serviços e processos administrativos, produzindo economia de escala para as
cooperativas singulares;
j) oferecer suporte tecnológico e qualificar os mecanismos de comunicação;
k) buscar, no sistema bancário, linhas de recursos para serem emprestados por suas filiadas
aos seus associados.
Na constituição das cooperativas centrais podem ser relacionadas algumas vantagens
e benefícios. Destacam-se: a valorização da intercooperação; o ganho de escala com a cen-
tralização de serviços considerados de apoio ao negócio; capacidade de investimentos em
áreas que exigem maior aporte de capital, ou em áreas de conhecimento específico;
posssibilidade de viabilizar estruturas de agroindustrialização, comercialização e distribui-
ção, agregando valor à cadeia produtiva; redução do valor mínimo exigido para o capital
social das singulares; fortalecimento do sistema por meio de procedimentos e normas padro-
nizadas; garantia de maior segurança e credibilidade ao sistema, a partir dos controles e
interveniência nas operações financeiras.
Sendo assim, é possível perceber ao final desta unidade que, embora a cooperativa
seja uma alternativa para alcançar uma vida melhor, em busca do acesso à propriedade, do
justo preço, da distribuição de resultados, entre outros, não há como se furtar da realidade
imposta pelo mercado, pela concorrência e pelos avanços tecnológicos e de gestão. Então,
não siga adiante se você ainda tem dúvidas quanto ao conteúdo tratado nesta unidade!
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