Fundamentos e estrutura do cooperativismo
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Fundamentos e estrutura do cooperativismo


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ESTRUTURA DO COOPERATIVISMO
Unidade 3Unidade 3Unidade 3Unidade 3
GESTÃO, CONTROLE E LEGISLAÇÃO COOPERATIVA
OBJETIVOS DESTA UNIDADE
\u2022 Oferecer a oportunidade de conhecer os mecanismos de gestão, controle e legislação do
cooperativismo.
\u2022 Oportunizar o aprofundamento da compreensão da influência destes temas, interligados
com os demais componentes de gestão cooperativa.
AS SEÇÕES DESTA UNIDADE
As seções desta unidade são denominadas pelo termo de Capítulos, visando a acom-
panhar as mesmas definições utilizadas na legislação cooperativa. Assim, apresentaremos
18 seções que correspondem a 18 capítulos da Lei do Cooperativismo Brasileiro. Nesta dis-
tribuição constam as definições da estrutura, gestão e controle do cooperativismo no Brasil,
a partir das definições da Lei 5764/1971 (Brasil, 2008), ou \u201cLei do Cooperativismo Brasilei-
ro\u201d. No final agrega-se a seção 19, com abordagem dos temas da autonomia e da auto-
gestão cooperativa, definida a partir da Constituição Federal do Brasil (1988).
As cooperativas são sociedades civis, isto é, sociedades de pessoas (não de capitais),
com forma e natureza jurídica próprias, reguladas pela Lei 5764/1971 (Brasil, 2008). Dife-
rem de toda forma de empresa mercantil e de associações. São organizações que não visam
ao lucro, embora exerçam atividade econômica e devem fazê-lo de forma competente e equi-
librada, atendendo aos seus objetivos sociais.
O que é Estatuto Social?
O Estatuto Social é o principal documento da cooperativa, onde estão dispostas as
regras de seu funcionamento. Elas funcionam como leis internas e devem tratar de questões
que não mudem de acordo com o momento, ou seja, que sejam mais constantes, como a
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denominação, o objeto e os objetivos da cooperativa, os direitos e obrigações dos associa-
dos, atribuições de funções dos Conselhos de Administração e Fiscal, especificações dos
fundos, destino das sobras, etc.
Pergunta-se: o que é um regimento interno?
É o documento interno da cooperativa que estabelece suas regras rotineiras como:
horário de entrada e saída dos funcionários e associados, atribuição de funções e valor das
retiradas, horários de almoço e descanso, vestimentas adequadas para cada função, regras
de convivência da cooperativa, entre outras.
Cabe salientar, porém, que embora os regimentos internos possam ter variações de
uma cooperativa para outra, eles devem estar em conformidade com o disposto na Lei do
Cooperativismo Brasileiro, que conheceremos a seguir.
Seção 3.1
Capítulo I \u2013 Da Política Nacional de Cooperativismo
Art. 1° Compreende-se como Política Nacional de Cooperativismo a atividade decor-
rente das iniciativas ligadas ao sistema cooperativo, originárias do setor público ou privado,
isoladas ou coordenadas entre si, desde que reconhecido seu interesse público.
Art. 2° As atribuições do governo federal na coordenação e no estímulo às atividades
de cooperativismo no território nacional serão exercidas na forma desta Lei e das normas
que surgirem em sua decorrência.
Parágrafo único. A ação do poder público se exercerá, principalmente, mediante pres-
tação de assistência técnica e de incentivos financeiros e creditórios especiais, necessários à
criação, desenvolvimento e integração das entidades cooperativas.
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Seção 3.2
Capítulo II \u2013 Das Sociedades Cooperativas
Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se
obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de
proveito comum, sem objetivo de lucro.
Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica pró-
prias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos asso-
ciados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características:
I \u2013 adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade téc-
nica de prestação de serviços;
II \u2013 variabilidade do capital social representado por cotas-partes;
III \u2013 limitação do número de cotas-partes do capital para cada associado, facultado,
porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado
para o cumprimento dos objetivos sociais;
IV \u2013 inacessibilidade das cotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade;
V \u2013 singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confedera-
ções de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério
da proporcionalidade;
VI \u2013 quórum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no
número de associados e não no capital;
VII \u2013 retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações reali-
zadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral;
VIII \u2013 indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e
Social;
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IX \u2013 neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social;
X \u2013 prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos
empregados da cooperativa;
XI \u2013 área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle,
operações e prestação de serviços.
Seção 3.3
Capítulo III \u2013 Do Objetivo e Classificação das Sociedades Cooperativas
Art. 5° As sociedades cooperativas poderão adotar por objeto qualquer gênero de servi-
ço, operação ou atividade, assegurando-se-lhes o direito exclusivo e exigindo-se-lhes a obri-
gação do uso da expressão \u201ccooperativa\u201d em sua denominação.
Parágrafo único. É vedado às cooperativas o uso da expressão \u201cbanco\u201d.
Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas:
I \u2013 singulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo
excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas
ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos;
II \u2013 cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no míni-
mo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais;
III \u2013 confederações de cooperativas, as constituídas, pelo menos, de 3 (três) federações
de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades.
§ 1º Os associados individuais das cooperativas centrais e federações de cooperativas
serão inscritos no Livro de Matrícula da sociedade e classificados em grupos visando à trans-
formação, no futuro, em cooperativas singulares que a elas se filiarão.
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§ 2º A exceção estabelecida no item II, in fine, do caput deste artigo, não se aplica às
centrais e federações que exerçam atividades de crédito.
Art. 7º As cooperativas singulares se caracterizam pela prestação direta de serviços
aos associados.
Art. 8° As cooperativas centrais e federações de cooperativas objetivam organizar, em
comum e em maior escala, os serviços econômicos e assistenciais de interesse das filiadas,
integrando e orientando suas atividades, bem como facilitando a utilização recíproca dos
serviços.
Parágrafo único. Para a prestação de serviços de interesse comum, é permitida a cons-
tituição de cooperativas centrais, às quais se associem outras cooperativas de objetivo e
finalidades diversas.
Art. 9° As confederações de cooperativas têm por objetivo orientar e coordenar as ati-
vidades das filiadas, nos casos em que o vulto dos empreendimentos transcender o âmbito
de capacidade ou conveniência de atuação das centrais e federações.
Art. 10. As cooperativas se classificam também de acordo com o objeto ou pela nature-
za das atividades desenvolvidas