Fundamentos e estrutura do cooperativismo
102 pág.

Fundamentos e estrutura do cooperativismo


DisciplinaAdministração138.002 materiais975.545 seguidores
Pré-visualização23 páginas
desencanto e perda de interesse em suas atividades por parte de seus
associados.
Por seu caráter de organização democrática e
participativa, é fundamental que nas cooperativas a
governabilidade seja promovida e vigiada a partir de sua
base, ou seja, de seus associados. Se não houver uma
adequada governabilidade, não haverá envolvimento e
comprometimento da base social . O risco de
ingovernabilidade é grande e inclusive pode pôr em peri-
go a existência da própria organização cooperativa. A
governabilidade deve envolver não somente os associa-
dos, mas todos os segmentos que conformam a estrutura política e administrativa da coope-
rativa, ou seja, os órgãos de direção, as gerências e seu pessoal.
A ingovernabilidade se manifesta por meio de abusos e privilégios em certos níveis da
organização, expressando-se em má administração dos recursos financeiros, maus serviços
prestados aos associados e perpetuação de dirigentes nos cargos. Essa perpetuação se ex-
pressa pelos dirigentes que se mantêm por muitos anos em seus cargos, sem capacitar-se
para responder e contribuir ao bom governo e desenvolvimento de suas cooperativas.
EaD
15
FUNDAMENTOS E ESTRUTURA DO COOPERATIVISMO
Assim sendo, os estímulos à educação e ao desenvolvimento de processos de aprendi-
zagem entre seus dirigentes e lideranças é primordial para o aprimoramento da
governabilidade e da prática cooperativa, em todas as suas dimensões, e é no intuito de
compreender muito bem esse conceito e suas implicâncias que o discutimos em quatro
subseções:
1) o que é governabilidade;
2) governabilidade, ética e democracia;
3) governabilidade nas cooperativas e
4) fortalecimento da governabilidade cooperativa.
1.1.1 O QUE É GOVERNABILIDADE
Governabilidade é a capacidade de um sistema sociopolítico para governar-se a si
mesmo. Quando um sistema está estruturado de modo tal que os atores estratégicos se
inter-relacionam para tomar decisões coletivas e resolver seus conflitos conforme a necessi-
dade da instituição ou regras do jogo, pode-se falar de governabilidade.
Também se pode dizer que a governabilidade:
\u2022 significa estabilidade política e institucional e eficácia decisória e administrativa;
\u2022 faz referência à continuidade das normas e das instituições e ao ritmo, à coerência e à
intensidade das decisões;
\u2022 é a capacidade de adaptação permanente entre a norma e o ato, entre a regulação e seus
resultados, entre a demanda e a oferta de políticas e de serviços públicos;
\u2022 refere-se à maturidade da sociedade organizada e de sua capacidade de assumir responsa-
bilidades compartilhadas nas tomadas de decisão e na arte do bom governo.
EaD Pedro Luís Bü tten bend er
16
As ciências políticas referem-se à governabilidade como a capacidade de governo, par-
tindo da base da \u201clegitimidade\u201d e para obtê-la, todo governo deve atuar com \u201ceficácia\u201d.
Desta perspectiva, governabilidade é entendida como a situação em que interatua um con-
junto de condições favoráveis para a ação de governo que se situam em seu entorno.
Para que seja viável, a governabilidade deve atender a três requisitos fundamentais:
\u2022 ser eficaz;
\u2022 ser legítima e
\u2022 ajustar-se ao estado de direito.
Um sistema de governabilidade diz respeito ao conjunto de valores, princípios, políticas,
regras e órgãos dedicados aos interesses dos diferentes atores ligados à empresa: associados,
clientes, dirigentes, empregados, fornecedores, consumidores e a comunidade em geral.
No caso das cooperativas, a governabilidade é a capacidade de inter-relação e equilí-
brio entre a Assembléia Geral, o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal, as Gerênci-
as e o pessoal administrativo e operacional, para valorizar, desenvolver e proteger os interes-
ses de seus associados e da própria organização cooperativa.
Agora que você já tem clareza sobre o que significa esse conceito, vamos entender o
que ele tem a ver com a ética e a democracia.
1.1.2 GOVERNABILIDADE, ÉTICA E DEMOCRACIA
As cooperativas são organizações democráticas nas quais os associados se agrupam
principalmente para satisfazer suas necessidades. Os princípios cooperativos são as diretri-
zes por meio das quais as cooperativas põem em prática seus valores, os quais estão muito
relacionados à governabilidade. Não é suficiente perguntar se todos os cooperativistas co-
nhecem os textos dos princípios e dos valores cooperativos, mas é importante saber se os
cooperativistas observam o espírito desses princípios e se os praticam permanentemente.
EaD
17
FUNDAMENTOS E ESTRUTURA DO COOPERATIVISMO
Os códigos de bom governo ou de boas prá-
ticas cooperativas constituem pautas de orienta-
ção, sem que necessariamente sejam uma obri-
gação legal. Estes podem ser princípios singe-
los que possam guiar a organização cooperati-
va e fortalecer sua estrutura democrática.
A ética é um elemento fundamental na
boa gestão cooperativa. A ética é um conjun-
to de valores que orientam uma atuação de
caráter racional e se expressa de maneira con-
creta em duas manifestações:
\u2013 aprender a tomar decisões prudentes; e
\u2013 aprender a tomar decisões moralmente justas, em que a ética e a moral se encontram
identificadas, o que explica que na vida cotidiana falemos indistintamente de valores
morais (valores éticos) ou normas morais (normas éticas).
A governabilidade como processo democrático parte de fundamentos éticos que esta-
belecem os esboços necessários para a boa gestão cooperativa. Este processo somente será
válido se levar em conta uma estrutura de direção e de gestão sensibilizada e consciente
sobre a importância de instituir estas práticas com transparência. Por esta razão é funda-
mental não só impulsionar estas práticas na cooperativa, mas também sensibilizar e promo-
ver uma liderança democrática que vivencie estas práticas não só como dirigentes, mas
como sujeitos e cidadãos inseridos na sociedade.
Tendo em conta a importância que tem a liderança democrática no exercício pleno da
governabilidade cooperativa, é necessário sensibilizar os quadros dirigentes e os gerentes,
bem como as equipes de lideranças internas das cooperativas, sobre a necessidade de contar
com um perfil de líderes que pratiquem e garantam, por meio de seus atos e decisões transpa-
rentes, um boa gestão de suas organizações. Também que coloquem em suas agendas discus-
sões e decisões sobre a importância de as cooperativas investirem na formação de novas
lideranças que possam alimentar um sadio processo de renovação e preparem pessoas capa-
zes de ocupar os distintos espaços e níveis de responsabilidade das cooperativas.
Liderança
Governabilidade
Ética
Boa
Gestão de 
Cooperativas
Liderança
Governabilidade
Ética
Boa
Gestão de 
Cooperativas
Liderança
Governabilidade
Ética
Boa
Gestão de 
Cooperativas
 
EaD Pedro Luís Bü tten bend er
18
Nesse cenário, as condições indispensáveis para obter uma qualificada gestão de coo-
perativas passa pela capacidade de formar lideranças capacitadas, com competências
gerenciais e técnicas, e alimentadas e guiadas por princípios éticos. Para tanto, é necessário
que as cooperativas invistam para desenvolver e promover as competências, habilidades e
aptidões estratégicas e básicas para contar com lideranças preparadas para a adequada
gestão cooperativa.
1.1.3 GOVERNABILIDADE NAS COOPERATIVAS
Até agora você conheceu o que significa governabilidade e o que a ética e a democra-
cia têm a ver com esse processo. Estes termos, porém, se aplicam às cooperativas? Você tem
idéia sobre o que muda em relação às empresas comuns quando o assunto é governabilidade?
Descubra nesta subseção.
As cooperativas diferenciam-se das empresas tradicionais porque são criadas com o
propósito