Fundamentos e estrutura do cooperativismo
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Fundamentos e estrutura do cooperativismo


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de satisfazer às necessidades de seus associados. As pessoas que optam pelo
cooperativismo o fazem pela solidariedade, a transparência, a democracia e a eqüidade.
Um regime de bom governo nas cooperativas deverá contribuir para a a eficácia e
otimização de todos os diferentes recursos (econômicos, materiais, mercadológicos e huma-
nos), mas também para fortalecer a ajuda mútua, a confiança e a transparência entre todos
os seus membros. Isto garante de maneira plena que os dirigentes sejam responsáveis por
suas iniciativas e ações perante os associados.
O cumprimento da missão empresarial e cooperativa, orientada pela visão de seus
dirigentes, transcorre em um sistema interno que estabelece normas e diretrizes que devem
reger seu exercício e atuação. Mediante esta postura e ação deve-se garantir a transparên-
cia, a objetividade e a clareza das atribuições e o foco da administração dos diversos recur-
sos das cooperativas.
O cumprimento dos referenciais estratégicos e as deliberações da Assembléia Geral
dos associados e do Conselho de Administração são fundamentais para o êxito da
governabilidade cooperativa. Ao Conselho Fiscal cabe, em nome dos associados, a verifica-
ção da execução e da prática das deliberações associativas superiores.
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FUNDAMENTOS E ESTRUTURA DO COOPERATIVISMO
A governabilidade nas empresas cooperativas deve levar em conta, portanto, o desen-
volvimento de uma \u201cliderança ética\u201d, apoiada em virtudes morais e em sintonia com os
princípios cooperativos. Por esta razão, deverá que ter presente que a gestão da cooperativa
deve acima de tudo ser democrática.
Para isso a liderança deve insistir na necessidade de respeitar os direitos dos associa-
dos, estabelecer regulamentos precisos, fomentar a transparência, a fluidez e a integridade
da informação, assim como recordar as obrigações dos associados para sua contribuição à
governabilidade cooperativa.
A governabilidade em uma cooperativa pratica-se quando se protege os interesses de
seus associados, contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida. Não basta criar e
alcançar uma imagem apoiada na produtividade ou na qualidade dos serviços, também é
necessário garantir a confiança. Assim, para a base da governabilidade cooperativa sugere-se
o fortalecimento da ética, entendida como o conjunto dos valores que inspiram a vida e o
manejo de uma organização empresarial e cooperativa.
Dessa forma, o bom governo nas cooperativas é o
resultado de três forças que equilibram sua atuação de
maneira harmoniosa, as quais permitem alcançar os obje-
tivos esperados por seus associados. Estas três forças são:
\u2022 Assembléia Geral: é a integração constituída pelos as-
sociados que se agrupam voluntariamente para resolver em conjunto suas necessidades e
aspirações.
\u2022 Conselho de Administração e Conselho Fiscal: são a direção e o controle que orientam e
dirigem as atividades do conjunto para o alcance dos objetivos expostos pela Assembléia
Geral.
\u2022 Gerência e o pessoal administrativo e operativo: são a força da organização, representa-
da pela estrutura funcional que permite à cooperativa oferecer uma efetiva prestação de
serviços a seus associados.
Direção e 
Controle Integração
Organização
Direção e 
Controle Integração
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EaD Pedro Luís Bü tten bend er
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Cada uma destas três forças deve defender seu papel e suas responsabilidades para
garantir uma boa governabilidade e um bom governo cooperativo. A harmonia entre estas
três forças é indispensável. Mesmo com suas atribuições e responsabilidades definidas na
Lei do Cooperativismo e nos estatutos sociais, não é fácil estabelecer limites claros de auto-
ridade e de responsabilidade, razões pelas quais é necessário estabelecer e definir as funções
para garantir que os integrantes de cada órgão e os funcionários executivos consigam com-
preender e assumam o rol de funções e responsabilidades que lhes corresponde, guardando
o devido respeito entre eles.
Também é necessário levar em conta que uma verdadeira cultura de bom governo co-
operativo deve buscar, de forma permanente, a eficiência empresarial, combinada com o
desenvolvimento humano de todos os seus integrantes.
Salienta-se que os associados são os maiores interessados em
que se mantenha a harmonia entre estas três forças para garantir a
boa governabilidade e a gestão em suas cooperativas, de maneira
que eles recebam uma ótima qualidade nos serviços e o alcance dos
objetivos propostos. Como, no entanto, garantir e fortalecer a
governabilidade? A próxima subseção abordará justamente esse tema!
1.1.4 FORTALECIMENTO DA GOVERNABILIDADE COOPERATIVA
A governabilidade na cooperativa procura clarificar e diferenciar de maneira objetiva
o conjunto de atribuições do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal, da Diretoria e
da Gerência da Cooperativa. Isto pode ser garantido com uma oportuna, coerente e consis-
tente comunicação, interna e externa, associada às referências das definições da Legislação
(Lei 5764/1971) e às definições dos estatutos sociais da cooperativa.
A governabilidade deve garantir e capacitar para a superação dos desafios ao longo da
operacionalização das atividades cooperativas. Para isso deve-se estabelecer mecanismos de
educação e de comunicação adequados, além de fomentar a transparência, a fluidez e a
integridade da informação, em especial a todos os associados, mas também aos demais inte-
grantes da cooperativa e ao público em geral.
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Isto requer que a cooperativa tenha os seus referenciais estratégicos claramente de-
marcados e amplamente conhecidos. Ou seja, ter definidos e conhecidos a sua missão, vi-
são, valores e objetivos estratégicos. Também tenha definidos: os marcos legais e a suas
estruturas de gestão; a infra-estrutura dos órgãos de regulação e controle; mecanismos de
gestão e de formação de todos os seus membros.
Os dirigentes e membros de uma cooperativa devem ter muito claro os valores que
devem guiar seu funcionamento, para poderem agir adequadamente; também devem conhe-
cer seus objetivos e evitar ações que possam ir contra os objetivos da cooperativa. Além
disso, a centralização do poder, a adoção de inadequados processos de rendimentos inter-
nos, as limitações no acesso à informação e a falta de transparência nas tomadas de deci-
são, são outros fatores que colaboram para uma má administração cooperativa.
Em síntese, toda gestão de bom governo deve estar apoiada pelos princípios e valores
indispensáveis e necessários à formação e manutenção da cooperativa, para que seu funda-
mento e aplicabilidade centrem-se em uma conduta que esteja acima dos interesses pessoais
e individuais e se sobressaiam os preceitos da boa gestão e da confirmação dos princípios e
valores cooperativos.
Nesta unidade, que discute governabilidade, ética e liderança, ainda precisamos abor-
dar dois preceitos que estão diretamente ligados às questões estudadas: a democracia e a
solidariedade cooperativa. A próxima seção tratará desse tema.
Seção 1.2
Democracia e Solidariedade Cooperativa
A democracia e a solidariedade são aspirações e valores incorporados como integran-
tes de um sistema de crenças. Constituem também necessidades básicas, indispensáveis para
a atualização do ser humano e para manter a efetividade da organização da sociedade e da
própria democracia.
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A pobreza é uma realidade indesejada, inaceitável e mantida sob os efeitos do precon-
ceito e a ação de síndromes paralisantes. Expressa desigualdades que são obstáculo à de-
mocracia. O modelo econômico vigente não promove a solidariedade, nem é capaz, median-
te seu desenvolvimento espontâneo, de erradicar a pobreza.