Fundamentos e estrutura do cooperativismo
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Fundamentos e estrutura do cooperativismo


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Quadro 3: Sete hábitos de pessoas muito bem-sucedidas, segundo Stephen Covey
Fonte: Covey (1990).
Hábito Significado 
Ser proativo Ser responsável pelo próprio comportamento. Não culpar as 
circunstâncias, condições ou o seu condicionamento por seu 
comportamento. Você escolhe a sua reação diante de qualquer 
situação e de qualquer pessoa. 
Começar com o resultado 
em mente 
Ser capaz de visualizar o futuro que quer alcançar. Ter uma clara 
visão de onde quer ir e o que quer realizar. Viver de acordo com 
algumas crenças, princípios ou verdades fundamentais bem-
estabelecidos. 
Colocar as coisas mais 
importantes em primeiro 
lugar 
Ter uma vida disciplinada. Focalizar intensamente atividades 
muito importantes, mas não necessariamente urgentes, como 
\u201cdesenvolver relacionamentos, escrever uma declaração de 
missão pessoal, um amplo planejamento, exercitar-se... uma 
preparação \u2013 todas as coisas que sabemos que precisamos fazer, 
mas que, de alguma forma raramente fazemos, pois não são 
urgentes\u201d (Covey 1990). Dizer não a coisas que parecem 
importantes mas não são. 
Pensar sempre em vencer Ter uma mentalidade de \u201cabundância\u201d. Acreditar que existe muito 
para todos. Não acreditar que o sucesso de uma pessoa requer o 
fracasso de outra. Buscar soluções sinérgicas para os problemas. 
Buscar soluções nas quais todas as partes se beneficiem. 
Tentar primeiro entender, 
depois ser entendido 
Ouvir com forte propósito de compreender total e profundamente 
a outra pessoa, tanto emocional como intelectualmente. 
Diagnosticar antes de prescrever. 
Buscar a sinergia Ser criativo. Ser pioneiro e desbravador. Acreditar que o todo é 
maior que a soma das partes. Valorizar diferenças entre as 
pessoas e tentar se basear nessas diferenças. Ao ser 
apresentado a duas alternativas conflitantes, procurar uma 
terceira resposta, mais criativa. 
Aprimorar Busca do aperfeiçoamento, da inovação e do refinamento 
contínuos. Procurar sempre aprender. 
 
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Segundo Covey (1990), para que um gestor consiga obter o sucesso organizacional e
cooperativo é fundamental que o futuro seja visualizado e, a partir desse insight, criado um
conjunto de ações planejadas para fazer a ligação entre a concepção do sonho e a sua
concretização. Para que todo este planejamento seja possível, todavia, devem estar arraiga-
dos no líder as crenças, os princípios e a capacidade de separação entre o urgente e o impor-
tante, ou seja, quais são as ações que realmente levarão a organização ao alcance de suas
metas e objetivos.
Devido à grande complexidade do ambiente no qual estão integradas as organizações,
os líderes necessitam inovar, sendo pioneiros e desbravadores, buscando a diferenciação a
partir do constante emprego da criatividade.
Ao analisar os principais aspectos abordados por Covey, salienta-se também a questão
da integridade do líder e sua capacidade de compreender individualmente as pessoas que
fazem parte da organização. Sendo assim, verifica-se a importância de compreender as pes-
soas para somente depois ser compreendido e estabelecer o horizonte que todos deverão
seguir.
Seres humanos foram feitos para aprender. Ninguém precisa ensinar um bebê a andar,
a falar ou a dominar as relações de tamanho necessárias para empilhar oito blocos de mon-
tar sem que eles desmoronem. As crianças vêm ao mundo totalmente equipadas com um
impulso insaciável de explorar e experimentar. Infelizmente, as principais instituições de
nossa sociedade são predominantemente orientadas para o controle, e não para a aprendi-
zagem, recompensando os indivíduos por fazerem coisas ditadas por outros e não por culti-
varem sua curiosidade e impulso naturais para aprender. A criança que passa a freqüentar a
escola rapidamente descobre que a coisa mais importante é conseguir a resposta certa e
evitar erros \u2013 uma regra não menos convincente para o jovem gerente.
O processo de transformações que ocorre no mundo está gerando mudanças crescen-
tes, rápidas e profundas em todos os segmentos da sociedade, nas organizações e, de manei-
ra especial, também no cooperativismo. Estas mudanças geram novos cenários e agregam
desafios, apontando para oportunidades no cooperativismo até então inexistentes ou des-
conhecidas. O cooperativismo vem incorporando profundos efeitos de natureza econômica,
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FUNDAMENTOS E ESTRUTURA DO COOPERATIVISMO
política e social das transformações que estão ocorrendo longe das suas fronteiras. Para
acompanhar estas transformações, e inclusive para ser protagonista de outras, o
cooperativismo necessita de líderes que tenham ampla visão no sentido de atender às se-
guintes competências pessoais e cooperativas:
1) entender os processos econômicos que delineam as transformações do mundo moderno
(globalização, abertura de mercado, competição, etc.);
2) entender os processos políticos e institucionais que determinam o funcionamento do se-
tor público e político do país;
3) perceber os problemas e oportunidades num largo espectro;
4) possuir capacidade de mobilizar esforços conjuntos de pessoas com diferentes perspecti-
vas e interesses, porém voltadas para um objetivo comum;
5) entender as limitações e as potencialidades do setor rural (mercado, recursos, etc.) no
contexto dessas transformações; e
6) possuir visão e capacidade de colaborar para o esforço conjunto de enfrentar os desafios
que determinarão o futuro do setor rural e do país.
A liderança cooperativista deve apresentar competências voltadas à autogestão. A li-
derança numa empresa convencional (capitalista) é voltada para os clientes, as pessoas, os
produtos, o negócio, os departamentos, para a própria organização como um todo. A dife-
rença para a liderança cooperativista é que o líder cooperativista é \u201co líder do seu próprio
negócio\u201d, ele é um cooperativado. Por isso, a liderança cooperativista é mais focada na
autoliderança. Isso significa que o líder cooperativista vai se autodirigir, além de gerir a
própria cooperativa.
No cooperativismo o exercício da liderança é resultado sistêmico e combinado de dife-
rentes características, mas sem esquecer o respeito e o cumprimento dos Princípios do
Cooperativismo. O exercício e a prática da liderança são balizados pelos princípios funda-
mentais, conforme mencionados anteriormente neste livro. Estes princípios geram o senso
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de missão, visão, direção e racionalidade na liderança cooperativa. A combinação sistêmica
e circular dos princípios do cooperativismo e os seus estilos e práticas são os fatores que
influenciam o comportamento do líder cooperativo. Estes movimentos constituem a cultura
organizacional cooperativa, conforme ilustrado na Figura 1.
Figura 1: Fatores que influenciam o comportamento do Líder
Fonte: Quintella; Bruno, 2002, p. 11.
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FUNDAMENTOS E ESTRUTURA DO COOPERATIVISMO
Unidade 2Unidade 2Unidade 2Unidade 2
ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO COOPERATIVISMO
OBJETIVOS DESTA UNIDADE
\u2022 Oferecer ao aluno o instrumental básico para a compreensão da teoria sobre a estrutura e
a organização do cooperativismo.
\u2022 Proporcionar o entendimento do ambiente em que as organizações cooperativas operam.
AS SEÇÕES DESTA UNIDADE
Seção 2.1 \u2013 Organização da Gestão de Cooperativas.
Seção 2.2 \u2013 Sistema de Representação do Cooperativismo.
Seção 2.3 \u2013 Cooperativas Singulares e Centrais.
Seção 2.1
Organização da Gestão de Cooperativas
O contexto atual, os avanços e as mudanças na sociedade têm levado as organiza-
ções, categoria em que se inserem também as cooperativas, a desenvolverem novos modelos
e conceitos adaptados e ajustados à realidade da época.
Como as cooperativas não podem ficar fora desse processo evolutivo, este livro procura
apresentar