Historia da Arte 2007 LIVRO
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domínio marítimo. Sua 
economia estava baseada no comércio marítimo. Pouco se sabe de sua cultura, pois sua escrita não foi 
ainda decifrada. Pelos registros iconográfi cos nas cerâmicas e construções é frequente a representação de 
esportes como a tauromaquia e as fi guras femininas, dentre as quais muitas delas são deusas e sacerdoti-
sas. A sua ascendência termina com o domínio da civilização micênica.
Na arquitetura, o principal exemplar é o Palácio de 
Cnossos, chamado de Palácio de Minos. Ocupando uma vasta 
área, repleto de aposentos, não é um edifício imponente como 
os palácios assírios e persas. Essa construção de alvenaria com 
colunas de madeira, teto baixo, possuía vários níveis, muitos 
pátios para o arejamento e um sistema de tubulação para água 
e esgoto, havendo uma sala de banho. 
As paredes interiores do Palácio de Cnossos eram profusa-
mente decoradas com fl ores, cenas de tauromaquia, dança, cenas 
palacianas, sendo a vida marinha o principal tema. A composição 
não apresenta perspectiva, as fi guras são representadas segundo 
a lei da frontalidade egípcia, com forte contorno nas formas, 
possuindo contudo, um caráter nitidamente decorativo e não 
narrativo. É uma arte para agradar os sentidos, explorando o 
movimento rítmico e ondulatório, utilizando cores vivas e con-
trastantes. As principais cores usadas eram o vermelho, azul e o 
branco, estando presente da paleta desses artistas desconhecidos 
também o amarelo ocre, o marrom, o verde, o rosa. O afresco de 
tauromaquia ou do Toureiro é o maior e o mais movimentado. 
Esse representa um jogo ritual, tendo ao centro uma fi gura mas-
culina que faz acrobacias sobre o touro sagrado, ladeado por duas 
fi guras femininas, possivelmente sacerdotisas, pintadas com pele 
mais clara (convenção cromática utilizada na arte egípcia).
Enquanto a pintura mural minóica traz uma nítida infl uência egípcia, sem o hieratis-
mo, a pintura cerâmica minóica é bastante singular. Segundo Janson (1984, p.86), entre 
2.000 e 1.700 a.C \u201cCreta desenvolveu um tipo de cerâmica célebre pela perfeição téc-
nica e pelos dinâmicos motivos decorativos em espiral\u201d que posteriormente \u201cderam 
lugar a um novo repertório inspirado na vida animal e vegetal\u201d. O tema dominante 
mais uma vez são as cenas marinhas, representados com muito movimento, afi nal 
Creta é uma ilha e sua economia estava centrada no comércio marítimo.
Poucas esculturas foram encontradas. Não há esculturas grandiosas. Sua 
produção é formada, principalmente, por fi guras de argila ou terracota e ou-
tros materiais locais. Os temas recorrentes foram animais e fi guras femininas. 
Essas fi guras femininas são identifi cadas como deusas e/ou sacerdotisas. To-
das essas fi guras femininas de cintura de vespa, trazem os seios nus, levando 
a crer ser essa a indumentária feminina cretense. A estatueta denominada Deusa das Serpentes segura nas 
mãos duas serpentes. A serpente, em muitos cultos, está associada às divindades da Terra e à fecundidade 
masculina (como a Grande Píton grega e a relação das pitonisas com o deus Apolo). Questiona-se se essas 
imagens eram de culto ou votivas, se eram deusas ou sacerdotisas. Não foram encontradas essas imagens 
Palácio de Minos. Cnossos, Creta.
Afresco de tauromaquia do Palácio de Minos. 
Cnossos, Creta. Museu Arqueológico de Creta.
Vaso do Polvo. Palaikastro, Cre-
ta, c. 1.500 a.C. Alt. 28,0 cm. 
Museu de Heraklion, Creta.
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fora de Creta. Quanto ao estilo delas, Janson (1984, p.87) acredita numa infl uência dos orantes da Meso-
potâmia devido à \u201cforma acentuadamente cônica da fi gura, os olhos enormes e as espessas sobrancelhas 
arqueadas que sugerem um parentesco \u2013 remoto e indireto, possivelmente por via da Ásia Menor\u201d.
Arte micênica
A Civilização Micênica (1.600 a 1.100 a.C), deriva da cidade de Micenas, localizada na Grécia con-
tinental, a 90 km do sudoeste de Atenas. Acredita-se que os aqueus, povos nômades indo-europeus, mais 
evoluídos tecnologicamente, que migraram para a Grécia por volta do séc.XVI a.C originaram a civilização 
micênica. Segundo os estudiosos, a sociedade micênica era próspera e dominada por uma aristocracia guer-
reira. Seus nobres eram enterrados em grandes tumbas circulares em pedra. Máscaras mortuárias em ouro e 
jóias foram encontradas nas sepulturas. Esse período termina com a invasão dos dórios, gregos do norte.
A arquitetura micênica tinha uma monumentalidade e 
um militarismo que não existiam em Creta. Os palácios eram 
fortifi cações situadas sobre colinas, cercadas por muralhas de-
fensivas. O Palácio de Tirinte possuía grossas muralhas forma-
das por grandes blocos de pedra. Upjohn (1979, p.145) aponta 
uma infl uência minóica ao descrever o palácio, a disposição das 
portas, pátios e salas era provavelmente de origem minóica, as-
sim como o tipo de colunas à entrada do palácio. A sala princi-
pal, que se seguia ao pórtico, era, sem dúvida, o megaron [sala 
principal do palácio, sala de audiências] de que nos fala Home-
ro; tinha, ao centro, 
um lar sem cobertura. Vinham, em seguida, as salas das mulhe-
res, ou thalamus, que comunicavam com megaron por meio de 
corredores sinuosos fáceis de vigiar. O teto das diferentes salas 
era feito de vigas de madeira, tal como no palácio de Cnossos.
As muralhas dos palácios possuíam imponentes portas 
de acesso. Uma delas é a Porta dos Leões , em Micenas. Ela é 
decorada no alto com o relevo em pedra de dois leões afron-
tados, ladeando uma coluna cretense simbólica. Esses leões 
guardiões, de corpos fortes e musculosos numa composição 
simétrica, indicam uma infl uência mesopotâmica.
Deusa das Serpentes, terracota, 
c. 1.600 a.C. Altura: 34,0 cm. 
Museu Arqueológico de Creta.
Detalhe da Muralha do Palácio de Tirinte, 
séc. XIV a.C.
A Porta dos Leões. Acrópole de Micenas, c. 
1.250 a.C.
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Não foram encontrados vestígios de arquitetura religiosa 
micênica, mas há arquitetura funerária. O Tesouro de Atreu, um 
túmulo construído no século XIII a.C., possui o mais refi nado 
acabamento da arte micênica, com um corte extraordinariamen-
te preciso dos blocos de rocha. Ele possui uma falsa cúpula de 
14,6 m de diâmetro e 13,5 m de altura, à qual se tem acesso por 
um corredor em falsa abóboda com 10,5 m de altura. Essa parte 
assemelha-se a uma colméia. A entrada também se dá por uma es-
trutura em falsa abóboda cujo formato é encontrado em algumas 
estruturas do Egito antigo.
As paredes dos palácios micênicos eram decoradas com pinturas. Os motivos diferiam muito das 
pinturas cretenses. Na pintura micênica aparecem guerreiros, desfi les de carros e cenas de caça e, não 
mais fi guras leves e ágeis cretenses.
Os formatos da cerâmica micênica denotam uma influência cre-
tense. Quanto à decoração, elas diferem, pois as pinturas micênicas 
são mais narrativas que ornamentais. Os temas marítimos são recor-
rentes, mas sem a vivacidade minóica.
Na ourivesaria são mestres como os cretenses, trabalhando o ouro 
com requinte e perfeição. Uma expressiva máscara funerária de um prín-
cipe micênico, que se considerou como sendo Agamenon, rei de Micenas, 
que participou da guerra de Tróia, registra a qualidade esse trabalho.
Tesouro de Atreu. Micenas, séc.XIII a.C.
Fragmento de afresco com cena de caça 
do Palácio de Tirinte, c. 1.250 a.C. Museu 
Nacional de Atenas.
Máscara funerária de aristocrata mi-
cênico, em ouro, séc. XVI a.C. Mu-
seu Nacional de Atenas.
Vaso cerâmico com guer-
reiros. Micenas.
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ARTE GREGA
Período Arcaico (800 a 500 a.C)
Para abordarmos a arquitetura grega, é preciso, inicialmente, expor uma de suas características prin-
cipais: as ordens arquitetônicas. Uma ordem arquitetônica grega é defi nida a partir da coluna. A coluna é 
um elemento de sustentação e decoração vertical de uma construção. Ela é composta por três partes: