Historia da Arte 2007 LIVRO
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IV a.C. os mais famosos teatros gre-
gos. O teatro era composto por 3 partes: uma cena, a orquestra 
(espaço circular ou semicircular central, onde fi cava o coro) e um 
semicírculo de degraus onde fi cava a platéia.
No fi nal do século V a.C surge a ordem coríntia, mais deco-
rada. Seu capitel característico, assemelha-se a um sino invertido, 
traz duas fi leiras horizontais de folhas de acanto e no alto volutas 
enroladas duas a duas sob o ábaco. Essa ordem foi aplicada no 
Templo de Apolo em Bassae.
A escultura e a pintura eram manifestações antropocênticas 
de alto realismo, de grande perfeição nas formas. Fídias e Miron 
Pintura externa de taça cerâmica ática 
assinada pelo pintor Douris, c. 485 a.C. 
Museu de Berlim, Alemanha.
Parthenon (447-432 a.C). Mármore. Dimen-
sões: 31,0 x 70,0 m. Atenas, Grécia. 
Erectheion (421-405 a.C.). 
Teatro de Epidauro (meados do sécu-
lo IV a.C).
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foram os maiores expoentes na estatuária. Segundo Upjohn (1979, p.181), \u201co escultor grego experimentava 
continuamente. Contrariamente ao que se passava no Egito, a tradição artística não tinha um papel limitativo\u201d. 
A estatuária monumental em movimento foi uma das mais interessantes realizações desse período. Os seus 
mais representantivos exemplares foram uma escultura de Poseidon e o Discóbolo de Míron. O Poseidon 
(para alguns seria Zeus) em bronze, um nu masculino com mais de dois metros, traz o deus em uma posição 
de arremesso (o tridente se for Poseidon ou o raio se fou Zeus), um movimento magnifi camente capturado.
O Discóbolo, o atleta lançador de disco, foi criado pelo escultor Míron. Retrata o movimento de lan-
çamento através da torsão do tronco, a elevação do braço direito e a posição das pernas. Ele refl ete \u201co domí-
nio do movimento nas estátuas de vulto redondo\u201d, que \u201cveio exercer uma infl uência libertadora na escultura 
dos frontões, dotando-a de um novo sentido espacial, de fl uidez e equilíbrio\u201d (JANSON, 1984, p.130).
Não há pinturas murais nem painéis deste período, apenas pintura 
cerâmica. A pintura cerâmica foi perdendo qualidade, entrando em de-
cadência no fi nal do séc. V a.C. Para Janson (1984, p.97), pouco a pouco 
\u201cse perdeu o hábito de assinar as peças, tal como declinavam as ambições 
destes pintores cuja época fora o Período Arcaico, até c. 475, quando os 
melhores gozavam de prestígio igual ao dos outros artistas\u201d. Os melhores 
exemplares desse período são os lekythos, pequenos jarros para azeite, usa-
dos para ungüentos e como oferendas funerárias. Esses jarros possuíam 
um revestimento em branco onde era aplicado o desenho decorativo. O 
melhor pintor de lekythos foi o artista conhecido pela alcunha de \u201cPintor 
de Aquiles\u201d. Seu desenho é de grande qualidade e vivacidade, imprimindo 
profundidade nas formas e dinamismo à composição.
Período Helenístico (336 a 146 a.C)
Nesse período, a mentalidade grega foi profundamente modifi cada. Marcado pela cultura grega, 
Alexandre, o Grande, (356-323 a.C.), que teve como mestre o grande fi lósofo Aristóteles, realizou com 
a sua conquista do mundo um processo de fusão das culturas grega e orientais que se confi gurou num 
estilo chamado helenístico. Seus principais representantes encontram-se expressos na arte escultórica. 
Nesse período, \u201co escultor torna-se cada vez mais livre; ele já não tem de limitar-se a um certo número 
de tipos bem defi nidos e, a partir de então, pode representar a velhice ou a infância, dedicar-se às cenas 
de costumes inspiradas na vida quotidiana, utilizar francamente o relevo com fi nalidade narrativa ou des-
1- Poseidon ou Zeus em bronze, c. 460-450 a.C. Alt. 
2,09m. Museu Nacional de Atenas.
2- Discóbolo em mármore. Cópia romana de um origi-
nal grego de bronze, c. 450 a.C., de autoria de Míron. 
Altura: 1,55 m. Museu Nacional de Roma.
Lekythos decorado pelo Pin-
tor de Aquiles. Cerâmica áti-
ca, c. 450-440 a.C.
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critiva\u201d (JANSON, 1984, p.245). A arte helenística é marcada pela 
dramaticidade, pelo sentimento.
O Gaulês moribundo reproduz detalhadamente os traços 
físicos, o rosto e o cabelo. Também acrescenta o torques, um colar 
típico dos celtas. Despido, ferido, derrotado, de cabeça baixa, ten-
tando apoiar-se no braço direito, esse guerreiro em sua 
agonia fi nal possui uma dramaticidade pungente. 
Surpreendentemente, a famosa Venus de Milo 
não é uma obra do período clássico. Embora seja a ex-
pressão da beleza e perfeição, obedecendo ao cânones 
das proporções de Lisipo, ela é uma obra helenística 
não só por ter sido realizada nesse período. Ela não é 
uma fi gura femina idealizada, ela foi retratada com muito realismo, 
detalhamento, individualização, marcas do helenístico.
De maior efeito dramático é a Nike (Vitória) de Samotrá-
cia, uma escultura comemorativa dessa batalha. A vitória militar 
é personifi cada numa fi gura feminina, representada sobre a proa 
de um navio proclamando a sua glória. Essa escultura é puro 
movimento. O vento parece soprar imprimindo animação, di-
nâmica à sua veste, que se cola ao corpo.
Gaulês moribundo. Cópia romana de 
um original de bronze de c. 230-220 
a.C, de Pérgamo. Mérmore, tamanho 
natural. Museu Capitolino, Roma.
Vênus de Milo, em mármore, sécu-
los III-II a.C. Altura: 2,02m. Museu 
do Louvre, Paris, França.
Vitória (Nike) de Samotrácia. 
Mármore, c. 200-190 a.C. Alt: 
2,41 m. Museu do Louvre, 
Paris, França.
ARTE ETRUSCA E ROMANA
Arte etrusca
Os etruscos ocupavam a planície da Etrúria, entre os rio Arno e Tibre e a Ilha de Elba. Provavelmente 
,eram originários da Ásia Menor. Possuíam escrita, viviam em cidades-estados (lucomonias), tinham agricultura 
desenvolvida, artesanato de alto nível e um intenso comércio marítimo com o sul da Itália, Sicília e Cartago (antiga 
colônia fenícia). Eram o povo mais avançado e poderoso da região. Por volta do séc.VII a.C, os etruscos iniciaram 
a sua expansão territorial pela Itália e ocuparam o Lácio, terra dos 
latinos. Roma foi governada por reis etruscos por cerca de um século 
até a instauração da República em 510 a.C. Portanto, a arte etrusca 
está na base da arte romana.
Embora pouco reste da arquitetura etrusca, vestígios e 
documentos indicam que os etruscos foram grandes mestres 
na engenharia arquitetônica, no urbanismo, na topografi a, na 
construção de pontes, sistemas de drenagem, aquedutos e for-
tifi cações. A Porta Augusta é prova desta maestria. Essa entra-
da fortifi cada, datada do século II a.C., é maciça e imponente. 
Nela, pela primeira vez, o arco pleno é integrado a uma ordem 
Porta Augusta, Perúgia, séc. II a.C.
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arquitetônica grega (no caso, dórica), combinação que posteriormente os romanos desenvolveriam com 
grande variedade (JANSON, 1984, p.152).
Da arquitetura religiosa, só restaram os alicerces de pedra, uma vez que eles eram construídos em 
madeira. Seu traçado apresenta nítida infl uência dos templos gregos mais simples. Quanto à arquitetura 
funerária assemelham-se ao conceito de residências para o além. A câmara funerária de Cerveteri foi es-
cavada na rocha e reproduz o interior de uma residência etrusca, incluindo o travejamento do teto. Janson 
(1984, p.149) descreve outros detalhes como 
os robustos pilares (notem-se os capitéis, que lembram o tipo eólio, 
da Ásia Menor), tal como a superfície das paredes entre os nichos, 
estão cobertos de reproduções exatas de armas, armaduras, utensí-
lios, pequenos animais domésticos e bustos do falecido. Neste ce-
nário, o demônio das pernas serpentiformes [demônio da morte] 
e o seu cão tricéfalo (Cérbero, o guardião dos portões infernais), 
parecem ainda mais inquietantes.
Na escultura, o enfoque são os retratos. Enquan-
to na escultura funerária (Sarcófago de Cerveteri) eles são 
impessoais, por volta de 300 a.C, sob a infl uência grega, a 
individualização e a busca pela semelhança