Historia da Arte 2007 LIVRO
88 pág.

Historia da Arte 2007 LIVRO


DisciplinaHistória da Arte I3.887 materiais138.199 seguidores
Pré-visualização27 páginas
com o retratado 
começaram a aparecer na escultura etrusca.
Da pintura etrusca restaram os murais dos túmulos. 
De forte infl uência grega, apresenta um colorido vivo e um 
movimento rítmico. A perspectiva inexiste, é sacrifi cada 
pelo dinamismo e vivacidade. Os temas são cenas cotidia-
nas, cenas de caça, pesca, dança.
Arte romana
Período republicano (509 a 31 a.C.)
Em 509 a.C, os romanos depuseram o último rei etrusco, Tarquínio, o Soberbo. Os patrícios revol-
taram-se com a dominação etrusca e a tirania do rei, assumindo o poder e instituindo a República.
A arquitetura é a expressão da arte romana por excelência. No fi nal do séc.I a.C., novos materiais e 
métodos construtivos foram utilizados. Arcos, abóbadas, cúpulas, tijolo, betão e outros foram combina-
dos. Na arquitetura religiosa destacam-se o Templo da Fortuna Virilis e o Santuário da Fortuna Primigê-
nia. O templo romano necessita de maior espaço interno, pois, além de abrigar a estátua do deus ao qual 
Câmara funerária. Cerveteri, séc. III a.C.
1- Sarcófago em terracota, Cerveteri, c. 520 a.C. 
Comprimento de 2,0 m. Museu Nacional da Villa 
Giulia, Roma, Itália.
2- Afresco de um túmulo etrusco, Tarquínia, Itália, 
530-520 a.C.
Herdeira da arte etrusca e infl uenciada pela arte grega, a arte romana pode ser dividida em 
dois períodos: período republicano e período imperial. 
Saiba Mais!
História da Arte 43
é dedicado, servia para local de exibição de troféus recolhidos 
pelo exército romano em suas conquistas. O Templo da For-
tuna Virilis, consagrado a Portunus, deus romano dos portos, 
foi construído no século II a.C. Ele mescla as colunas jônicas 
e entablamento gregos a elementos etruscos como o profundo 
pórtico e a larga cella onde estão as colunas do peristilo. Assim, 
segundo Janson (1984, p.156), este templo
representa, portanto, um 
novo tipo defi nido, de edi-
fício religioso delineado de-
acordo com as exigências 
romanas e não um arranjo 
fortuito de elementos gregos e etruscos. Por um longo tempo, serviu 
de modelo a muitos outros (em regra maiores e de colunas coríntias) 
até ao séc. II d.C., quer na Itália quer nas capitais de províncias.
A construção mais impressionante desse período é o Santuário da Fortuna Primigênia, em Palesti-
na, nas colinas do sopé dos Apeninos, no leste de Roma. Ele 
foi construído sobre uma antiga fortaleza etrusca, datando do 
século I a.C. As grandes dimensões e a forma como a constru-
ção foi adaptada ao local lhe conferem imponência que será a 
marca do período imperial que se anuncia.
Roma herdou dos etruscos a tradição do retrato, tanto 
o funerário como o comemorativo privado e pú-
blico. Desde o início da República, os destacados 
líderes políticos e militares eram glorifi cados 
através de esculturas colocadas em locais pú-
blicos. Esse hábito iria continuar no período imperial. No período republicano um dos 
mais característicos exemplares é a estátua de bronze conhecida como L\u2019Arringatore ou 
O Orador, que traz a inscrição etrusca \u201cAule Metele\u201d, provavelmente o nome da pessoa 
retratada. Para Janson (1984, p.166-167), a sua execução é
manifestamente etrusca, como o atesta a inscrição, mas o gesto, que tanto 
parece de discurso como de saudação, reaparece em centenas de estátuas 
romanas da mesma espécie; e o trajo também é romano: um tipo antigo 
de toga. Pode suspeitar-se, portanto, que o nosso escultor procurou seguir 
um gênero romano, bem estabelecido, de estátua-retrato, não só nestas 
exteriorizações como no estilo. Com efeito, pouco encontramos aqui do 
sabor helenístico que caracteriza a última fase da tradição etrusca. O que 
torna notável esta fi gura é a sua qualidade prosaicamente concreta, até na 
meticulosa reprodução dos atilhos das sandálias.
Há poucas pinturas desse período. Geralmente são pinturas murais. 
\u201cO pintor romano não domina de modo sistemático a profundidade es-
pacial e a sua perspectiva é de puro acaso e sem 
consistência interna\u201d (JANSON, 1984, p.187). A 
série de pinturas murais conhecidas como Paisa-
gens da Odisséia traz as figuras humanas con-
trastando com o pálido cenário, traçadas com 
contornos, tendo as formas modeladas com 
sombras e toques de luz.
Templo da Fortuna Virilis. Roma, sécu-
lo II a.C.
Santuário da Fortuna Primigênia. Palestrina, 
século I a.C.
L\u2019Arringatore (O Orador) em bron-
ze, século I a.C. Alt: 1,80m. Museu 
Arqueológico de Florença, Itália.
Paisagens da Odisséia: 
Ulisses na terra dos 
Lestrigonios. Afresco 
de uma casa do Monte 
Esquilino, Roma, 50-
40 a.C. Museu Profa-
no, Vaticano, Roma.
FTC EaD | HISTÓRIA44
Período imperial (27 a.C a 476 d.C.)
A pax romana trouxe benefícios a todos, sobretudo aos romanos. Mercadorias de várias partes do 
mundo afl uíam para Roma. Eram gêneros de primeira necessidade e artigos de luxo. A prosperidade e 
o elevado número de escravos aumentavam o ócio. Os ricos entretinham-se em banquetes opulentos e 
divertimentos exóticos. Custeado pelo Estado, o povo recebia alimento e assistia aos jogos e as lutas vio-
lentas. A política do pão e circo fora mantida e incrementada. Era a degeneração dos costumes romanos. 
Os resultados embora não imediatos, quando se revelaram, foram catastrófi cos.
Apesar de todas as infl uências recebidas das várias regiões do Im-
pério Romano, a arte romana apresentou características próprias como 
a alta qualidade da engenharia e o sentido de ordem e permanência. 
Dentro do programa de propaganda do Império Romano, a arte era 
o principal veículo, tendo a arquitetura um papel destacado. Por todos 
os domínios romanos foram construídos foros, basílicas, termas, arcos 
triunfais, teatros, anfi teatros, templos e santuários. Todas essas obras 
púbicas são marcadas pelas grandes dimensões, qualidade superior dos 
materiais, profusão decorativa. O objetivo era mostrar a grandeza de 
Roma. Dentro dessa proposta foi construído, no período dos impe-
radores Flávios, o Coliseu de Roma, o maior anfi teatro romano. Esse 
edifício de quatro andares traz arcos decorados com uma arquitetura de ordens gregas sobrepostas dispostas 
de baixo para o alto da seguinte forma: ordem dórica, ordem jônica e ordem coríntia.
O uso de arcos, abóbodas e betão permitiu 
aos romanos a criação de amplos espaços interiores. 
Exemplo dessa tecnologia é o Pantheon, construído 
entre 118 a 125 a.C., na época do imperador Adriano. 
De planta redonda, esse templo dedicado a todos os 
deuses tem como características marcantes: uma cú-
pula esférica, uma relação proporcional entre altura e 
largura, uma abertura circular no alto, ao centro (que 
podia ser fechada com um postigo de bronze, para 
controlar a temperatura do ambiente.
Quanto às residências romanas, existiam dois ti-
pos principais de arquitetura domestica: domus e insula. 
A domus era a casa urbana das famílias mais abastadas. 
Era a morada de uma única família. Geralmente pos-
suía um pavimento único. Sua planta retangular é centrada no atrium, sala central ou ablonga iluminada por 
uma abertura no telhado (impluvium), a partir do qual se distribuem os diversos cômodos. No atrium fi cavam 
as imagens-retratos dos antepassados. Abaixo do impluvium fi cava o compluvium, um tanque que recolhia 
a água das chuvas. Como não havia janelas, a residência fi cava isolada da rua, garantindo a privacidade dos 
Segundo Françoise Choay (2006, p.33),\u201dos objetos gregos espoliados pelos exércitos roma-
nos começam por entrar discretamente no interior de algumas residências patrícias, mas seu status 
muda no momento em que Agripa pede que as obras entesouradas no recôndito dos templos sejam 
expostas à vista de todos, à luz viva das ruas e dos grandes espaços públicos\u201d.
Saiba Mais!
Coliseu. Roma, 71-80 d.C.
1- Pantheon. Roma, 
118-125 a.C.
2- Interior do Panthe-
on. Roma, 118-125 a.C.
História da Arte 45
habitantes abastados. Além