Historia da Arte 2007 LIVRO
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da domus, os privilegiados contavam com a alternativa das vilas urbanas (uma 
opção mais suntuosa nas cidades) e as vilas rústicas (uma espécie de veraneio para os proprietários da capital 
ou residência de estilo para os proprietários fora dos grandes centros urbanos.
A insula era como um bloco habitacional popular. Esses edifícios de andares, ou conjunto de edifícios 
de andares, construídos com betão e tijolo, possuíam um pequeno pátio central. No pavimento térreo fi ca-
vam as lojas, casas de pasto, etc. Nos andares superiores fi cavam as várias residências avarandadas. Algumas 
insula chegaram a ter cinco andares. Sem privacidade, \u201ca vida quotidiana dos artífi ces e dos empregados do 
comércio que lá moravam estava orientada para a rua\u201d (JANSON, 1984, p.164).
Quanto à tradição retratística da escultura, no período imperial \u201co ideal de 
beleza física expresso pelo nu artístico e o ideal de perícia militar representado pelo 
guerreiro de couraça, são encontrados lada a lado à representação tradicional do 
cidadão romano vestindo a toga de todo dia\u201d (STRONG, 1966, p.131). Dentro 
dessas características está a escultura do imperador Augusto. Em sua representa-
ção, a fi gura do imperador é divinizada. Segundo Janson (1984, p.168-169),
a idéia de atribuir uma grandeza sobre-humana ao impe-
rador e de realçar, assim, a sua autoridade cedo se tornou 
política ofi cial e, embora Augusto não tenha ido tão longe 
como ao que lhe sucederam, a estátua de Primaporta apre-
senta-o claramente envolvido por uma aura de divindade
Dentro do espírito propagandístico imperial, além das esculturas ple-
nas, estavam os relevos comemorativos. Merece destaque a Coluna de Trajano, 
erigida para celebrar as campanhas vitoriosas do imperador sobre os Dácios 
Planta de uma residência romana tipo domus durante o Império Romano.
Augusto, de Primaporta, em 
mármore, Altura de 2 m. Mu-
seus do Vaticano, Roma.
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(antigos habitantes da Romênia). Essa narrativa é contada através de baixos relevos, dispostos em faixa con-
tínua ascendente em espiral, que revestem toda a superfície da coluna. No alto da coluna fi cava uma estátua 
do imperador e a base servia para guardar as suas cinzas.
A pintura mural desse período é marcada pela tendência ilusiva. Sem molduras, as cenas pintadas 
visam não imitar a realidade, mas criar ilusões visuais integradas à realidade. As pinturas da Villa de Lívia, 
em Primaporta exemplifi cam essa intencionalidade.
Quanto à tradição do retrato, há um impressionante conjunto de retratos na região de Faium, no 
Egito. Os mais antigos foram datados como pertencentes ao séc. II d.C. Seguem a tradição da arte funerária 
egípcia, no costume de fi xar o retrato do defunto ao seu corpo mumifi cado. Janson (1984, p.189) ressalta
a espantosa frescura das cores é devida à técnica utilizada, a encáusti-
ca, na qual os pigmentos de cor são misturados com cera derretida. A 
mistura pode ser opaca e espessa, como na pintura a óleo, ou translú-
cida e fl uida, e aplica-se a quente, sendo de grande duração. (...)
Executados rapidamente e em grande número, tendem a apre-
sentar muitos elementos comuns, tais como a acentuação dos olhos, a 
distribuição das sombras e das luzes, o ângulo de pose. Nos exemplos 
tardios, estes elementos convencionais ganham, cada vez mais, a rigidez 
de um tipo fi xo, mas aqui eles proporcionam um molde fl exível onde a 
semelhança individual se não perde. 
Coluna de Trajano e detalhes, em mármo-
re. Altura de 37,5m. Roma, 106-113 d.C.
Pintura mural de jardim, Villa de Lívia. Primapor-
ta, c. 20 a.C. Museo delle Terme, Roma, Itália.
Retrato de mu-
lher, época ro-
mana. Encáus-
tica. Faium, 
Egito, 50-100 
d.C. Museu Bri-
tânio, Londres, 
Inglaterra.
ARTE PALEOCRISTÃ
A arte do período das primeiras manifestações da arte cristã, até o século V a.C., é de-
nominada Paleocristã ou Arte Cristã Primitiva. É também denominada Cristandade 
Clássica, pois se refere à sua expressão sob o Império Romano. Há dois momentos dessa 
arte: a fase de perseguição (até 313 d.C) e a fase de ofi cialização (313 \u2013 476 d.C).
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Fase de perseguição (até 313 d.C)
Durante esse período de perseguição ao Cristianismo pelo Império Romano, o culto e as manifestações ar-
tísticas cristãs eram realizados de modo furtivo, escondido. Nessa fase, em que a religião ainda não está institucio-
nalizada formalmente, há poucos recursos e a exposição é evitada, a arte cristã fl oresce nos subterrâneos romanos, 
ou seja, nas catacumbas através da pintura mural. Nelas, o programa iconográfi co cristão vai sendo construído. 
Em busca de uma identidade, são rejeitados os temas da arte 
ofi cial imperial pagã. Temas seculares da arte greco-romana são 
revestidos de um signifi cado simbólico novo, dentro da doutrina 
cristã. Segundo Janson (1984, p.195), \u201co pintor das catacumbas 
utilizou este léxico tradicional para traduzir um novo conteúdo, 
simbólico, e a signifi cação original das formas pouco lhe interes-
sa\u201d. Um dos primeiros temas a ser representado foi a fi gura do 
Bom Pastor. Tomado da arte pagã, o Bom Pastor recebe uma 
nova leitura simbólica a partir da parábola do Novo Testamento, 
identifi cando-o como o Cristo Redentor, o pastor que se sacri-
fi ca por seu rebanho. Esse tema será bastante representado por 
toda a arte paleocristã em pintura e escultura.
Além das pinturas, existem nas catacumbas toscas incisões 
sobre as paredes que trazem representações simbólicas cristãs 
como âncoras, peixes, cestos cheios de pães e videiras com pás-
saros bicando-as e o crismon (monograma de Cristo formado 
por um X cortado verticalmente por um P). Essas também são 
representadas nas pinturas, bem como a fi gura humana orante 
(homem ou mulher, com os braços levantados, simbolizando a 
alma do morto). O peixe passou a ser um emblema de Cristo, 
pois peixe em grego (ichtus), forma as iniciais da frase: \u201cJesus 
Cristo de Deus Filho Salvador\u201d. Numa das inscrições da Cata-
cumba Domitilla há uma combinação de cruz com âncora, em-
blema da fé e da esperança, junto a dois peixes.
Fase de ofi cialização (313 \u2013 476 d.C)
A partir do Edito de Milão, em 313 d.C., o imperador Constantino concede a liberdade de culto aos cristãos 
até então perseguidos. Era o triunfo do Cristianismo, cuja arte iria emergir da escuridão das catacumbas. Os fi éis 
agora podem celebrar livremente os seus cultos. Mas, onde? Não havia até então nenhum espaço construído para 
tal. Como o imperador tivesse se convertido ao Cristiansmo, ele próprio iniciou um programa de construção das 
primeiras igrejas cristãs por todo o Império, denominadas basílicas paleocristãs. Essas edifi cações baseiam-se nas 
plantas dos templos, incorporando o átrio das casas romanas a novas confi gurações. Assim essas igrejas eram 
formadas por: átrio, nave e abside
O átrio era um grande pátio ladeado de pórti-
cos, cujo lado oriental, ligado à igreja, formava um ves-
tíbulo, o nártex. No interior da igreja propriamente dita 
estava a nave, área destinada aos fi éis. Por fi m, a ábside, 
nicho ou espaço semicircular, onde fi cava o altar.
Além da planta retangular, havia a igreja 
de planta redonda ou poligonal (planta centra-
da) e cúpula, inspirada no Pantheon romano. A 
Igreja de Santa Costanza \u201cmostra uma clara ar-
Jesus como o Bom Pastor. Catacumba de Domi-
tilla, cripta de Lucina, c. 200 d.C.
Dois peixes e âncora. Catacumba de Domitilla, 
século III d.C.
Planta de basílica cristã. 1-ábside; 3 \u2013 altar; 5 \u2013 átrio; 
6- Batistério ou fonte.
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ticulação do espaço interior num núcleo cilíndrico fechado por 
cúpula e iluminado por janelas (clerestório) \u2013 correspondente 
à nava da basílica \u2013 e num deambulatório anular ( ou nave) 
coberto por uma abóbada de berço\u201d (JANSON, 1984, p.197). 
No século IV surgiram os primeiros batistérios e capelas fune-
rárias