Historia da Arte 2007 LIVRO
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convenções artísticas do período anterior, manifestas no Gó-
tico. Modelos híbridos conviveram até que o novo estilo se consolidasse. Havia muitos vestígios da arte 
romana a serem estudados, a inspirar os artistas renascentistas. A nova arte não era uma mera cópia da 
arte clássica e sim, uma reinterpretação desta 
Na arquitetura renascentista foi retomado o uso dos 
arcos plenos e das ordens arquitetônicas clássicas, sendo co-
ríntia como a mais empregada, bem como a superposição de 
ordens. A Simetria e a regularidade são buscadas, compondo 
uma teoria das proporções harmônicas. Na arquitetura religio-
sa utilizou-se a planta basilical de cruz latina, com três naves, 
cúpula dupla com aberturas circulares e óculos para ilumina-
ção. As fachadas das igrejas são marcadas por frontões. Filip-
po Brunelleschi é o grande arquiteto desse período. Como um 
homem renascentista ele não era apenas arquiteto, ele inicial-
mente foi escultor, estudou pintura, matemática, geometria. 
Estava sempre em busca de novas soluções, possibilidades. A 
sua grande realização foi a construção da cúpula dupla, de 
dois cascos separados (um dentro do outro), ligados de modo 
a reforçarem-se entre si. É de sua concepção a Basílica de São 
Lourenço, em Florença, encomendada pala poderosa família 
Médici e a cúpula da catedral de Florença.
Desde o fi nal do século XV, surgiu um novo suporte para as pinturas, a tela. Essa era preparada 
pelo próprio artista ou sua equipe, consistindo em esticar um tecido e fi xá-lo a uma moldura de madeira, 
revesti-lo de uma mistura de cola e alvaide. Com relação à técnica, foi desenvolvido na Itália um método 
Interior da Basília de São Lourenço. Brunelleschi. 
Florença, Itália, 1421-1469.
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de perspectiva linear, baseado na matemática, em linhas 
paralelas que convergem para um único ponto, o ponto de 
fuga da composição. Nesse período destaca-se Masaccio, 
um jovem gênio que viveu apenas 27 anos. A mais antiga 
das suas obras é o afresco de 1425 A Santíssima Trindade com 
a Nossa Senhora e São João, em Florença. Além das fi guras 
divinas e santas, traz dois membros da família Lenzi ajo-
elhados, cujo túmulo fi ca atrás da pintura. Esse conjunto 
está inserido num cenário arquitetônico renascentista re-
presentado dentro dos princípios da perspectiva científi ca. 
Na parte inferior da pintura, um esqueleto jacente com a 
inscrição \u201cO que és, já fui; o que sou, tu virás a ser\u201d. 
Sandro Botticelli, discípulo de Fra Filippo Lippi e pro-
tegido dos Médici, expressa o apogeu do movimento enér-
gico e contornos linares agitados. Provavelmente, a sua obra 
mais famosa seja Nascimento de Vênus. Seu tema é a mi-
tologia grega. A modelo que foi retratada como Vênus era 
Simonetta Vespucci, considerada a mulher mais bela de sua 
época, amante do irmão mais novo de Lourenço de Médici.
Quanto à escultura, o grande escultor do período foi Donatello. 
Segundo Martindale (1966, p.15), Donatello imprimia \u201cvigor e força dra-
mática em quase todas as obras que lhe eram encomendadas\u201d. Ele tam-
bém retomou o motivo clássico dos putti. O São Jorge de Donatello é 
uma idealização épica dos heróis cristãos inspirada na inspiração heróica 
clássica. Esse jovem santo de armadura não é representado rigidamente, 
aparentando maravilhosa fl exibilidade. A posição do corpo, 
com o peso a recair sobre a perna esquerda, levemente adian-
tada, exprime a presteza do santo guerreiro para o combate 
(originalmente empunhava uma lança ou uma espada); a ener-
gia, segura de si, está refl etida nos olhos, como a perscrutar 
no horizonte o inimigo que se aproxime. É o Soldado Cristão, 
tal como o viu o Proto-Renascimento, espiritualmente muito 
próximo do S. Teodoro de Chartres, e também o orgulhoso 
A Santíssima Trindade com a Nossa Senhora e São 
João. Afresco de Tommaso Masaccio, 667 x 317 cm, 
1425-28. Igreja de Santa Maria Novella, Florença.
Nascimento de Venus, de Sandro Botticelli, pintura 
de cerca de 1485. Galeria degli Uffi zi, Florença. 
São Jorge. Escultura em mármore 
de Donatello. Alt.: 2,08m. Or San 
Michele, Florença.
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defensor da \u2018Nova Atenas\u2019.Sob o nicho, um baixo-relevo re-
presenta a mais conhecida façanha do herói, a morte do dra-
gão (a donzela, à direita, é a princesa cativa que o Santo vinha 
libertar). Donatello produziu aqui outra obra revolucionária, 
ao criar um novo tipo de baixo-relevo pouco saliente (daí o 
ser chamado schiacciato, achatado), mas que dá uma ilusão de 
infi nita profundidade pictórica (JANSON,1984, p.383).
Renascimento ou Cinquecento (séc. XVI)
Segundo Hauser (1994, p.363), 
o Quattrocento representou o mundo num estado de fl uxo permanen-
te, como um incontrolável e interminável processo de crescimento; 
a pessoa individual sente-se pequena e impotente nesse mundo, e 
entrega-se a ele de boa vontade e agradecida. O Cinquecento viven-
cia o mundo como uma totalidade com fronteiras defi nidas; o mun-
do é tanto quanto, mas não mais do que o homem pode apreender; 
e toda obra de arte perfeita expressa à sua maneira a realidade total 
que o homem pode abranger.
Na arquitetura, Donato Bramante é a principal expressão. 
Suas características são a austeridade e a pouca ornamentação. É de 
sua autoria o Tempietto de S. Pietro in Montorio, a primeira gran-
de realização de Roma como centro artístico do período. Essa pe-
quena igreja marca o local da crucifi cação de São Pedro. De planta 
circular, assentada sobre uma plataforma de três degraus, cercada 
por uma colunata de ordem dórica, cobertura de cúpula, esse tem-
plo de nítida inspiração clássica é de grande simplicidade.
Na escultura havia uma tendência para o monumental. A 
escultura ganha independência da arquitetura, torna-se autônoma, 
muitas obras foram mesmo destinadas para as áreas externas como 
parques e jardins. A primeira escultura monumental desse período 
foi o Davi de Michelangelo, que estabeleceu novos padrões para a 
estatuária pública. Encomendada em 1501 para ser posta no alto, 
num dos contrafortes da Basílica de Santa Maria Del Fiore de 
Florença, acabou por ser colocada em frente ao Palazzo Vecchio 
como símbolo da nova república fl orentina. O Davi é retratado 
despido, com formas perfeitas, a funda descansado sobre o seu 
ombro esquerdo, num momento de calmo triunfo. Ele captura 
Esse é o período do Renascimento propriamente dito, do apogeu, do triunfo dessa nova arte 
classicista. O panorama havia mudado, a instabilidade política fez com que as grandes cidades enfra-
quecessem e um novo poder começasse a ascender: o Papado. Roma, sob o Papa Júlio II (1503-1513), 
tornou-se o grande centro cultural do Ocidente. Para Roma convergiram os grandes artistas do perí-
odo, contribuindo com a glória de Deus, da Igreja Romana. Buscava-se a eternização do homem. 
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O Tempietto de S. Pietro in Montorio. 
Donato Bramante. S. Pietro in Montorio, 
Roma, 1502.
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a \u201cação em suspenso\u201d, tão característica de Miguel Ângelo (JANSON, 
1984, p.425). Sobre ele o historiador da arte Giorgio Vasari (1511-1574) 
disse que \u201croubara o ribombar de todas as estátuas, modernas ou antigas, 
gregas ou latinas\u201d (MARTINDALE, 1966, p.74).
Essa mesma intensidade Miguel Ângelo imprimiu na sua grandio-
sa obra de pintura: a Capela Sistina. Esse monumental espaço narrativo 
abrange da criação ao juízo fi nal. Miguel Ângelo levou quatro anos, de 
1508 a 1512, para executar a decoração do teto e altar-mor em afresco. As 
cenas estão distribuídas dentro de molduras arquitetônicas pintadas. Na 
área central estão nove cenas do Gênesis. A cena central de destaque é a 
Criação de Adão, composta com grande dinamismo, representando não a 
mera modelagem de um corpo, e sim o momento em que Deus lhe trans-
mite a vida, concede-lhe a centelha divina, a alma. O grande afresco do al-
tar foi pintado