Historia da Arte 2007 LIVRO
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por Miguel Ângelo em 1534, mais de vinte anos depois do 
teto. O tema foi o Juízo Final, o fi nal da trajetória humana. Essa diferença 
temporal entre a feitura do teto e a do altar exprime os novos conceitos, 
as mudanças ocorridas. A vitalidade da obra do teto contrasta com visão 
sombria do altar. Em 1534, vivenciava-se a crise da Reforma.
Muitos artistas proliferaram durante o Renascimento, mas diante 
da impossibilidade de tratar de todos eles, foram selecionados os mais 
característicos do período. Sem dúvida, o mais conhecido deles foi Le-
onardo da Vinci. Esse genial humanista renascentista completo dividia-
se entre a ciência e a arte. Em suas pinturas (principalmente cenas reli-
giosas e retratos), era o mestre do claro-escuro ou chiaroscuro, artifício 
que consiste em pintar partes iluminadas e partes de sombra, numa 
modelagem de formas através dos contrastes luminosos. A sua mais 
Davi. Escultura em mármore de 
Miguel Ângelo, 1501-1504. Altu-
ra de 4,089m. Museu da Acade-
mia, Florença.
Interior da Capela Sistina: afrescos do teto (1508-1512) e do 
altar (1534). Miguel Ângelo. Vaticano, Roma.
Segundo Janson (1984, p.428), no afresco 
do Juízo Final da Capela Sistina, executado em 
1534, Miguel Ângelo se autoretratou. Ele pode 
ser visto à direita da fi gura central do Senhor, 
personifi cando o apóstolo Bartolomeu, sentado 
numa nuvem, segurando na mão a própria pele 
(pois o santo foi esfolado em seu martírio).
Você Sabia?
Mona Lisa. Leonardo da Vinci. Óleo 
sobre madeira, 1503-1505. Dimen-
sões: 77,0 x 53,0 cm. Museu do Lou-
vre, Paris, França.
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famosa obra é a Gioconda ou Mona Lisa, datada de 1503-1505. Esse fascinante retrato, com seu sorriso 
enigmático, seduziu e seduz gerações. Através da sua maestria técnica ele cria uma visão poética onde
o delicado sfumatto é superior ao da Virgem dos Rochedos, alcançan-
do um tal grau de perfeição, que pareceu um milagre aos contem-
porâneos do artista. As formas são construídas a partir de várias ca-
madas transparentes de tinta, tão delicadas que todo o painel parece 
exalar uma suave luz interior (JANSOM, 1984, p.421).
Embora Bramante Miguel Ângelo e Leonardo da Vinci se-
jam os pilares do Renascimento, é preciso falar de Rafael Sanzio 
cuja obra \u201cconsistiu num poder de síntese único, que lhe permitiu 
fundir as qualidades de Leonardo e de Miguel Ângelo, criando 
uma arte ao mesmo tempo lírica e dramática, unindo a riqueza 
da pintura à solidez da escultura\u201d (JANSON, 1984, p.433). Rafael 
fora protegido de Bramante, profundamente infl uenciado pelas 
obras de Miguel Ângelo e Leonardo. Em sua A Escola de Ate-
nas, uma homenagem à sabedoria da Antiguidade, ele constrói a 
composição com grande expressividade. A partir das duas fi guras 
centrais, Platão e Aristóteles, ele dispõe os demais personagens 
de forma simétrica e todo o conjunto tem por fundo e moldura 
um cenário arquitetural renascentista. 
Maneirismo (1520-1610)
Na verdade, o Renascimento pleno durou apenas até 1520. O ambiente otimista, confi ante do 
Humanismo Renascentista estava ameaçado devido às instabilidades política, econômica e religiosa. A 
arte que se seguiu a esse período era uma arte pós-clássica. O termo Maneirista, segundo Hauser (1994, 
p.368), foi usado por Vasari para designar a maneira individual do trabalho artístico. Bellori e Malvasia, 
no século XVII, ligaram esse conceito a um estilo afetado e trivial da arte, uma ruptura do classicismo re-
nascentista. Para alguns historiadores da arte, o Maneirismo é o declínio do Renascimento ou a transição 
entre o Renascimento e o Barroco e, para outros, é um estilo artístico. Seja como for, o Maneirismo pos-
sui características singulares: decomposição da estrutura renascentista de espaço, estilização das formas, 
profusão de detalhes, deformação das fi guras, distorção da luz, efeitos visuais utilizando cores intensas, 
busca pela expressão emocional.
É difícil caracterizar a arquitetura como maneirista, os exemplares existentes ou prendem-se ao 
classicismo (Villa Rotanda de Andrea Palladio) ou já anunciam o Barroco (Igreja de Il Gesú de Giacomo 
Vignola). O que se vê nesse período é na arquitetura religiosa de uma preferência pela planta de cruz lati-
na, uma distribuição da luz que torna as naves alongadas escuras e altares bastante iluminados, decoração 
profusa. Na arquitetura civil, os palácios e vilas trazem também esse jogo luminoso entre luz e sombra e 
uma rica decoração interna. Bartolomeo Ammanati , (1511-1592), Giorgio Vasari, (1511-1574) e Andrea 
Palladio, (1508-1580) são os grandes arquitetos do período.
A Escola de Atenas. Rafael Sanzio. Afresco 
de Stanza della Segnatura, 1510-1511. Palá-
cio do Vaticano, Roma.
O Maneirismo é a expressão da aristocracia, culta e internacional. É o estilo palaciano, das cortes 
européias, do absolutismo em expansão. É também um momento de crise religiosa, da Igreja ameaça-
da pelos movimentos reformistas em busca de uma reafi rmação, reação através da Contra-Reforma.
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Enquanto na arquitetura a identifi cação do Maneirismo é difícil, na 
escultura e na pintura existe uma variedade de exemplares. As últimas obras 
escultóricas de Miguel Ângelo (como a Pietà Rondanini) e as algumas pin-
turas de Rafael já são expressões do novo estilo. A escultura maneirista 
lembra o período helenístico. As formas distorcidas, contorcidas são bem 
expressas na obra do fl amengo Jean de Boulogne (1529-1608), que ado-
tou o nome italiano de Giovanni Bologna. O tema baseia-se em lendas da 
Roma Antiga. A composição possui uma movimentação teatral que iria se 
consolidar no Barroco. Seu movimento é em espiral ascendente confi gura-
do através dos corpos extremamente contorcidos das fi guras humanas.
Na pintura, Rosso Fiorentino e Pontorno representam o anticlas-
sicismo maneirista. As fi guras são distorcidas mas trazem uma rigidez 
que só será quebrada com outros artistas desse período. Parmigiano e 
Bronzino também denotam uma grande objetividade na representa-
ção. Os maiores expoentes maneiristas serão Tintoretto(1518-1594) e 
El Greco (cognome do cretense Domenikos Theotokopoulos, 1541-
1614), precursores do Barroco. Eles conseguem criar uma atmosfera 
de tensão, onde corpos contorcidos e rostos melancólicos sob uma ilu-
minação cênica, dramática expressam uma emocionalidade febril. El 
Greco assimilou as lições de Tintoretto. Na obra O Enterro do Conde 
de Orgaz, considerado seu mais representativo trabalho, todas as for-
mas apresentam um movimento alongado vertical em direção à fi gura 
de Cristo no alto, ao centro. Predomínio das cores e das texturas na 
composição das formas e não as linhas, o contorno. O fundo é negro. 
O contraste entre luz e sombra confere a dramaticidade da composição, onde as figuras divinas e 
santas são banhadas por uma luz diáfana. Enquanto o corpo desce, a alma do conde é elevada por 
um anjo contorcido no centro.
O Rapto das Sabinas. Giovani 
Bologna. Escultura em mármore, 
1583. Altura: 4,11m. Loggia dei 
Lanzi, Florença.
O Enterro do Conde de Orgaz. El Greco, 1586. 
Óleo sobre tela. Dimensões: 4,80 x 3,60m. Capela 
lateral da Igreja de São Tomé, Toledo, Espanha.
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Segundo Hauser (1994, p.374), o Barroco inicial é 
a expressão de uma tendência mais popular, mais emocional e na-
cionalista. O barroco maduro triunfa sobre o estilo mais refi nado do 
maneirismo à medida que a propaganda eclesiástica da Contra-Refor-
ma se difunde e o catolicismo volta a ser uma religião do povo. A arte 
palaciana do século XVII adapta o barroco a suas necessidades espe-
cífi cas; por um lado, elabora o emocionalismo barroco até convertê-lo 
numa opulenta teatralidade e, por outro, transforma seu classicismo 
latente na expressão de um autoritarismo austero e lúcido.
O Barroco foi o estilo dominante entre 1600 a 1750.