Historia da Arte 2007 LIVRO
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Historia da Arte 2007 LIVRO


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Clarice Lispector
\u201cA arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira.\u201d Theodor Adorno
\u201cA arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade.\u201d Pablo Picasso
\u201cA arte é uma força cuja fi nalidade deve desenvolver e apurar a alma humana.\u201d Vassily Kandinsky
\u201cA arte é o homem mais a natureza.\u201d Van Gogh
\u201cA arte é a verdade.\u201d Auguste Rodin
\u201cToda a arte é imitação da natureza.\u201d Lucius Annaeus Seneca
\u201c A arte é uma mentira. O papel do artista é convenver os outros da veracidade de suas mentiras.\u201d. Paul Klee
\u201cA Arte é harmonia.\u201d George Seurat
\u201cA beleza á a percepção do infi nito no fi nito. A arte é a união do subjetivo, da natureza e da razão, do consciente 
e do inconsciente.\u201d Schelling
\u201cA arte é a contemplação das coisas independente do princípio de razão.\u201d Schopenhauer
\u201cA arte é a expressão de uma intuição.\u201d Benedetto Croce
\u201cA arte é a manifestação sensível do Espírito.\u201d Hegel
\u201cA Arte é uma fi nalidade sem fi m.\u201d Kant
\u201cA Arte é necessária para que o homem se torne capaz de conhecer a si mesmo e mudar o mundo.\u201d 
Ernst Fischer
\u201cA arte é uma realidade convencionalmente aceita, na qual, graças à ilusão artística, os símbolos e os substitutos são capazes 
de provocar emoções reais. Assim, a arte constitui um meio-caminho entre a realidade que frustra os desejos e o mundo dos 
desejos realizados da imaginação \u2013 uma região em que, por assim dizer, os esforços de onipotência do homem primitivo ainda 
se acham em pleno vigor\u201d Sigmund Freud
\u201cA arte é um fenômeno histórico.\u201d Giulio Carlo Argan
\u201cA Arte é, foi, e ainda é o elemento essencial da consciência humana.\u201d Herbert Read
\u201cA arte é um motor da sociedade e não, simplesmente seu pálido refl exo.\u201d Catherine Millet
\u201cA arte não é porventura mais, em sua forma suprema, que a infância triste de um deus futuro, a desolação huma-
na da imortalidade pressentida.\u201d Fernando Pessoa
Infelizmente ou felizmente, não há uma defi nição única, inquestionável, universal, defi nitiva. Há 
várias defi nições que podem ser agrupadas em três vertentes tradicionais, que concebem:
 a arte como fazer;
 a arte como conhecer;
 a arte como exprimir.
Segundo Pareyson (1997, p.21), \u201cestas diversas concepções ora se contrapõem e se excluem uma às 
outras, ora, pelo contrário, aliam-se e se combinam de várias maneiras. Mas permanecem, em defi nitivo, 
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as três principais defi nições da arte\u201d. A arte como fazer destaca o aspecto construtivo formal da arte, ou 
seja, a sua execução, materialização. Era a concepção dominante na Antiguidade que valorizava a forma. 
A arte como conhecimento concebe a arte como uma visão da realidade, revela um modo de ver, conhe-
cer e interpretar o mundo. Essa vertente é recorrente no Ocidente, sobressaindo-se no Renascimento. 
A arte como expressão privilegia o signifi cado, o sentido da arte, levando em conta a espiritualidade e 
personalidade do artista que realiza a obra. Essa posição prevaleceu no Romantismo.
Mas, a arte é tudo isso e muito mais. Envolve o fazer, a técnica, o aspecto estético, a percepção, o 
contexto histórico, o lado psicológico-biográfi co do autor, o programa iconográfi co, a experiência sensó-
ria, a comunicação, etc. Ou seja, deve-se considerar a totalidade da atividade humana visto que 
a obra de arte é o possível e o provável, nunca é o certo. Ela é 
sempre ambígua, sempre susceptível de perder certos aspectos da 
realidade, ou de ganhar outros.(...) O que o artista fi xa, não é o que 
ele viu ou apreendeu; é o que ele procura e o que ele quer revelar aos 
outros(FRANCASTEL,1987, p.41).
Ao ser materializada a obra de arte se fi xa a seu tempo, mas também a sua permanência através dos 
tempos cria novos diálogos. Ao se ver uma obra de arte deve-se ir além da mera sensação estética inicial,(gosto 
ou desgosto, belo ou feio) e buscar uma apreciação maior que exige conhecimento. Afi nal, a obra de arte
Serve para ilustrar determinado programa iconográfi co, o que a con-
verte num sistema de imagens, destinado a valorizar ideais e mitos 
religiosos, políticos ou culturais, sujeito a modifi cações ocasionadas 
por múltiplos fatores. Não se deve ignorar, ainda, que a obra de arte 
constitui uma expressão, direta ou indireta, das concepções de vida 
e de mundo das sociedades às quais pertencem os artistas (...)
Finalmente, a obra de arte é um objeto de prazer, que visa provocar 
determinada experiência gratifi cante, que consiste numa espécie de 
vivência sensorial-perceptivo-intelectual, onde são engajadas espe-
cialmente a memória e a imaginação (TREVISAN, 1990, p.91-92)
E é nessa leitura que a história da arte, o seu estudo, ajuda a uma fruição mais ampla das obras de 
arte. Deve-se evitar em arte toda e qualquer visão imbuída de preconceito. O conhecimento, sem dúvida, 
ajuda a destruir as vendas do radicalismo e da intolerância. A linguagem visual é cultural, é aprendida, 
depende de padrões expressivos que constroem uma composição formal. A forma é a matéria das obras 
de arte, sua carne e seu sangue. Os elementos da forma são: cor, linha, textura, planos, volumes, espaço, 
luminosidade e ritmo. A distribuição desses elementoscria um todo autônomo, equilibrado e estruturado 
de tal maneira que a confi guração de forças refl ete o sentido do enunciado artístico. A composição formal 
refere-se à distribuição de elementos no espaço bi ou tridimensional, a composição cromática baseia-se 
em relações sintáticas, tais como a semelhança, a complementariedade e o contraste, assim como nas re-
lações entre os matizes primários e secundários\u201d (ARNHEIM apud TREVISAN, 1990, p.189).
O ritmo é estabelecido pela constância, repetição dos elementos. As composições vão criar repre-
sentações naturalistas (que se aproximam das formas da natureza, fi guração do real) e representações 
abstratas (transformação do real por deformação, simplifi cação, geometrização ou desconstrução).
Quanto aos estilos artísticos, para Wölffl in (1989, p.VII) \u201cmesmo ao talento mais original não é per-
mitido ultrapassar certos limites impostos pela data do seu nascimento. Nem tudo é possível em todas as 
épocas, e determinados pensamentos só podem emergir em determinados estágios da evolução\u201d. Existem 
estilos que caracterizam a arte nos períodos históricos, a uma área geográfi ca específi ca, a um grupo ou 
escola e estilos individuais que caracterizam o modo como o artista se expressa. Portanto, o estilo apresenta 
três dimensões básicas: a dimensão temporal; a dimensão nacional e a dimensão individual. Dessa forma, 
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Meyer Shapiro (TREVISAN, 1990, p.17-18) defi ne estilo como \u201cum sistema de formas qualitativas, reple-
tas de expressão, nas quais se manifesta a personalidade do artista e a fi losofi a de um grupo\u201d. O estilo tem 
\u201cum caráter comum e coletivo que, todavia, não se realiza senão individual e intimamente, já que um estilo 
não tem outra realidade e outra sede senão as obras individuais que o adotam, interpretam e realizam nelas 
próprias (PAREYSON, 1997, p.144).
AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS DO 
HOMEM PRÉ-HISTÓRICO
No início, como todos os demais animais, a preocupação do homem era com a sua sobrevivência. O 
homem não era o maior, não era o mais forte, não era o mais rápido. Mas ele tinha algo especial: a criativi-
dade. Essa característica fez com que a espécie humana se tornasse dominante no planeta. O homem con-
fi gurou-se como agente modifi cador do ambiente, consciente de si e de suas possibilidades. Segundo Fayga 
Ostrower (1978, p.10), \u201co Homem cria, não apenas porque quer, ou porque gosta e, sim, porque precisa; 
ele só pode crescer, enquanto ser humano, coerentemente, ordenando, dando forma, criando.\u201d Assim, o 
homem molda o seu mundo, cria e transmite cultura. E dentre, essas criações culturais, está a arte.
Os vestígios artísticos mais antigos encontrados datam de cerca de 40.000 a.C., obras do Homo 
Sapiens no