Historia da Arte 2007 LIVRO
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Historia da Arte 2007 LIVRO


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O signifi cado do termo barroco é irregular, 
grotesco, deriva da palavra portuguesa que designava uma pérola de formato irregular. Começou a ser 
empregado no século XVIII. Para alguns autores, esse é o estilo da Contra-Reforma, do Absolutismo. 
Irradiado a partir de Roma, espalhou-se por toda a Europa e suas colônias. O Barroco quebra o equilíbrio 
renascentista entre a emoção e a razão, optando pelo apelo emocional. O homem barroco é um homem 
dividido, inquieto, em confl ito entre o carnal e o espiritual, o bem e o mal, o pecado e a salvação. 
Na arquitetura barroca destacam-se o italiano Francesco Borro-
mini (1599-1667) nos exemplares religiosos e o francês Jules Hardouin-
Mansart (1646-1708) nos exemplares civis. Borromini era extravagante, 
imprimia dinamismo visual na disposição de superfícies côncavas, con-
vexas e retas. Seu primeiro grande projeto foi a Igreja de S. Carlo alle 
Quattro Fontane, em Roma. Sua planta é uma elipse como uma cruz 
grega distorcida. A cúpula oval também parece alongada. Sua fachada 
é composta por duas ordens de colunas coríntias sobrepostas, forman-
do superfícies convexas entre as partes côncavas que abrigam óculos, 
nichos com esculturas e outras decorações. No alto, centrando uma ba-
laustrada, um grande medalhão. Após três degraus, uma grande porta 
dá acesso ao seu interior profusamente decorado. 
Jules Hardouin-Mansart tem entre suas obras a reforma do 
Palácio de Versailles. Embora subordinado ao traçado inicial do 
falecido arquiteto Le Vau, o projeto foi ampliado e enriquecido, 
fi cando o palácio com 548 metros de comprimento. Mansart foi o 
responsável pela construção do Laranjal, do Grande Trianon, das 
alas norte e sul, capela e Salão dos Espelhos do Palácio. O gosto 
BARROCO E ROCOCÓ
A arte barroca é teatral e tem como características: a sedução sensória para fazer o espectador 
se inserir na obra; uso de formas curvas, contracurvas para criar movimento; utilização de colunas 
retorcidas na arquitetura; contraste entre luz e sombra para criar dramaticidade; emprego de efeitos 
ilusionistas; profusão decorativa.
Saiba Mais!
Fachada da Igreja de Carlo alle Quattro 
Fontane. Francesco Borromini. Roma, 
1665-1667.
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pela grandiosidade era uma marca do Barroco. Todo o blo-
co central interno da fachada do jardim é ocupado por uma 
única sala, o espetacular Salão dos Espelhos, tendo em suas 
extremidades o Salão da Guerra e o Salão da Paz. O interior 
do palácio é profusamente decorado, criando verdadeiros 
cenários para a monarquia e corte francesa. O projeto do 
jardim, de André Le Nôtre, integra-se ao plano do palácio, 
tornando-se seu prolongamento. 
A escultura barroca é, essencialmente, dramática. Nela 
a linha curva imprime a dinâmica que impulsiona as posições 
e os revoltos panejamentos das vestes. O uso do dourado, os 
gestos teatrais e as expressões de fortes emoções são outras carac-
terísticas. Gianlorenzo Bernini (arquiteto, urbanista, decorador e es-
cultor) foi o mestre do ilusionismo. Ele foi o autor do majestoso bal-
daquino da Igreja de São Pedro, em Roma, com suas movimentadas 
colunas torcidas, chamadas de salomônicas. Sua obra mais completa, 
que une a escultura à arquitetura e à pintura é O Êxtase de Santa Te-
resa, em Roma. Ela representa a experiência mística de Santa Teresa 
d\u2019Ávila, uma das grandes santas da Contra-Reforma. A emocionante 
composição é reforçada através da luz natural, proveniente de uma 
janela no alto escondida, fi ltrada por um vidro amarelo, que ilumina 
os raios metálicos dourados. 
A pintura barroca tem compo-
sição assimétrica, forte oposição entre 
o claro-escuro (que intensifi ca os volu-
mes) e intensidade dramática. Entre o 
sagrado e o profano, muitos pintores 
se destacaram. Caravaggio e sua luminosidade dirigida; Andrea Pozzo com 
seus tetos ilusionistas das igrejas; Velázquez como o retratista documental da 
corte espanhola; Rembrandt com suas gradações luminosas, etc. O pintor 
fl amengo Peter Paul Rubens (1577-1640) contribuiu para a disseminação do 
Barroco fora da Itália. Em seu Maria de Médici desembarcando em Marse-
lha ele transforma o tema numa cena teatral, num espetáculo. Figuras mito-
lógicas Greco-romanas engrandecem a composição: no alto a Fama, abaixo 
Netuno e sua corte de sereias e tritões. O movimento em espiral conseguido 
pelos corpos contorcidos, panejamento revolto, torna-se vibrante pelo colo-
rido excepcional de cores quentes (vermelho, amarelo) que contrastam com 
as peles claras e luminosas das fi guras humanas.
Rococó
O termo Rococó parece derivar da palavra rocaille, concha. Esse movimento artístico entre o Barroco 
e o Neoclássico, surgiu no início do século XVIII e dominou até cerca de 1770. Essencialmente, era um 
movimento decorativo de atuação profana, marcado pela alegria e a frivolidade da corte. Era requintado, ele-
gante, delicado e intimista, em contraposição à ostentação barroca. Suas principais características eram o uso 
abundante de formas curvas, principalmente em \u201cS\u201d, e pela profusão de elementos decorativos, tais como 
conchas, laços e fl ores, emprego de cores de tons pastéis, estilização de motivos fi tomorfos em ornatos. Sua 
temática eram as cenas mitológicas pastoris, as fêtes galantes (diversões da corte), cenas eróticas.
Palácio de Versailles. França, séc.XVII.
O Êxtase de Santa Teresa, escultu-
ra em mármore, 1646-48. Gianlo-
renzo Bernini. Capela Cornaro, S. 
Maria della Vittoria, Roma.
Maria de Médici, rainha da Fran-
ça, desembarcando em Marse-
lha. Rubens, 1622-23. Dimen-
sões: 63,5 x 50,2 cm.Pinakothek, 
Munique, Alemanha.
História da Arte 63
O Rococó francês é o estilo de Luís XV, tendo seu ápice com a sua amante ofi cial Madame Pom-
padour, grande mentora do Rococó. 
A arquitetura rococó caracteriza-se pela simplicidade e 
pela falta de monumentalidade. A altura era reduzida, as prin-
cipais salas ocupavam o andar térreo, as ordens clássicas rara-
mente eram usadas e as janelas não tinham frontão. A principal 
decoração exterior consistia numa saliência curva ou angular 
de 45º. Um bom exemplo é o belo Hotel Matignon, em Paris, 
desde 1959 residência ofi cial do Primeiro Ministro francês. Foi 
construído pelo arquiteto Jean Courtonne, entre 1722 e 1723.
Tem apenas dois andares, alas curtas que se projetam nas ex-
tremidades do imóvel e na fachada um alinhamento de grandes 
janelões de cantos curvos. A iluminação, a busca pela luz, é uma 
característica rococó. Os interiores eram decorados com espelhos, tons pastéis e textu-
ras suaves. O dourado era aplicado de forma pontual para os relevos e molduras. As 
paredes eram preferencialmente em branco marfi m. Os tetos, geralmente, não tinham 
mais pinturas decorativas. As pinturas com temas fi gurativos foram confi nadas aos es-
paços sobre as portas.
Na escultura, poucas foram as obras monumentais. A sua disposição 
dentro da arquitetura manifesta o espírito rococó. Os grandes grupos coor-
denados dão lugar a fi guras isoladas. Dentro do espírito alegre e sensual do 
período se insere o escultor francês Claude Michel Clodion (1738-1814). 
Suas pequenas esculturas de temática mitológica, repletas de graciosida-
de, vendidas a particulares, fi zeram a sua fama.
Semelhante à escultura de Clodion, a pintura rococó era sen-
sual e de pequena escala. Os principais pintores do período foram 
Antoine Watteau (1684-1721), François Boucher, (1703-1770) e 
Jean-Honoré Fragonard (1732-1806). Todos atuaram na corte. Wateau ca-
racterizou-se pelo gênero das fêtes galantes, que inventara. Esse 
gênero foi usado por Fragonard, o pintor etéreo do amor e da 
natureza. Boucher foi protegido de Madame Pompadour, reali-
zando belos retratos da favorita do rei Luís XV dentro do espíri-
to alegre, descontraído e sensual do Rococó.
Hotel Matignon. Jean Courtonne. Rue de Varen-
nes, Paris, França, 1722-1723.
Ninfa